03/07/2020 10:00
Compliance em teste – Efeitos da Pandemia

Grandes números sobre perdas são divulgados diariamente decorrentes do efeito da pandemia Covid19, que vão de população desempregada aos negócios fechando ou perdendo receita, e assim agravando o quadro de econômico, principalmente nos países pobres e emergentes como o Brasil, aumentando a desigualdade social.

E por aqui, no Brasil, as projeções seguem demonstrando que o cenário é complexo e irá requerer dos governantes e empresários uma boa estratégia e execução para retomada da rotina social e econômica. Dados do último boletim Focus do Bacen apontam queda no PIB brasileiro na ordem de -6,54%, já o Banco Mundial estima queda de -8%.

Diante desse cenário de recessão, a gestão tanto governamental como empresária, buscam alternativas urgentes para minimizar o impacto das perdas. Na esteira de resolver o ambiente sanitário, governos em regime de contratações e compras urgentes estão sob o olhar dos órgãos de controle e sociedade. Já as empresas para sobreviverem, buscam otimizar processos, antecipando estratégias que seriam de médio ou longo prazo para se adaptarem ao novo momento.

É importante comentar que em um ambiente de controle interno frágil, sem o devido respeito as boas práticas de gestão e Compliance, toda tentativa de minimizar as perdas pode agravar o quadro. Visto que a tentação para o não cumprimento regras ou estreitar caminhos se eleva para conseguir o objetivo.

Em uma publicação realizada pela consultoria EY, que trata da Covid19 e triângulo da fraude, alerta para o surto de fraudes que podem ocorrer decorrente desse cenário. O triângulo da fraude de Cressey (1953) traz três fatores que podem influenciar governantes, executivos, funcionários públicos e privados, que são: pressão, oportunidade e racionalização. Na pressão, há uma busca por alcance de metas ambiciosas em condições difíceis. Quanto a oportunidade, fragilizar controles em detrimento ao cenário de crise, e a Racionalização faz com que o fraudador justifique o ato lesivo pela condição pessoal adversa.

Portanto, a pandemia seria uma “tempestade perfeita” para que esses fatores se tornem realidade dentro de uma esfera governamental ou dentro de empresas privadas. Ficar atento as mudanças e adaptar-se com velocidade, é crucial, mas tão importante quanto, é o alerta para o cumprimento de normas, procedimentos e legislações em vigor para manter a ética e o Compliance fortes. 


Roque de Moraes Martins é contador, mestre em Administração de Empresas e diretor Financeiro e de Controle no Instituto Nordeste Cidadania. 

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

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