10/07/2020 10:00
Os desafios da retomada às aulas

Segundo um balanço da Unesco, em abril 1,5 bilhões de crianças e adolescentes ficaram fora da escola em 188 países em virtude do COVID-19. Após 60 dias, em média, de aulas à distância, alguns países apresentaram redução e estabilidade de casos e iniciaram o retorno às aulas presenciais. 

A retomada às aulas trouxe ao sistema educacional inúmeros desafios quanto à fatores sociais, emocionais, sanitários e ao processo ensino-aprendizagem. Foi necessário reinventar e ressignificar a educação escolar.

Estamos em processo de adaptação e reflexão sobre essa nova rotina escolar, embora muitas dúvidas e incertezas. Em paralelo a isso, é necessário iniciar a construção antecipada de um plano de contingência pela gestão escolar. O primeiro passo na construção do plano é compreender o cenário que a escola se encontra e definir com clareza os novos protocolos e adotar estratégias eficazes para um retorno sem grandes percalços.

O planejamento estratégico exige pensar de forma sistêmica e personalizada a escola, definindo metas e ações considerando todas as áreas e elementos que fazem parte desse contexto. Quanto ao pedagógico, uma reorganização na quantidade de professores, redistribuição de carga horária, aplicação de avaliações diagnósticas da aprendizagem, inserção de novas metodologias e definição de novos horários de chegada, saída e intervalos para que não haja aglomerações. Para adotar novas medidas e rotinas, contabilizar os recursos financeiros disponíveis, como também ciência quanto à inadimplência e evasão escolar. 

No aspecto socioemocional, definir novas regras de convivência entre os estudantes e professores, estruturar atividades que fortaleçam e desenvolvam competências socioemocionais e intensificar a parceria com a família.

Preparar-se com antecedência e envolver todos os atores da escola fará toda diferença nessa retomada, embora saibamos que muitas demandas serão percebidas e realizadas com o decorrer dos dias. 

Os desafios da reabertura e a reformulação da escola não serão tarefas fáceis, porém, trarão novos conceitos, evidências de investimento no que é prioritário, urgência em encaixar no currículo as competências socioemocionais, adaptação ao novo e inserção contínua das tecnologias educacionais e metodologias ativas. 


 

Natália Ribeiro é pedagoga com habilitação em Supervisão Educacional. Ao longo de 10 anos coordenou a implantação nas secretarias de Educação do Estado do Ceará e do município de Fortaleza propostas de Escolas de Tempo Integral, como as Escolas Municipais de Tempo Integral que atende de 1º ao 9º ano e as Escolas Estaduais de Educação Profissional com Ensino Médio. Atuou como consultora de gestão educacional nas secretarias de Educação dos Estados de Sergipe, Maranhão e João Pessoa. Atualmente é fundadora da empresa Autonomy Educação com foco em consultoria para rede de escolas públicas e privadas.  

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

 

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