08/07/2020 10:00
Comportamento alimentar em tempos de distanciamento social

Com a necessidade do distanciamento social devido à pandemia, a população vem passando por muitas mudanças e esse novo cenário tem exacerbado o estresse, a ansiedade e os sentimentos de medo, tristeza e incerteza. Essa situação pode repercutir diretamente na relação das pessoas com a comida.

O comportamento alimentar é influenciado não só por fatores biológicos, sociais, econômicos, culturais, mas também pelas emoções. Experienciar o contexto atual e esse turbilhão de sentimentos pode afetar a alimentação das pessoas de forma diferente.

Algumas podem apresentar redução da fome, enquanto outras podem sentir a necessidade de comer mais. Essas mudanças pontuais na alimentação são compreensíveis e não precisam ser motivo de culpa, autocobrança e desgaste psicológico, principalmente, nesse momento em que a saúde mental está fragilizada.

Associado a isso, uma parcela da população intensificou a preocupação com a alimentação e o receio de engordar durante a pandemia, reforçado por piadas gordofóbicas. Essa apreensão tem levado muitas pessoas a restringirem determinados alimentos ou grupos alimentares. No entanto, dietas restritivas não são adequadas (salvo em situações clínicas específicas), pois podem comprometer o sistema imunológico, aumentar o desejo por alimentos “proibidos” e desencadear comportamentos alimentares disfuncionais, como o exagero e a compulsão alimentar.

O fundamental é ter uma alimentação possível, dentro da realidade de cada um, e não “perfeita”. A ideia é incluir mais, optando por alimentos mais naturais e nutritivos, e restringir menos. Aproveitar o momento em casa para desenvolver habilidades culinárias, incluir as crianças nas preparações, resgatar o hábito das refeições à mesa com a família.

É importante destacar que, como seres biopsicossocioculturais que somos, não comemos apenas por necessidade fisiológica. A comida é repleta de significados e assume diversos papéis na nossa vida. Alguns alimentos nos confortam, são fontes de alegria e também de prazer, alimentam o corpo e a alma. Por isso, a alimentação deve trazer leveza para nossos dias e contribuir para manter a saúde física e mental. Caso a alimentação esteja trazendo preocupação ou sofrimento, procure ajuda especializada.


Daniela Vieira de Souza é pós-graduanda em Comportamento Alimentar e professora da Unifametro.

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

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