27/06/2020 10:00
Home office para o bem e para o mal

O home office na pandemia é como aquele parente distante que vive dizendo que vem passar uns dias na nossa casa e não vem nunca. A gente já nem conta mais com ele e não se prepara. Até que um dia a campainha toca e advinha quem chegou? Claro, não estamos preparados, o quarto não está pronto, não há espaço, mas...não há o que fazer. É se organizar, puxar daqui, dali e instalar. No começo a gente se empolga com a novidade, depois, passada a euforia, a gente estranha e por fim, se a visita vai ficar por um bom tempo, a gente se acostuma.

O trabalho remoto é assunto antigo. Em 2015, havia a perspectiva dos especialistas em carreiras de que essa realidade bateria à nossa porta "em 5 anos". Bingo! Tanto que, nesse mesmo ano, baseadas nessa perspectiva, as fabricantes de computadores Dell e Intel realizaram pesquisa com 5 mil profissionais de pequenas e médias empresas de 12 países, entre eles o Brasil. Na época, 54% acreditavam que produziam melhor fora do escritório.

O tempo passa e chega 2020 com todas as expectativas de um ano novo repleto de novidades etc e tal, mas ninguém - e eu duvido que alguém levante a mão para assumir esse B.O - imaginava uma revolução como a que chegou no pacote do Corona Vírus e da Covid 19. Dentre as mais impactantes nesse novo estilo de vida "imposto" está o home office.

Pesquisa divulgada recentemente pelo IBGE sobre o impacto da Covid 19 no mercado de trabalho diz que 8,8 milhões de brasileiros foram "forçados" a trabalhar de forma remota. Nem é muita gente quando olhamos para o total de trabalhadores com ocupação formal. E isso só confirma que o Brasil é um país essencialmente operacional – porque sim, trabalhar à distância tem relação direta com as ocupações mais intelectuais, mas isso é assunto para outra hora.

Uma estrada sem volta
Esse movimento de trabalho em casa foi intensificado com a pandemia, no entanto há dois anos, um estudo, também do IBGE, mostrou que no ano de 2018, 3,8 milhões de brasileiros trabalhavam dentro de casa. Nessa época, isso correspondia a 5,2% do total de trabalhadores ocupados - deixando de fora os empregados domésticos e os servidores públicos.

Para o futuro a perspectiva é de crescimento. Levantamento recente divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) revelou que o trabalho remoto pode atingir 22,7% das ocupações no Brasil, alcançando com isso, mais de 20 milhões de pessoas.

A verdade é que uns torcem o nariz, outros aplaudem, mas não há muito o que fazer. O que era tendência há algum tempo se estabeleceu. Meu conselho é aceitar esse "novo normal" e tirar o máximo de proveito do que ele traz porque sim, tem o lado bom, o lado ruim e aquela pergunta que não quer calar “será para sempre?”.

Pesquisa realizada entre os colaboradores da Áthaco Soluções, não deu outra: 100% de aprovação do home office. Lógico com considerações sobre o lado bom e ruim que toda mudança traz.

O lado bom do home office
Tanto a empresa quanto o funcionário podem ter diversas vantagens com o home office. Nesse momento a principal é a segurança de, por estar em casa, não estar exposto ao vírus. Isso tira a tensão e funcionário despreocupado produz mais e melhor. Outro ponto é a redução de custos para a empresa, isso levando em conta até mesmo algum investimento que esta tenha que fazer no local de trabalho do funcionário. As escalas de trabalho e a possibilidade de flexibilizar os horários é outro ponto positivo: cumprindo a meta, não importa o horário em que a atividade é produzida. Também é citado a economia de tempo nos deslocamentos e consequentemente a redução nos gastos com combustível e alimentação.

O lado ruim do home office
O improviso acelerado pela emergência sanitária talvez seja a pior face do trabalho em casa. Como a maioria não estava pronta para a situação emergencial, o arranjo e a improvisação doméstica têm provocado dissabores. Coloca nessa conta fatores como: conexão com a internet ruim; cadeira desconfortável; falta de privacidade – porque os parentes também dividem a casa e muitas vezes a mesa de trabalho; presença das crianças; chefias controladoras demandando mais que na vida “real” que acabam gerando uma carga extra de trabalho que puxa para dentro de casa o não convidado, mas presente, burn out. Isso sem esquecer a troca possibilitada pelo contato com colegas de trabalho.

Será para sempre?
Algumas empresas de referência mundial já anunciaram que, ao menos até o final do ano, vão manter o home office. Outras como a Petrobrás já disseram que ao menos 50% do quadro administrativo não volta ao trabalho presencial e vai continuar permanentemente em home office. O Facebook também anunciou que pretende adotar o modelo “agressivamente”, ou seja, no atual quadro funcional e nas novas contratações, mesmo com o afrouxamento das medidas de controle da Covid 19. Será que dá certo?

Eu acredito que mudanças gigantes como essa trazida pela Covid 19 não vêm à toa. Servem para repensar nossa vida, o uso consciente do tempo, as relações pessoais, a forma de comunicar e por que não, nosso trabalho. Se olharmos com a perspectiva de que não há como voltar ao “antigo normal” - e eu acredito que não haja - o melhor a fazer é agarrar o que é bom e trabalhar para melhorá-lo. O home office é uma dessas coisas que tem mais pontos positivos que negativos e que tem tudo para causar uma revolução na forma de produzir. Você concorda?


Letícia Araújo nasceu em Nova Lima, Minas Gerais e mora em Fortaleza há 18 anos. Trabalhou presencial e em home office. É única mulher de 5 irmãos, medita mas também ama “puxar um ferro”. É sócia diretora da Áthaco Soluções e Diretora de Programas e Projetos do PMI Ceará. 

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

 

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