26/06/2020 07:30
Em tempos de intolerância, um jornalismo humanizado se faz necessário

Em abril deste ano, a ONG Grupo Gay da Bahia (GGB) divulgou que 329 pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexuais (LGBTI+) foram mortas e mortos no ano passado em todo o Brasil. O número, no entanto, pode ser maior por conta das subnotificações, problema reconhecido pela entidade.

Os dados foram coletados a partir de denúncias feitas, em maior parte, nos meios de comunicação (TV, jornais e portais). O resultado do trabalho foi usado, posteriormente, em matérias jornalísticas de vários veículos brasileiros, basta "dar um Google".

Aqui, concentro minha reflexão na importância do serviço jornalístico e a necessidade de um trabalho humanizado na apuração de informações. Conforme o GGB, existe dificuldade, nas redações e nas ruas, para acompanhar todos os casos. Seja por falta de mão-de-obra ou por ignorar a identidade de gênero ou orientação sexual das vítimas. A ausência de dados nos registros policiais e falta de sensibilidade para analisar as múltiplas violências também podem ser possíveis causas, constituindo um obstáculo para analisar e solucionar o problema.

No próximo dia 28 de junho, o mundo celebra o Dia do Orgulho LGBTI+. Uso esse exemplo para destacar a necessidade de uma checagem mais reflexiva sobre as pautas e denúncias, principalmente nos noticiários que cobrem o cotidiano. O resultado do bom trabalho jornalístico é fonte de consulta para entidades, historiadores, discussões e decisões políticas nas assembleias e câmaras do país. Nosso trabalho é fundamental. 

 

Lucas Memória é jornalista, licenciando em Ciências Sociais (UFC) e voluntário no Observatório Nacional da Política LGBTI.

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

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