25/05/2020 07:30
Habitações no pós-pandemia
Foto: PMF/Reprodução

Em meio à pandemia da Covid-19 surgiram muitas discussões sobre as mudanças que acontecerão na sociedade quando tudo isso passar. É nítido que a situação que vivemos hoje trará consequências, e cabe a nós lutarmos para que essas mudanças aconteçam na direção que desejamos. Nesse sentido, arquitetos e arquitetas têm o dever de elevar a discussão com a sociedade sobre a qualidade de nossas habitações.

A principal mudança trazida pela pandemia foi o fato de as pessoas ficarem mais tempo em casa. Subitamente, toda a nossa rotina diária foi reduzida a alguns metros quadrados. Esse novo hábito aumentou a intensidade com que vivenciamos o espaço residencial, ampliando a nossa percepção sobre nossos próprios lares.

O trabalho remoto virou uma realidade repentina para grande parte das pessoas. Se por um lado as tecnologias digitais nos permitem a colaboração no trabalho à distância, por outro precisamos de uma estrutura física adequada para trabalhar com concentração e conforto. Além disso, precisamos de lazer, descanso e contato com a natureza. Somente nesses itens podemos discutir vários campos acadêmicos e profissionais da arquitetura como ergonomia, conforto ambiental, paisagismo, organização e flexibilidade espacial.

A maneira que nossas habitações têm sido construídas é regida por padrões que muitas vezes relegam a qualidade espacial. Nos acostumamos a ambientes com baixo conforto térmico, iluminação inadequada, espaços mal dimensionados e de pouca flexibilidade. Como estamos mais tempo em casa, esses problemas ficam mais evidentes. Nesse ponto precisamos cobrar tanto do mercado imobiliário quanto do poder público a criação de um cenário da construção civil no qual esses fatores qualitativos sejam absorvidos para a melhoria da qualidade dos espaços habitacionais

Por outro lado, cabe aos arquitetos e arquitetas se reconectarem com as demandas do dia-a-dia da população. É preciso ampliar o repertório de soluções, trabalhar para diferentes classes sociais, reformar mais do que construir, privilegiar soluções espaciais para além da estética material. A profissão, que ainda é vista como um serviço de exceção, agora deve se voltar cada vez mais para projetos cotidianos que valorizem a qualidade de vida das pessoas.

 

Bruno Perdigão é arquiteto e urbanista formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestre em teoria e história da arquitetura e urbanismo pelo programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo e Design, atua como professor na Unifametro.

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

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