20/05/2020 07:30
Impactos da Covid-19 na indústria da construção

A atual crise ocasionada pela pandemia mundial da Covid-19 tem afetado a economia em escala global, elevando o risco de uma séria recessão no mercado imobiliário em escala mundial. Muitas das máquinas e equipamentos eletrônicos utilizados na construção civil são importados da China (berço da Covid-19). O isolamento implica numa desaceleração de toda a cadeia produtiva, com menor produção de insumos, menor número de pessoas nos canteiros de obra, morosidade na obtenção de alvarás, licenças e demais documentos expedidos pelos órgãos públicos, diminuição no repasse de capital público e fuga do capital privado, dentre outros impactos periféricos, porém, não menos importantes.

Dados da Sondagem da Indústria da Construção de março de 2020 indicam que os impactos negativos da pandemia do novo Coronavírus já atingiram o setor da indústria da construção. O índice de nível de atividade efetivo em relação ao usual, que indica quão aquecida está a atividade da indústria da construção, recuou para 25,5 pontos. É o segundo menor valor da série e só supera os 25,3 pontos observados em fevereiro de 2016. O indicador de evolução do número de empregados registrou 39 pontos, 11 pontos abaixo da linha divisória de 50 pontos; e o do nível de atividade registrou 28,8 pontos, 21,2 pontos abaixo da linha divisória de 50 pontos, que separa crescimento e queda do nível de atividade.

De acordo com a Sondagem, a queda no emprego não acompanha, em intensidade, a queda na atividade. O motivo se deve, provavelmente, à rapidez e surpresa da queda da atividade e à reação das empresas por meio de ajustes temporários como férias coletivas, redução de jornada de trabalho e/ou suspensão do contrato de trabalho. A queda do nível de atividade em março é a mais intensa da série. As condições financeiras das empresas também pioraram, revertendo a evolução positiva dos três trimestres anteriores. Diante da atual conjuntura, os empresários demonstram queda acentuada de confiança e expectativas de baixo crescimento para os próximos meses.

Victor Hugo Fernandes é professor universitário e mestre em Administração de Empresas com pós-graduação em Engenharia da Segurança do Trabalho e em Gestão de Obras

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

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