13/05/2020 07:35
Impactos da Covid-19 na educação pública e privada

A pandemia da Covid-19, que sobrecarrega o sistema de saúde e fragiliza a economia também atinge de forma prejudicial a educação, seja ela pública ou privada. Neste cenário, escolas públicas e particulares correm para o ensino virtual e nesse contexto iniciam-se as diferenças oriundas das desigualdades sociais do País e as dificuldades da população mais carente, sobretudo aqueles que dependem da educação pública.

Enquanto para os alunos do ensino particular o acesso a tablets, computadores e notebooks é bem mais fácil, nem todos os estudantes de escolas públicas conseguem ter o equipamento. E aqueles que conseguem, nem sempre dispõem de internet para acompanhar as aulas.  O resultado é uma perda no aprendizado que acelera o déficit educacional  e que compromete a caminhada escolar do aluno.

Outro fator de dificuldade, este universal para todos os alunos, é a o ambiente de estudo. Barulho, local não propício ao aprendizado, problemas estruturais familiares, dispersão por estar em casa, fatos que  tiram o foco do estudante e prejudica seu desempenho.

O fato é que a pandemia atingiu, de forma inédita, ricos e pobres. Estes sentem mais dificuldades em adaptar-se ao novo contexto da educação; aqueles também sentem dificuldades, porém, os recursos que possuem suavizam os problemas enfrentados com esta nova realidade. Como tentativa de amenizar o impacto financeiro com a educação privada, deputados aprovaram projeto de lei que obriga escolas a fornecerem descontos nas mensalidades durante a pandemia.

É preciso que o governo garanta às pessoas de menos recursos acesso a ferramentas através da rede pública de tecnologia;  é preciso garantir aos jovens o direito a uma educação de qualidade mesmo com a pandemia - uma das maneiras seria retomar a votação do projeto de tornar o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) uma política pública permanente, haja vista que, antes, isso acontecia em caráter de medida provisória, que foi encerrada este ano. Tal política pública permanente deve, por sua vez, priorizar, sobretudo, à primeira infância, que será uma das partes mais atingidas pela pandemia, em termos educacionais. É na primeira infância que se constrói a base para o futuro, prova disso são pesquisas que apontam que, para cada 1 dólar investido na criança durante a primeira infância, esta criança traz um retorno de 7 dólares no futuro.

É necessário, acima de tudo, manter estes jovens, mesmo à distância, inseridos no contexto escolar, mantê-los em contato com seus professores, grandes incentivadores dos alunos. Seguindo estes cuidados e preparando os jovens para uma futura volta à sala de aula, com aporte de auxílio escolar e até psicológico, certamente a pandemia da Covid-19 terá consequências menores e impactos suavizados na educação do Brasil.

 

Pedro Matos é advogado, professor de direito constitucional e direito administrativo. 

 

 

 

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

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