04/05/2020 07:15
2020: pandemia da desinformação e exclusão digital
Foto: Reprodução

O século XXI é marcado pela transformação digital. A inserção da internet na sociedade ao lado do uso e aprimoramento de dispositivos digitais como os computadores e, principalmente, os celulares/smartphones tem proporcionado a nós, consumidores, um novo modo de se relacionar: seja com um amigo, uma marca, empresa.

Explanando dessa maneira, parece que a revolução tecnológica, iniciada ainda no outro século, tem proporcionado apenas coisas boas. Porém existem diversas problemáticas que podem ser trazidas para o nosso grande problema atual: a pandemia do vírus Covid-19.

No âmbito comunicacional e tecnológico, esta pandemia só reforçou o que vinha acontecendo há alguns anos em vários países, principalmente aqui no Brasil: a disseminação de fakes news (notícias falsas). Nas eleições de 2018 essas notícias ganharam uma popularidade nacional. Do começo da pandemia até o dia de hoje vários absurdos foram notificados sobre um problema sério que tem causado mortes em todo o mundo.

Mais uma questão, não tão atual assim, é a problemática da exclusão digital em países emergentes e periféricos. Estamos em 2020 e ainda existem pessoas sem acesso à internet. Apesar da evolução, no Brasil, cerca de 30% da população não está conectada, segundo uma pesquisa realizada pela TIC Domicílios e divulgada numa matéria do G1 em agosto de 2019. Outro dado interessante nesta pesquisa é que 56% das pessoas que usam a internet diariamente fazem isso pelos aparelhos celulares. Ou seja, não possuem um notebook ou computador pessoal em casa.

Essas duas informações trazem algumas reflexões que podem se associar ao momento da pandemia. A primeira delas é a falta de educação digital. A facilidade de aquisição de celulares e de conectá-los na internet proporciona uma imersão em um novo universo no qual o consumidor não precisa ser necessariamente alfabetizado, mas com certeza ele será informado de algum conteúdo, aqui é onde entram as fake news.

Dentro desse novo ambiente, cheio de “correntes do zap” não há salvação para quem é apenas um multiplicador de conteúdos que surgem aos montes de todos os lados e formas, podendo inclusive causar danos graves a quem recebe. Há também o auxílio emergencial fornecido pelo governo federal devido à desestruturação da economia no país e direcionado às pessoas mais carentes. Controvérsias a parte, a grande problemática está no fato de muita gente não saber usar o aplicativo do banco no qual o dinheiro está depositado ou de sequer saber como realizar consultas online para este serviço.

Se de um lado a Covid-19 nos traz uma onda de informações e conteúdos irrelevantes, causando medo ou qualquer outro tipo de sentimento ruim, por outro, há um total distanciamento de uma parte da população que nunca se viu inserida no meio digital, até agora.

Esta pandemia tem servido para escancarar muitas falhas que ainda existem no Brasil. Não se sabe ainda quando tudo voltará ao normal. O que podemos fazer hoje é filtrar melhor o que acessamos e torcer para que, futuramente, a inclusão digital seja um direito garantido a todo cidadão, independente da idade e condição social.

Flávio Marcílio Maia é professor substituto na Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e redator conteudista. 

 

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

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