30/03/2020 10:35
Coronavírus e os mercados globais

Nos últimos dias, a preocupação com o surto de Coronavírus se espalhando por outros países trouxe além de imensa preocupação com a saúde global, muita volatilidade aos mercados financeiros. E é absolutamente natural os investidores se questionarem. Os temores a respeito de efeitos mais profundos na economia global do que estavam previstos, levaram as bolsas internacionais a terem quedas bruscas à medida que as cadeias de suprimento se mostraram mais impactadas do que o esperado. Em função da aceleração de novos casos confirmados do Covid-19 na Europa, principalmente na Itália, além de vários casos confirmados em solo brasileiro, o nível de apreensão em torno dos impactos econômicos do Coronavírus atingiu nova alta.

Para alguns analistas de mercado, as primeiras projeções apontam que a economia chinesa reduzirá seu crescimento econômico de 6% a.a. para 5,1%, em 2020. É difícil, entretanto, prever os desdobramentos dessa perda de fôlego sobre os parceiros comerciais da China, já que a situação atual não tem precedente. Para o Brasil, a ameaça do Coronavírus impacta a economia local por meio de três canais distintos:

  1. Desaceleração da demanda global;
  2. Falta de insumos utilizados no processo produtivo;
  3. E a queda no preço internacional das commodities.

A desaceleração do crescimento global, intensificada por causa da disseminação do Covid-19, elevam cada vez mais a probabilidade de mais estímulos monetários por parte dos bancos centrais dos Estados Unidos e China. No Brasil, é importante monitorarmos também a evolução das medidas econômicas e políticas por parte do governo para que ao menos, no cenário local, possamos focar na retomada econômica e possível expansão da doença no território local. Os próximos dias tendem a continuar voláteis, e com um cenário de menor crescimento global. Recomendamos maior cautela com ativos relacionados à economia internacional, como commodities (petróleo, minério de ferro, papel e celulose) e o setor de transportes, como as companhias de aviação.

Com esta preocupação, a palavra da vez é a incerteza. E sobre essas incertezas, são três as principais:

I. A falta de previsibilidade nos próximos dados de atividade econômica por conta da doença;

II. A dúvida sobre quanto tempo o surto do Coronavírus vai perdurar;

III. E qual será o impacto no crescimento econômico no mundo.

Apesar disso, acreditamos que agora o melhor a se fazer é ter cautela, calma e aguardar mais notícias concretas sobre a evolução do vírus no Brasil e no mundo. Por isso, é de extrema importância encaixar a alocação do portfólio dentro da sua realidade, sempre buscando diversificação e proteções para momentos como estes.

Antônio Glênio Moura Ferreira é mestre em Economia e professor universitário 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

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