27/03/2020 03:45
O vírus que mata não só as pessoas, mas a arte
La Biennale di Venezia Archittecture. 

Primeiro veio o cancelamento da Feira de Milão, logo em seguida grandes museus, até Guggenheim anunciar o fechamento de suas portas e desencadear esse acontecimento em todos até chegar na maior Bienal do Mundo, a La Biennale di Venezia Archittecture. De longe, tirando a época das guerras e pós-guerras, esse é o acontecimento que mais trouxe prejuízo para o setor. O mercado da arte não é algo novo. Anualmente, movimentam-se cerca de R$ 208,3 bilhões em todo o mundo. Nos Estados Unidos, esse ramo é o segundo no pilar econômico do país. Na França, somente no ano de 2018, foram investidos cerca de 10 bilhões de euros na cultura. Seguindo a premissa intelectual, um país rico é aquele que investe em arte, e isso mostra o quanto tímido está o Brasil, apesar de estar em crescente evolução. 

Grandes nomes do país, com reconhecimento que vem ganhando internacionalmente, contribuem para o avanço. Depois dos museus fechados, galerias de todos os tamanhos, feiras, festivais tudo foi cancelado. Colecionadores perderam dinheiro em seus investimentos nas bolsas. Até pra enviar uma obra pra outro país é complexo, você não consegue mais os documentos de liberação junto ao IPHAN, pois o mesmo está fechado e também pelo fato de que a aviação praticamente paralisou em alguns lugares do mundo. Em sua essência, todo artista é um grande empreendedor, pelo fato de agregar valores estéticos ao seu trabalho que se converte em econômicos. Isso implica a mobilização de agentes culturais como museus, críticos de arte, curadores, historiadores, museólogos e especialistas da área em geral na criação de uma complexa rede de capital econômico.

A vida de artista já não é muito fácil, somos todos autônomos num país que praticamente não existe incentivo cultural, principalmente para artistas com menos de 10 anos de mercado. Aqui o caminho é o contrário, em todo canto do mundo, o que mede o valor do artista é seu currículo, qual galeria expôs, qual prêmio venceu, lugares que ele conseguiu espaço que ninguém conseguiu e por último, tempo de mercado. Estados americanos, cidades europeias e a China estão distribuindo incentivos de 5 a 15 mil dólares para que artistas residentes possam continuar trabalhando suas artes, continuar tendo o recurso ideal para deixar registrado na história esse momento, não só nos livros de história e Wikipédia, mas com imagens, instalações e poesias. Hoje o mundo está de cabeça pra baixo, sem previsão de normalidades. Esse vírus é um vilão sem máscara, a única coisa que temos contra ele, são nossas mentes criativas fazendo arte pela arte. Registrando nossos pensamentos, ideias e deixando na história um pedaço de nós nesse momento tão complicado para humanidade. 

 

Juca Máximo é artista visual, designer, escultor, ilustrador e músico. Reconhecido em mais de 20 países, ele fez exposições em galerias importantes espalhadas por quatro continentes. 

 

 

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

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