18/03/2020 10:30
A Improvável Esperança

A Esperança parece não caber em um texto que se faz de forma lógica racional dentro de um desenrolar de acontecimentos que marcam o ano de 2020 desde o seu primeiro dia. 

A total falta de projeto institucional, a cultura do ódio, da intolerância, ao corte nas áreas essenciais da educação, pesquisa e cultura, dentre o que eu poderia elencar de fatos e sentimentos que motivariam que este texto fosse pessimista, coroando pelo aparecimento avassalador do Coronavírus, que parece ter chegado de tão longe. 

Mas improvável aconteceu: o pequeno, o singelo, o que poderia parecer desapercebido fez-se maior do que tudo.  Mesmo em face de tão apocalíptico cenário, tão exposto nas redes sociais, na impressa televisiva, nos muitos grupos de wastapp e até no ainda ouvido rádio, a esperança renasce. 

A  exaustão dos médicos e de suas equipes, o canto confinado em suas varandas e janelas domésticas dos sofridos italianos que com eloquência fizeram unir um povo pela música e sentimento de coletividade, a as ações fraternais em torno de um bem comum no mundo, motivaram-me a um impulso de esperança. 

Pelo menos meste momento de reação ao medo e desorientação, nem o linguajar acompanhado pelo obscenidade gestual sempre correspondente a quem parece ter orgulho no ato e na má palavra ao não conseguir argumentar um plano que o cargo exige aqui no Brasil, parece ter me tirado, uma esperança que me fez lembra "Il Poverello, São Francisco de Assis, quando dizia, que "Apenas um raio de sol é suficiente para afastar várias sombras..."  

Sei que a qualidade de vida dos pobres e dos miseráveis em nada mudou, e sei também que o "vírus fome" mata 8.500 crianças por dia...e o pior  que existe uma vacina e esta chama-se comida mas que a distribuição de renda mantém essa morte ceifadora avassaladora.  

Tudo isso me dá motivo para fazer uma literatura pessimista, todavia, quero juntar meus joelhos aos do Papa Francisco na Igreja de São Marcelo em Roma, em pensamento e coração e pedir, na recordação da " Grande Peste" de 1522, e ser esperanço. 

Que seja agora, agora de união, para transformação, no sacrifício, no sofrimento para mudar nossas ações e pensamentos, nossas opões e apoios aos incompetentes, maus e charlatões.

Na quarentena do recinto do lar, para quem tem lar, possamos sofrer pelos que sofrem da doença que se alastra, possamos pensar nas nossas opcões políticas que provocam consequências sempre em grande escala e que implicam na vida de milhões, e que não deixemos de lavarmos as mãos, mas convardemente não como Poncio Pilatos, mas ajamos livrado-nos da sujeira, de sangue inocente e do vírus.  

E álcool gel 70 sempre! 

Vanilo de Carvalho, advogado, professor universitário, especialista em Direito Constitucional, mestre em Direito Internacional, conselheiro da Ordem dos Advogafos do Brasil, membro da Comissão Nacional do Exame de Ordem (Brasília) membro do Instituto Ph, membro da Academia Brasileira de Cultura Jurídica, Cavaleiro da Ordem de Malta (Roma), membro da Comissão de Justiça e Paz (vinculado à CNBB), escritor, analista político-social, educador jurídico.

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

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