11/03/2020 10:00
Coronatiros
Foto: Ricardo Lima/TV Cidade

Interessante o comportamento da população em relação à possível chegada do Coronavírus em Fortaleza. A procura por máscaras e luvas cirúrgicas nas lojas especializadas, a repulsa em apertar as mãos ao encontrar conhecidos e o olhar desconfiado ao ver alguém próximo tossindo ou espirrando, chama atenção.

A população chinesa, com aproximadamente 1,4 bilhões de habitantes, vem sofrendo com a propagação da doença que em 21 de fevereiro de 2020, conforme informação do Universo On-Line (Uol), somava impressionantes 2.345 mortes, ou seja, um a cada 597.000 habitantes da China morrem em decorrência do vírus. O mundo evidentemente se mobilizou, talvez por medo de uma pandemia, talvez por solidariedade ao povo chinês, não importa, seres humanos mortos merecem a preocupação de todos. É a simples e necessária preservação da espécie.

Recentemente, a Polícia Militar da cidade de Fortaleza paralisou o seu serviço para reivindicar melhoria de salários e condições de trabalho. Nestes dias, o número de homicídios na Grande Fortaleza beirou 200 pessoas. Pois bem, Fortaleza com seus 2.700.000 habitantes tem uma média de um cidadão morto a cada 13.500. As mortes por homicídio durante as duas semanas de paralisação da polícia em Fortaleza são 44 vezes maiores que as mortes por Coronavírus na China até hoje. Quarenta e quatro vezes maior!

O surpreendente é que ninguém está comprando coletes à prova de bala. Será que a barbárie foi naturalizada? É importante ressaltar que a violência não decorre da greve da polícia, mas sim da absoluta falta de políticas públicas eficientes em diversos segmentos sociais, da educação à segurança pública. A greve simplesmente mostrou o quão entregue está a cidade e os cidadãos e ninguém percebe. Ou finge que o temor ao vírus deve ser maior.

O avanço das TVs por assinatura e os serviços de streaming permitem que as pessoas escolham o que assistir. As redes sociais criam uma fantasia em cada perfil repletos de narrativas fantasiosas de sucesso, beleza e felicidade. Enfim, existe um claro distanciamento da realidade. As pessoas estão morrendo cada vez mais, vítimas da violência urbana. O que hoje chama a atenção é quem vai vencer as primárias democratas nos Estados Unidos, se o Cristiano está cada vez mais rico e famoso ou ainda o peso deste ou daquele famoso. A sociedade está cega em relação à realidade.

Cada vez mais o afastamento do cidadão comum da vida real permite a criação de células de corrupção e o desmantelo do Estado. Sim, o Coronavírus merece atenção, mas o real e preocupante problema é o “coronatiros”.

Prof. Me. Fernando de Lima Almeida é professor universitário, doutorando em Direito Civil e mestre em Planejamento e Políticas Públicas.

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

 

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