02/03/2020 10:00
O pedagogo e o ensino de Matemática: uma relação de entrave e resistência

A Matemática é uma área de conhecimento que está presente nas ações do nosso cotidiano, por exemplo, ao estimarmos o tempo que necessitamos para chegar a um local, calcularmos quanto de dinheiro receberemos em um troco, modificarmos o local de objetos/móveis em um ambiente etc. Em contrapartida, a Matemática é vista como uma disciplina difícil e de grande rejeição por parte dos alunos que cursam Pedagogia. Isso se dá, muitas vezes, pelas histórias de vida e experiências ruins que trazem da época escolar na Educação Básica. 

É comum no início da disciplina ministrada no Curso de Pedagogia que aborda conteúdos e métodos para o ensino de Matemática, os alunos relatarem fatos e situações, por vezes, traumatizantes, envolvendo conteúdos e/ou professores de Matemática. Nesse sentido, faz-se necessário criar momentos de reflexão para que os futuros pedagogos possam perceber as lacunas que existem em sua formação no contexto das aprendizagens matemáticas; e as implicações que isto pode causar na docência, principalmente, se forem atuar como professor polivalente nos anos iniciais. 

O pedagogo tem um leque de opções de atuação no mercado de trabalho, sendo uma delas a mais comum: a atuação em sala de aula, desde a Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental. Nesse contexto, o professor-pedagogo precisa sentir-se preparado para lecionar os conceitos matemáticos básicos presentes nas séries citadas. 

Diversas pesquisas no âmbito das práticas pedagógicas de professores que ensinam Matemática apontam para a forma descontextualizada que a disciplina é tratada na escola, apenas para aprender a calcular, geralmente, através de fórmulas prontas, caracterizando uma aprendizagem pelo caminho da reprodução de procedimentos e da acumulação de informações. Este tipo de prática vem sendo criticada desde a década de 1990 pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) apresenta-se como um documento normativo que aponta os rumos que cada componente curricular deve seguir, através de competências e habilidades mínimas a serem desenvolvidas nos alunos. Na área da Matemática, este documento aponta oito competências básicas; e para cada objeto do conhecimento, uma série de habilidades que tem um caráter de progressão das complexidades ao passar das séries. Acredita-se que com essa orientação mais clara e objetiva, a formação inicial, assim como a formação continuada, poderá ser mais efetiva e o professor terá mais clareza para aprimorar sua prática docente de Matemática. 

As avaliações externas aplicadas no país têm revelado que o processo ensino-aprendizagem das crianças se concretiza de forma precária. Os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) têm evidenciado que o aprendizado em Matemática na Educação Básica está abaixo do que seria aceitável, demonstrando que os alunos encontram-se em níveis críticos ou muito críticos de proficiência. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a taxa de distorção idade-série, a escolaridade da família e a formação deficitária do professor são apresentados como elementos que têm estrita relação com os baixos índices do país. 

Nesse sentido, percebe-se que a vinculação entre os problemas referentes ao ensino de Matemática e os processos de formação – inicial e continuada – do professor já têm uma longa história. Faz-se necessário, portanto, promover questionamentos ainda na formação inicial do pedagogo sobre o ensino de Matemática para que as lacunas existentes apareçam e sejam sanadas ou diminuídas. É preciso estar claro para o professor da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental que competências e habilidades precisam ser desenvolvidas nos alunos de determinada faixa etária, compreendendo o importante papel que a Matemática pode desempenhar na formação integral dos estudantes na Educação Básica. 

Bárbara Pimenta de Oliveira é mestra em Educação e professora universitária. 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

 

 

 

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