24/02/2020 10:00
As Redes (Anti) Sociais

Não digo impossível, mas chego muito perto. Então vamos para um ¨quase impossível¨ é a composição do tecido social da nossa realidade atual e, imagino que, futura, sem a pertença as redes sociais.

Nossa identidade, nossa busca de informações, de trabalho e de toda sorte de relações passam por elas. Fomos engolidos por vontade e mesmo sem vontade.

Caminho sem volta assim como se desenvolveram tantos outros na história da humanidade. As relações todas transformaram-se, desde as negociais até as amorosas. Essas e quase todas outras perpassam pela virtualidade. O ¨Doutor Angélico¨ Santo Tomás de Aquino afirmou: "O homem é, por natureza, animal social e político, vivendo em multidão"! De tal forma que somos também a multidão em que vivemos e como tal, dentro dela, nos relacionamos. Portanto, também somos, o que manifestamos nas redes.

Muitas são as vantagens que as redes sociais proporcionam: Experimentamos o prazer de conversar de forma instantânea com alguém e de lugares mais distantes; lançamo-nos na busca um novo emprego através de um networking visando objetivos profissionais; aventuramo-nos ao encontro de novas pessoas, querendo ou não firmar amizades.

Mas como tudo na vida, um outro lado da moeda sempre existe, e o vício se apresenta muitas vezes em potencialidade superior ao oposto virtuoso poeticamente sonhado. O elencado de doenças sociais é vasto, em um país onde a fake news alcançou, como mecanismo de acesso ao poder, níveis inimagináveis. Mas, parece-me, que a maior transformação deu-se na esfera do julgamento, ou melhor, do julgador. Todos, capacitados ou não, tornaram-se, ou tomaram-se do direito e com direito de julgar tudo, especialmente na categorização de quem quer que seja, referenciado-se em si próprios ou mesmo e mais ainda na fantasia de si próprios.

O julgamento é implacável, e por maioria das vezes injusto e na absoluta da vezes sem permissão. Independentemente das consequências, longe de qualquer conflito ético, contra a razão lógica, e inatingível até pela legislação formal. Os consagrados direitos da privacidade, da dignidade da pessoa humana e por que não dizer da vida, foram e são violentamente e vulgarmente assolados pela fúria covarde de uma dimensão enfumaçada do cruzamento de sentimentos que desenham, neste sentido, as redes (anti) sociais. Essa dimensão não é metafísica, não é etérea, ela tem uma fonte concreta. Se não se revela de uma verdadeira inclinação para a prática do bem, é porque não existe vontade para isso! Confirma-se além das letras, o incomparável Aristóteles: "somente existe virtude quando há vontade¨.

Vanilo de Carvalho, advogado, professor universitário, especialista em Direito Constitucional, mestre em Direito Internacional, conselheiro da Ordem dos Advogafos do Brasil, membro da Comissão Nacional do Exame de Ordem (Brasília) membro do Instituto Ph, membro da Academia Brasileira de Cultura Jurídica, Cavaleiro da Ordem de Malta (Roma), membro da Comissão de Justiça e Paz (vinculado à CNBB), escritor, analista político-social, educador jurídico.

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

19/02/2020 11:00
A importância e o impacto de uma Controladoria Jurídica

A competitividade empresarial tem envolvido, atualmente, vários segmentos antes alheios aos movimentos de mercado. A concepção de uma sociedade de advogados como empresa já é ideia que acompanha o ramo há alguns anos, especialmente da advocacia corporativa, incrementada, contudo, com os avanços da tecnologia da informação. Nessa linha, os escritórios de advocacia estão a cada dia mais adeptos a ter internamente um setor específico chamado de Controladoria Jurídica. 

O Departamento, garante a rapidez, a qualidade e a organização necessárias para a prestação dos serviços jurídicos de forma eficiente.  Para acompanhar as evoluções e mudanças da era digital, ter a Controladoria Jurídica implementada garantirá à banca de advogados o efeito positivo na metodologia funcional do escritório de advocacia. 

É certo que o nível de exigência dos clientes só aumenta, forçando os profissionais e grandes bancas a se pautarem às normas e riscos que submergem os negócios jurídicos, que no mundo globalizado são tratados igualmente como empreendedores.

Apresentar uma Controladoria Jurídica é uma alternativa inteligente em meio à concorrência, contudo, para que todos os procedimentos sejam devidamente seguidos e o escritório consiga alcançar o sucesso na operação, é indispensável a figura do Controller. Ter perfil de liderança e saber gerenciar pessoas é indispensável, já que o Controller Jurídico terá a árdua tarefa de organizar integralmente os fluxos, fazendo-os funcionar com fluidez, ao mesmo tempo que gerencia todas dados do escritório e dos clientes. 

É o Controller, juntamente com sua equipe a depender do tamanho do escritório, o responsável por dar o tratamento adequado à todas as informações. Ele atuará com excelência nos processos operacionais, implementando de forma multidisciplinar na estrutura empresarial um conjunto de estratégias, políticas e regras que serão o norte e terão cunho preventivo para possíveis precipitações no negócio.

Assim, conclui-se que a Controladoria Jurídica é a área responsável por absorver todos detalhes burocráticos das tarefas técnicas administrativas, ao mesmo tempo que desempenha também um papel estratégico, pois é ela que trata e gera dados essenciais para tomadas de decisões dos Sócios Diretores.  Com deliberações mais assertivas, fluxos bem alinhados, adotando-se uma linguagem mais acessível, garante-se ao escritório de advocacia um bom posicionamento no mercado, eleva-se o nível da atuação de todos os pilares que o compõem e avaliza os melhores arranjos, sempre alinhados aos objetivos esperados pela alta gestão.

Tatiana Hortêncio Lima, formada em Direito pela Universidade de Fortaleza, pós-graduada em Direito e Processo do Trabalho pela Universidade Anhanguera - Uniderp, além da expertise na área trabalhista, tem experiência na implantação, reestruturação e coordenação de Controladorias Jurídicas de escritórios de advocacia.

 

 

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17/02/2020 10:00
Softwares de gestão empresarial

A pluralidade de atividades necessárias ao funcionamento de uma empresa demanda organização e comprometimento no sincronismo das inúmeras tarefas internas, a fim de evitar desencontros de informações que podem resultar em perdas de toda sorte. Daí entram os avanços tecnológicos, harmonizados com a dinâmica desse cenário, para facilitar o controle administrativo empresarial por meio de softwares de planejamento centralizado.

Com essa visão, empreendedores desenvolveram o software Enterprise Resource Planning (ERP), no Brasil também chamado de software de gestão empresarial. O ERP tem a função de racionalizar os diversos processos internos da empresa, sincronizar a informação entre os setores e permitir a atualização de dados em tempo real. Essa função é exercida em seus módulos, cada qual ajustado a departamentos específicos, que podem ser inclusive personalizados à realidade de dada empresa.

O controle de uso desse ERP geralmente se dá por um sistema de concessão de licenças. Em brevíssimas palavras, cada módulo dentro do sistema deve ser acessado por um usuário devidamente licenciado. As licenças são remuneradas por taxas, geralmente pagas anualmente pela empresa.

Apesar de certos players que lideram o mercado, a variedade desenfreada de aplicativos desenvolvidos hoje por terceiros em um mercado assinalado pela proliferação de startups de tecnologia, cria concorrência na cobertura de certas tarefas específicas do cotidiano da empresa, para as quais surgem produtos oferecidos por valores mais acessíveis.

Por conta da centralização que o ERP exerce sobre os dados da empresa, muitas vezes a execução das funcionalidades desses aplicativos de terceiros dependem da sua integração com a base de dados criada pelo ERP, da qual extraem conteúdo. Se determinado aplicativo de terceiros, a título de exemplo, propõe-se a facilitar a coleta remota de pedidos de compras, ele possivelmente acessará a base de dados do ERP para consultar informações acerca do estoque.

A fim de resguardar a propriedade intelectual do seu ERP, os desenvolvedores determinam contratualmente que o acesso ao software só pode ser realizado por usuário licenciado, seja a pessoa física do usuário, seja outro software que atua nessa função. O desrespeito a essa regra, que geralmente passa despercebido pelas empresas, pode lhe atrair cobranças expressivas calculadas em auditorias que são realizadas de tempos em tempos pelos desenvolvedores. Até alguns anos atrás, quando identificavam o acesso ao ERP por softwares de terceiros, os desenvolvedores cobravam da empresa uma licença específica relativa a tal acesso, como se o software usuário o fosse.

Alguns desenvolvedores, recentemente, modificaram seus termos gerais de uso para incluir a chamada licença de acesso indireto, que permite o acesso de aplicativo de terceiros, e até mesmo de máquinas, sensores, chips e dispositivos, ao ERP. Em suma, o acesso indireto, também conhecido como Digital Access, não mais passaria a gerar cobrança de licença adicional, como se um usuário estivesse acessando o ERP, mas sim um valor específico por cada documento gerado por esse acesso. Esses documentos gerados são classificados contratualmente com base no seu conteúdo, como por exemplo documentos financeiros, documentos de vendas, etc. No exemplo evocado anteriormente, todo o acesso que o aplicativo de terceiros realizaria na base de dados do ERP, e que geraria um documento de estoque, resultaria na cobrança de taxa individualizada por documento.

Toda essa celeuma tem sido alvo de relevantes discussões jurídicas, no Brasil e/ou no exterior, seja em cortes judiciais ou em tribunais arbitrais, que questionam a legalidade da cobrança feita pelos desenvolvedores por conta do acesso de aplicativo de terceiros à base de dados criada dentro da empresa. Propriedade intelectual, direito autoral, concorrência desleal, livre mercado e autonomia privada, são apenas alguns dos institutos jurídicos provocados nessas discussões.

A fim de mostrar o peso dessas discussões, é possível citar o caso SAP UK Ltd versus Diageo Great Britain Ltd, submetida em 2017 à Alta Corte de Justiça da Inglaterra, na qual a SAP cobrava da Diageo aproximadamente £54m de taxas de Digital Access. Além dessa discussão, em 2018 foi iniciada disputa arbitral perante a American Arbitrarion Association, instituto de arbitragem nos Estados Unidos, entre a Anheuser-Busch (AB) InBev e SAP America Inc, que encerrou com acordo entre as partes de aproximadamente US$ 600m.

Diante de controvérsias existentes, internacional e nacionalmente, e de evoluções tecnológicas dos softwares utilizados no dia-a-dia de cada empresa, é de fundamental importância avaliar os termos assumidos na contratação de qualquer base tecnológica que se vincule ao respectivo ERP, independente do desenvolvedor.

 

Bruna Luiza Gaspar é advogada especialista em assessoria jurídica na área do Direito Digital. Atualmente está na Martinelli Advogados.

 

 

 

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12/02/2020 10:00
A lição do país das startups

Tentar entender Israel de longe, na perspectiva de país, considerando sua extensão territorial e número de habitantes, é limitante. Difícil para nós brasileiros o entendimento sobre como um território localizado no Oriente Médio, com área total de pouco mais de 20.000 km2 de extensão, tamanho aproximado ao do estado de Sergipe; com 9 milhões de habitantes, consegue aplicar uma cultura de inovação tão poderosa a ponto de atrair as empresas mais importantes do mundo para si e figurar entre as nações mais desenvolvidas do mundo economicamente.

Para se ter uma ideia, cerca de 7 mil startups são desenvolvidas e negociadas no país anualmente, resultando em soluções e negócios replicados mundo afora, o que torna Israel, hoje, "a nação das startups". Foram os israelenses os responsáveis por tecnologias comuns ao nosso dia a dia. O waze, aplicativo que revolucionou e tanto facilita o nosso deslocamento, é um exemplo. O tomate - cereja, comumente visto nas prateleiras dos supermercados, também nasceu em Israel, a partir da experiência de geneticistas botânicos, para não citar outros tantos exemplos. Visitando o país e grandes empresas lá sediadas, como a Microsoft, que inclusive mantém lá um centro de pesquisas, pude constatar que Israel é, sem dúvida, um local que pensa e cria o tempo inteiro. É fato. Entretanto, o grande segredo está no propósito de tudo o que é criado: melhorar a vida das pessoas através da tecnologia. Eles simplesmente encontram o problema e criam a solução para esse problema.

A cultura da necessidade, a qual eles estão acostumados por fatores históricos, dadas as suas condições geográficas, escassez de recursos naturais, conflitos territoriais e religiosos, o tornou um local propício para o empreendedorismo. E esse processo se tornou natural, um verdadeiro propósito para os israelenses. Facilitar a vida da população vem acima do lucro, inclusive. Porque tudo, de fato, acontece a partir da descoberta de um propósito. Um exemplo para países, empresas e pessoas. Fica a lição.

Patrick Lima é CEO do Grupo CSI.

 

 

 

 

 

 

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10/02/2020 10:00
Seja um líder, não um chefe

É fácil dar ordens. Dizer o que os subordinados devem fazer chega a ser cômodo. O gestor que atua “de cima para baixo” é uma das figuras mais comuns do mundo do trabalho. Aquele que manda, cobra, critica, quer resultados. No contexto moderno, no entanto, uma figura tem ganhado espaço e força e se tornado referência para bons gestores: o líder. Qual a diferença entre os dois? Muitas.

De maneira simples, o chefe sempre foi aquela figura autoritária, muitas vezes intransigente, focada em resultados e lucros. É o tipo de gestor que faz a equipe trabalhar de acordo com sua própria visão e seus desejos, não levando em consideração variáveis humanas, por exemplo. É um tipo de gestão mais engessado. O líder, por sua vez, consiste no gestor que sabe utilizar da melhor maneira os talentos de seu time. Ele não manda fazer, mas ensina como e até faz junto, inspirando e motivando a equipe. Além disso, o líder sabe ouvir seus comandados e também aprende e melhora com eles.

Como já disse Mário Sergio Cortella, “a um chefe você obedece, um líder você segue, procura e admira”. E é nestas particularidades que reside o grande destaque do líder: ele é uma figura que serve de exemplo e referência para seus comandados, o que lhe confere respeito e autoridade, muito mais do que o chefe. Enquanto o chefe fala em “eu”, o líder falar em “nós” – ele também se faz parte da equipe, sem distanciamentos ou barreiras hierárquicas – embora, claro, ainda haja o respeito necessário à relação trabalhista.

Para ser um bom líder, é necessário, antes de tudo, desconstruir a noção de que um cargo de gestão é uma posição de poder. Pelo contrário, deve ser encarado como uma missão mais profunda. Liderar não é fácil, é bem verdade – apenas “mandar” é muito mais cômodo –, mas traz resultados muito melhores e mais consistentes. Uma equipe que trabalha motivada, e sem grandes pressões e cobranças, tende a dar o melhor de si e entregar mais valor à empresa. Também há menos rotatividade e possíveis afastamentos por estresses, bem como menos conflitos internos. Na difícil tarefa de liderar, o gestor deve saber ouvir, estar próximo de seu time, orientar, dar feedbacks e saber recebê-los também. Uma liderança é, no fim das contas, uma construção coletiva.

Se pararmos para observar as grandes figuras de destaque da história da humanidade, veremos que todas foram ótimos líderes: pessoas que souberam inspirar, motivar e que, acima de tudo, foram exemplo. A liderança, quando bem desenvolvida, sempre deixa um legado, uma lembrança, uma saudade. É a marca que se deixa por uma passagem de destaque pela vida.

Janguiê Diniz é presidente do grupo Ser Educacional

 

 

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05/02/2020 09:15
Alienação Voluntária
Imagem: Reprodução

Cada vez encontro mais pessoas que assumem que estão a um passo da alienação voluntária. Que abstraíram-se ou estão seletíssimas no que ouvem e leem. São aqueles que outrora eram "politizados", que opinavam e se colocavam.

Não que deixaram de ter opinião, mas simplesmente não querem mais emiti-las. Cansaram. Uma aparente desistência. Estão dentro de suas casas e nas casas dos seus, comunicando-se através de uma linguagem própria, como que concluindo: não tem mais jeito.

As justificativas são variadas: desilusão com a política institucional, decepção com os que diziam ser o governo do povo combinado com o susto do crescimento de figuras e posturas de um conservadorismo podre defendido até gente de convívio próximo, dentre outras tantas.

A violência real que mata uma geração e coloca o Brasil com números de homicídios comparáveis a países em guerra, sela a opção destes novos alienados, mas agora por vontade própria. Até um acréscimo no número de casos de suicídio percebemos, e o pior que entre os jovens, esperançosos naturalmente.

Essa indiferença talvez seja a mais cruel face da crise de toda ordem que vivemos, porque resulta de um pensamento lógico construído e conclusivo.

Os filósofos do pessimismo tomam vida mais uma vez através do seu pensamento que se faz presente. Thomas Hobbes está em alta: "O homem é o lobo do homem, em guerra de todos contra todos." Como não, em várias situações cotidianas no Brasil de hoje, concordar com esse inglês do século XVII? E o Schopenhauer que entende que "O mundo é a minha representação." e de tal forma denuncia que neste mundo de representação as coisas têm existência meramente relativa. E ainda podemos citar o Doutor da Igreja Santo Agostinho, ao compreender que o fundador da Cidade Terrena foi o fraticida Caim, e, portanto, por aqui, não temos jeito a dar porque o vício impera. O que mais nos resta? De onde fazer renascer a esperança? Da arte! Mas até a arte está na mira do conceito monopolizador. Todavia,  ela, a arte, resiste bravamente, nem que amargamente, entre poucos, aqueles poucos, que declamam com a melancolia poética de Augusto dos Anjos: "Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja."

Vanilo de Carvalho, advogado, professor universitário, especialista em Direito Constitucional, mestre em Direito Internacional, conselheiro da Ordem dos Advogafos do Brasil, membro da Comissão Nacional do Exame de Ordem (Brasília) membro do Instituto Ph, membro da Academia Brasileira de Cultura Jurídica, Cavaleiro da Ordem de Malta (Roma), membro da Comissão de Justiça e Paz (vinculado à CNBB), escritor, analista político-social, educador jurídico.

 

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03/02/2020 02:21
Munições: Autodefesa ou Ameaça?
Foto: Reprodução

Em 2003 o Congresso aprovou o Estatuto do Desarmamento. A lei permite a posse responsável de arma, e até o porte, desde que se comprove "real necessidade". Estabelece a marcação da munição comprada pela polícia e pelas Forças Armadas. Em 12 anos, o Estatuto salvou a vida de 197.202 brasileiros (IPEA), "a mais importante medida tomada na redução de homicídios no Brasil" (ONU).

Apesar dos resultados formidáveis, o governo declarou que "o Estatuto não funcionou" e começou sua demolição. Como 70% dos eleitores são contra o porte de arma (Datafolha), e o Congresso não se dispunha a revogar uma lei que deu certo, o governo passou a baixar decretos. Antes, a regulamentação do Estatuto havia incorporado minha proposta de limitar a compra em 50 balas por arma, por ano, mais que suficientes para autodefesa (para treinar, usa-se a munição do clube). Pois o governo acaba de quadriplicar o limite, aumentado para 200 balas. Se é um atirador esportivo, pode comprar 180 mil balas por ano. Um excesso que muitos venderão para o crime organizado, como comprovou a CPI das Armas de 2006, ou será roubado.

As próprias entidades dos atiradores têm criticado esse descontrole. A Câmara aprovou que os 350.683 CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores) portem armas. Para fugir à lei, milhares de indivíduos que querem andar armados estão se registrando como CAC. Dessa forma, atiradores compraram em 2019 tanta munição quanto a totalidade das polícias do país comprou: 32 milhões de balas! (Exército Brasileiro). O mais grave é que essa munição, por não ser marcada, não pode ser rastreada. Está pronta para ser vendida para milicianos e traficantes.

Nossa esperança se volta para o Senado, que há de fazer valer a vontade da ampla maioria do povo e derrubar essa marcha da insensatez.

Com um debate sobre a política de armamento do governo, estou lançando meu novo livro "Armas para quê?" em Fortaleza, no sábado, dia 8, na livraria Cultura. Estão todos convidados!

Antônio Rangel Bandeira é sociólogo, ex-consultor da ONU e autor de de Armas para quê? (Editora Leya, 2019)

 

 

 

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31/01/2020 05:05
Trânsito seguro é responsabilidade de todos
Foto: Kaio Machado/PMF

Milhares de vidas são impactadas pelos acidentes de trânsito contabilizados anualmente em nosso país. A violência no trânsito é responsável pela terceira maior causa de óbitos no Brasil, ficando atrás apenas das mortes decorrentes de doença do coração e do câncer. São ocorrências  que muitas vezes poderiam ser evitadas caso os condutores fossem mais conscientes do seu papel nas ruas. Entre as principais causas dos acidentes de trânsito está a imprudência, como dirigir em alta velocidade, alcoolizado ou usando o celular.

Em  2018, 216 pessoas morreram em acidentes de trânsito somente na capital cearense, de acordo com o Relatório do Observatório de Segurança Viária de Fortaleza. Isso sem contar as pessoas que ficam com lesões incapacitantes, afastadas de suas atividades laborais e privadas do pleno convívio social.

Há ainda um número grande de pessoas que insiste em dirigir sem habilitação. Esses condutores não passam pelo treinamento oferecido pelas Autoescolas, que promove a conscientização acerca da prevenção, segurança e valorização da vida no trânsito. Durante um curso de primeira habilitação, o aluno tem acesso aos necessários conceitos de cidadania, direção defensiva e legislação, que são fundamentais para uma participação segura no trânsito. Quem passa por um Centro de Formação de Condutores adquire, no mínimo, uma visão crítica desse cenário e tende a participar dele não apenas como condutor, mas como cidadão.

Para muitos, a Autoescola é a única possibilidade de estabelecer contato com a educação no trânsito de forma efetiva. Daí a importância dessa imersão. É no curso de Formação de Condutores que o candidato à primeira habilitação recebe todas as orientações capazes de despertar nele os requisitos necessários para que seja um condutor responsável e atento às leis de trânsito. Tornar o trânsito mais seguro depende de vários fatores, mas o principal é a conscientização de todos. A adoção de comportamentos mais responsáveis deve partir dos condutores de veículos automotores, de ciclistas e de pedestres. Afinal, nós somos o trânsito!

José Eliardo Martins é presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores de Veículos do Estado do Ceará (SindCFCs). 

 

 

 

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31/01/2020 04:09
Que filhos estamos deixando para o mundo?

A pergunta do título pode parecer estranha mas é, na verdade, a que melhor se contrapõe a um questionamento de senso comum, principalmente nas últimas décadas: “que mundo estamos deixando para nossos filhos?”.

Esta última, se refletirmos bem, é uma forma de mascarar nossa postura megalomaníaca e temerosa perante a vida, pois sempre estamos tão preocupados com as incertezas e indeterminações do futuro. Ela nos coloca em uma posição de passividade, muitas vezes por nos sentirmos impotentes diante do tamanho do desafio que nos é imposto: Que mundo estamos deixando para nossos filhos? A perversão dessa pergunta, é que ela distorce a ordem natural das coisas.

Esse questionamento nos dá licença, muitas vezes, de restarmos passivo ante a demanda necessária de mudar o mundo. De tão vasto, sentimo-nos incapazes e sem poder para transformar a realidade existente. Sendo assim, a questão nos permite assumir, mesmo sem perceber, a postura “bem intencionada” de intelectual crítico, passando apenas a culpar a tudo e a todos pelas desventuras do mundo, e abrindo mão do poder transformador da ação.

Mas quando nos perguntamos “Que filhos estamos deixando para o mundo?” trazemos para perto, para nós, a responsabilidade tácita e real de que o poder de mudança está sim nas nossas mãos. Nos tornamos sujeitos capazes de transformar a realidade a partir das pequenas ações do dia a dia.

É através da vivência do amor e do exemplo diário, que podemos transformar o nosso mundo e não o contrário. O processo de educação dos filhos ocorre através do exercício do cuidado, virtude que cria condições para relações dialógicas e livres para amar, conhecer e compreender a si e ao outro, reconhecendo o ritmo e a individualidade de cada um. Como diz o psicanalista, filósofo e sociólogo alemão Erich Fromm: O cuidado é preliminar ao amor!

Luciano Esmeraldo Melo é especialista em desenvolvimento de pessoas, educação corporativa, otimização comercial e sócio da Parceria Consultores.

 

 

 

 

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