01/06/2020 07:30
Inovação 4.0: A nova era da inovação acelerada pela crise global

A inovação consiste em novas ideias que são implementadas com sucesso econômico e geração de valor para o cliente e para a empresa. Podem ser inovações em processo, produto, gestão ou modelo de negócio, ou também incrementais, quando alteram pouco a forma como as coisas são feitas, ou radicais. Ainda, podemos dizer que são disruptivas quando atingem novos mercados. Independente do tipo ou da classificação que assumimos, é natural que a forma de fazer a inovação acontecer nas grandes empresas tenha acompanhado a história do desenvolvimento da indústria.

Hoje, chamamos de Indústria 4.0 o processo de renovação das cadeias produtivas a partir de tecnologias que permitem um ganho transformacional, ou seja, novas performances que superem em 5 vezes, ou mais, o processo atual. Tecnologias como impressão 3D, inteligência artificial, internet das coisas são exemplos. A Indústria 4.0 também possibilita uma gestão mais fácil e inteligente.

Dentro deste contexto, o termo Inovação 4.0 reconhece um momento que demanda novos processos de gestão da inovação. Esses novos processos já têm emergido silenciosamente nos últimos anos, mas a crise causada pela pandemia no mundo fez com que muitas barreiras à inovação caíssem, forçando as empresas a correrem mais riscos.

As empresas que hoje estão focadas em um processo de sobrevivência mais proativo (criando novos produtos ou canais por exemplo) ou que estão engajadas em processos colaborativos de combate à pandemia (como a mudança em seu processo produtivo para fabricar insumos hospitalares), estão intensificando sua capacidade criativa, sua flexibilidade e desenvolvendo novas habilidades que são as alavancas para acelerar sua capacidade de inovar.

Para entender o que é a Inovação 4.0, é preciso que esse conceito evolua e amadureça com a contribuição de empresas, academia e todos os envolvidos no processo. Ainda assim, vale registrar algumas características que são ponto de partida para compreender a profundidade dessa mudança:

Colaboração
O nível de colaboração no processo de inovação vem aumentando fortemente desde que começamos a falar de Inovação Aberta, mas nos últimos anos a tecnologia possibilitou isso de forma mais sistemática. As startups tiveram um papel fundamental neste processo. Além disso, tivemos uma mudança de comportamento nos times de inovação das empresas, influenciados com a entrada de uma nova geração muito mais aberta e colaborativa. Hoje temos empresas mais abertas a co-desenvolver, a envolver o cliente no processo, a incorporar uma grande variedade de competências externas para viabilizar a inovação.

Descentralização
A inovação, que antes era um trabalho designado aos Centros de Pesquisa das grandes empresas, é hoje esperada de todos os departamentos e áreas. Quase todas as empresas colocaram a inovação no centro de suas estratégias, principalmente devido ao movimento de Transformação Digital, que trata não só de digitalizar a forma como as coisas são feitas, mas de assumir uma cultura e um pensamento "digital" sobre o negócio. Um pensamento que provoca a utilizar a tecnologia para ganhar escalabilidade, produtividade, inteligência. Uma transformação, que, quando vigorosa, se dispõe a mover a empresa para novos mercados, novos negócios.

Esse processo obriga a empresa a repensar o que faz e como faz, engajando todas as áreas em uma busca por novos processos. Os programas de intraempreendedorismo são um excelente exemplo e caminho: eles abrem recursos, definem processos e dão condições para que times diversos (em áreas e níveis hierárquicos) gerem e implementem suas ideias sob o olhar atento e interesse da mais alta hierarquia da empresa, gerando resultados inquestionáveis quando a organização consegue criar o ambiente adequado.

Uso inteligente de dados
Uma gestão onipresente está para nascer dentro das empresas, que observa de forma precisa a "jornada de inovação" (o processo desde o momento do nascimento de uma ideia, até a apuração dos resultados e estratégias de retroalimentação). Hoje, ainda temos desafios em estabelecer e monitorar os indicadores diversos relacionados à inovação.

Quantas ideias a empresa gerou esse ano? Quantas ela conseguiu implementar? Quais são os resultados gerados e previstos para esses projetos? O custo de responder estas perguntas hoje é enorme, mas com um pouco mais de tecnologia em gestão, podemos criar esses caminhos. Quando saímos do tema específico de gestão da inovação para uso de dados de forma mais abrangente, conseguimos apontar a direção das mudanças necessárias a partir de dados mais consistentes.

Cultura
Uma vez que a inovação é esperada em todas as áreas, a gestão dela deixa de ser processual e passa a ser cultural - o que já era previsto por alguns teóricos da área. A cultura determina o que é considerada a forma certa de fazer as coisas. Se dar ideias e tentar novos caminhos para melhorar a performance não for um elemento compartilhado, é de se esperar resultados medianos e processos de inovação cheios de obstruções.

Trabalhar a cultura já é elemento chave na maior parte das empresas e gestores de inovação. O que ainda precisa ser entendido é como sistematizar esse desenvolvimento, criar metodologias e direcionar efetivamente a cultura para que a inovação se torne "natural" assim como as práticas que a viabilizam.

Ousadia
Esse processo também tem sido acelerado nos últimos meses a partir do cenário da crise gerada pelo coronavírus. Quando o mais arriscado é não fazer nada, muitas empresas têm se movimentado muito além de sua zona de conforto, amplamente apoiada por seus colaboradores, seja pelo sentimento de engajamento que as tragédias podem gerar, seja pelo desejo de finalmente romper as barreiras que seguram seu potencial. Esse processo deixa um legado para o amadurecimento da cultura de inovação representado pelo novo perfil de liderança, com características empreendedoras e também pelas histórias de sucesso em inovação que a empresa pode contar.

O cuidado nesse salto deve ser para gerar aprendizado verdadeiro a partir do sucesso ou do fracasso dos projetos, de forma que a organização entenda que elementos podem ser replicados em experiências futuras e não crie "traumas" a partir de projetos que não deram certo.

Impacto
Nos últimos anos, o cenário de investimento de impacto tem se tornado mais e mais relevante. Investidores de todo o mundo tem trazido mais consciência para seu capital, direcionando grandes fortunas a projetos que geram resultado financeiro e também benefício sócio-ambiental, por exemplo. São fundos de investimento de impacto, investidores anjo, organizações não governamentais que estão mobilizando capital para criação de valor que alcançam gerações futuras.

Isso chega a grandes empresas através da pressão de investidores para uma prática mais sustentável, que não a coloque em risco em curto-prazo, e também do cliente que vai se tornando mais exposto aos debates que aumentam suas expectativas quanto à atuação das empresas. Esse movimento, que já está acontecendo, faz com que a estratégia de inovação da empresa incorpore rotas de impacto em um ciclo muito positivo para o mundo.

Todas as características listadas estão relacionadas à uma postura humana frente à tecnologia disponível para o trabalho. Não é a tecnologia em si que faz a inovação evoluir, mas o uso e entrelace dela com os processos inerentemente humanos da gestão e da tomada de decisão. A Inovação 4.0, ao meu ver, é um momento em que a inovação passa a ser guiada e conduzida por novos paradigmas. Certamente outros direcionadores serão descritos e muitas novas práticas estão por nascer a partir deles. Vamos abrir os olhos e nos tornar mais sensíveis para como as mudanças do mundo estão transformando a forma de fazer inovação e para o que ainda está por vir.

 

 

Renata Horta é sócia fundadora e Diretora de Produto da Troposlab.

 

 

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

29/05/2020 07:30
Qual a voz que prevalece?

Um apreciador de música clássica reconhece uma sinfonia de Tchaikovsk ou um prelúdio de Chopin nem que seja num elevador lotado e barulhento. 

Um leitor contumaz reconhece um trecho de um livro do Dostoiévski ou uma citação da poesia lúcida da doceira Cora Coralina mesmo fora do contexto literário. 

Uma mãe zelosa reconhece um grito  de dor de um filho quando cai e se machuca mesmo que ele esteja no burburinho junto à muitas outras crianças. 

Um cachorro ouve o dono de longe e se alvoraça quando o “pai” está chegando ao seu encontro mesmo sem o ver. 

O Evangelho de São João no seu capítulo X, apresenta este versículo  “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem”, referindo-se, metaforicamente, a um pastor no seu redil. 

Seguindo essa lógica nos reconhecemos, bem como aos outros, através da voz que seguimos, como se fosse a nossa própria língua e não um língua estrangeira. 

Aqueles que desvalorizam sem escrúpulos as mulheres contribuindo eficazmente com o aumento real do número de estupros e feminicídios, aqueles que advogam a queimada da Floresta Amazônica e outros ecossistemas sem a preocupação com o meio ambiente, aqueles que invadem as terras ancestrais dos povos indígenas mesmo que ilegalmente matando a queima-roupa caciques e lideranças da floresta, aqueles que tratam os negros com expressões humilhantes, aqueles que desprezam os LGBT’s com maldade e arrogância, aqueles que usam o nome de Deus em vão na mesma linha de pastores evangélicos que vendem tijolos, canetas e máscaras ungidas enganando os pobres, aqueles que são agressivos em gestos, descontroles e uso inapropriado de palavras do mais baixo calão, aqueles que desconsideram as mortes e o sofrimento de milhares de brasileiros, aqueles que deliberadamente minimizam a tortura e desdenham dos princípios democráticos, todos estes já nos respondem o que nem precisamos perguntar: a quem ouvem? Estes grupos, são lobos (homens de bem, na expressão deturpada de hoje), em pele de cordeiro, estes por vezes nossos conhecidos já dizem expressamente quem são e a voz a que ouvem, conhecem, respeitam e obedecem. Qual a voz que prevalece?

Vanilo de Carvalho, advogado, professor universitário, especialista em Direito Constitucional, mestre em Direito Internacional, conselheiro da Ordem dos Advogafos do Brasil, membro da Comissão Nacional do Exame de Ordem (Brasília) membro do Instituto Ph, membro da Academia Brasileira de Cultura Jurídica, Cavaleiro da Ordem de Malta (Roma), membro da Comissão de Justiça e Paz (vinculado à CNBB), escritor, analista político-social, educador jurídico.

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

 

28/05/2020 03:21
Presidente da FIEC comenta retomada da economia no Ceará

Caros amigos industriais,

Hoje, após inúmeras reuniões envolvendo os mais diferentes setores da sociedade civil, representantes de entidades de classe, empresários, especialistas em saúde e membros do Governo, o Estado do Ceará nos informa que, a partir do dia primeiro de junho, iniciaremos o retorno gradativo às nossas atividades industriais.

Nos últimos meses, a Federação das Indústrias do Estado do Ceará tem trabalhado incansavelmente para a superação dos desafios trazidos pelo novo coronavírus. Nosso objetivo é contribuir para minorar os impactos nos diferentes setores da sociedade por meio do desenvolvimento e a produção de insumos necessários ao combate da pandemia e, simultaneamente, preparar nossa indústria para uma retomada gradual e responsável de suas atividades.

Sabemos do tamanho da responsabilidade que temos para com o nosso Estado. Entendemos a importância de garantir empregos, gerar renda, distribuir riqueza. Mas também sabemos que, somente conseguiremos seguir com esse compromisso, se mantivermos os nossos trabalhadores aptos ao serviço de suas atividades, respeitando todos os protocolos sanitários.

Seguiremos, portanto, a definição do Governo do Estado, iniciando a Fase de Transição a partir desta segunda-feira, 01/06, envolvendo a retomada de forma gradativa, com percentuais diferentes para cada um dos setores industriais abaixo:
- Químico
- Calçados
- Metal Mecânico
- Energia
- Construção Civil (toda a cadeia)
- Têxtil
- Roupas
- Confecções
- Redes
- Gráfico
- Móveis e serraria
- Automotivo
O faremos com muito critério, seguindo rigorosamente as determinações apontadas pelas autoridades competentes, estando cada empresa responsável pelo cumprimento do protocolo do seu setor.

Reiteramos que a saúde e a qualidade de vida de nossos colaboradores sempre foram e continuarão sendo nossa prioridade.

 

Ricardo Cavalcante é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

 

 

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27/05/2020 07:30
Pós-pandemia: Que empresa queremos ser?

A crise atual surpreendeu os empresários de diversos setores. Em meio às incertezas, há uma percepção quase unânime: estamos vivendo uma crise única. Isso nos leva a pensar que estamos desabrigados e sendo arrastados pela tormenta. Isso não é verdade.

O isolamento provocou novos hábitos e comportamentos no universo corporativo. Foram revistas as necessidades de manutenção ou atualização dos processos de trabalho. A crise coloca à prova a nossa resiliência e a capacidade de nos reinventar. Agora o empresário tem duas escolhas: esperar passar a crise para pensar nos rumos para seu negócio ou se preparar e tirar máximo proveito da situação. Essas escolhas definirão qual a empresa que você quer depois da Covid19.

Se você quer um retornar rápido ao topo, o planejamento para pós-pandemia começa agora. Como a sua empresa se posiciona ante o atual cenário vai reverberar quando o cenário econômico se normalizar. 

Por isso, reinvente o seu negócio. De que forma você pode estar ativo agora? O serviço pode ser oferecido online? Estruture as ações para gerar caixa agora, afinal é preciso se manter para voltar com força total. Reorganize as metas. Não adianta esperar um cenário positivo para isso. Monte um grupo de gerenciamento de crise, faça um novo planejamento, pelos próximos três meses e reavalie semanalmente.

Não se acanhe em pedir ajuda. Com futuro incerto, com certeza você vai precisar de ajuda, principalmente de profissionais que ofereçam clareza ao seu planejamento estratégico. Mas cuidado com as promessas de soluções fáceis. Elas não existem, por isso muita cautela. Sabendo aplicar alguns desses pontos, com certeza logo logo sua empresa estará de volta e conquistando bons resultados, quem sabe até mais rápido do que se você tivesse esperado o cenário melhorar para planejar.

 

Carlos Eduardo Araújo é sócio e consultor da Parceria Consultores.

 

 

 

 

 

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25/05/2020 07:30
Habitações no pós-pandemia
Foto: PMF/Reprodução

Em meio à pandemia da Covid-19 surgiram muitas discussões sobre as mudanças que acontecerão na sociedade quando tudo isso passar. É nítido que a situação que vivemos hoje trará consequências, e cabe a nós lutarmos para que essas mudanças aconteçam na direção que desejamos. Nesse sentido, arquitetos e arquitetas têm o dever de elevar a discussão com a sociedade sobre a qualidade de nossas habitações.

A principal mudança trazida pela pandemia foi o fato de as pessoas ficarem mais tempo em casa. Subitamente, toda a nossa rotina diária foi reduzida a alguns metros quadrados. Esse novo hábito aumentou a intensidade com que vivenciamos o espaço residencial, ampliando a nossa percepção sobre nossos próprios lares.

O trabalho remoto virou uma realidade repentina para grande parte das pessoas. Se por um lado as tecnologias digitais nos permitem a colaboração no trabalho à distância, por outro precisamos de uma estrutura física adequada para trabalhar com concentração e conforto. Além disso, precisamos de lazer, descanso e contato com a natureza. Somente nesses itens podemos discutir vários campos acadêmicos e profissionais da arquitetura como ergonomia, conforto ambiental, paisagismo, organização e flexibilidade espacial.

A maneira que nossas habitações têm sido construídas é regida por padrões que muitas vezes relegam a qualidade espacial. Nos acostumamos a ambientes com baixo conforto térmico, iluminação inadequada, espaços mal dimensionados e de pouca flexibilidade. Como estamos mais tempo em casa, esses problemas ficam mais evidentes. Nesse ponto precisamos cobrar tanto do mercado imobiliário quanto do poder público a criação de um cenário da construção civil no qual esses fatores qualitativos sejam absorvidos para a melhoria da qualidade dos espaços habitacionais

Por outro lado, cabe aos arquitetos e arquitetas se reconectarem com as demandas do dia-a-dia da população. É preciso ampliar o repertório de soluções, trabalhar para diferentes classes sociais, reformar mais do que construir, privilegiar soluções espaciais para além da estética material. A profissão, que ainda é vista como um serviço de exceção, agora deve se voltar cada vez mais para projetos cotidianos que valorizem a qualidade de vida das pessoas.

 

Bruno Perdigão é arquiteto e urbanista formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Mestre em teoria e história da arquitetura e urbanismo pelo programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo e Design, atua como professor na Unifametro.

 

 

 

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23/05/2020 01:35
É hora de cuidar do essencial

Foto: Marcello Casal/AB

São tempos difíceis. Os dias têm sido duros e longos para os profissionais de Enfermagem. Com a pandemia da Covid-19, o mundo foi tomado por um misto de medo, perplexidade, insegurança. Para os trabalhadores da Enfermagem, a angústia é ainda maior. O desafio diário de cuidar das pessoas se amplia, diante do risco de contágio, ao mesmo tempo em que se tem a certeza de realizar um trabalho essencial, capaz de salvar milhares de vidas.

A pandemia demonstrou, de forma dolorosa e avassaladora, a importância dos profissionais de Enfermagem que, enfrentando os próprios medos, seguem garantindo o atendimento a população e evitando o colapso das unidades de saúde. Enfermeiros, técnicos e auxiliares são aplaudidos mundialmente, junto aos demais profissionais da linha de frente contra o Coronavírus.

Cuidar cansa. Sabemos que os profissionais de Enfermagem estão esgotados. Além de enfrentar o trabalho exaustivo, muitos estão afastados de suas casas ou de seus entes queridos, para poupá-los do risco de contágio. Entre a dor de ver pacientes partindo, e a esperança ao assistir a alta dos recuperados, precisam ainda conviver com a saudade e a incerteza. Merecem, portanto, cada aplauso, cada homenagem, cada gesto de agradecimento.

A pandemia coloca em evidência um profissional presente em todos os municípios brasileiros, que há muito tempo cumpre suas funções com dedicação e competência: o trabalhador da Enfermagem. No Brasil, são mais de 2,3 milhões de profissionais, com papel essencial no Sistema Único de Saúde (SUS). Muitas vezes invisíveis aos olhos das políticas públicas, esses trabalhadores acompanham a população em todas as etapas da vida e estão presentes 24 horas ao lado de pacientes acamados, amenizando suas dores físicas e oferecendo apoio emocional.

Neste momento, em especial, os profissionais de Enfermagem são vistos como heróis, ao enfrentar a COVID-19 em um país debilitado, com um Sistema de Saúde que já vinha sendo subfinanciado. A valorização da Enfermagem passa necessariamente pelo fortalecimento do SUS. A pandemia demonstra, de maneira alarmante, para os ideólogos do individualismo sem limites, que a saúde não pode ser tratada sem a dimensão de coletividade.

Defendemos, com força redobrada, a revogação da Emenda Constitucional 95, que congelou por 20 anos o financiamento do SUS.

Não é exagero dizer que os profissionais de Enfermagem são os mais atuantes e mais expostos ao contágio. O número de casos da doença e de óbitos não deixa dúvidas. Mesmo diante da falta de transparência nos dados de adoecimento de colegas da categoria por COVID-19 – já são mais de 15 mil casos e 137 mortes – os trabalhadores da Enfermagem emergem como protagonistas em um cenário precário e preocupante. É impossível desviar os olhos das condições de trabalho e de vida enfrentadas pela categoria.

O Cofen vem atuando amplamente na esfera técnica, política e judicial, para garantir condições mínimas de segurança e trabalho para a Enfermagem. Monitoramos, desde o início da crise, a situação dos profissionais: recebemos mais de 6.200 denúncias, com fiscalização e levantamento da situação em 8.674 instituições de saúde.

Acionamos o Ministério Público, a justiça, a imprensa. Mas a vida não pode esperar. Ao mesmo tempo em que vamos a Justiça, com ações para redimensionar as equipes, afastar os profissionais de grupo de risco das funções que exigem contato direto com os pacientes de Coronavírus, para garantir a testagem e o fornecimento adequado de equipamentos de proteção individual (EPIs), realizamos também ações imediatas. Uma delas, a aquisição emergencial de máscaras N-95/PFF2, distribuídas aos profissionais pelos Conselhos Regionais de Enfermagem (Coren) nas regiões em que a situação é mais crítica.

Publicamos protocolos e orientações atualizadas, de acordo com as recomendações técnicas e o avanço de conhecimento sobre a nova doença. Oferecemos treinamento para 300 mil profissionais de Enfermagem. Atendemos as demandas da imprensa, contribuindo para dar visibilidade à real situação e combater as fake news que, além de dificultar o combate à pandemia, motivaram lamentáveis ataques a profissionais de Enfermagem.

Nesta luta, nos orientamos por evidências científicas. Somamos forças com profissionais de saúde, governos, empresas e sociedade civil, a fim de intensificar o combate à pandemia e encontrar soluções para o coletivo.

É evidente que a qualidade da assistência está vinculada a valorização profissional. O trabalhador da Enfermagem está no coração do sistema. Não se faz saúde no Brasil, nem em lugar algum do mundo, sem recursos humanos. É urgente a aprovação do pagamento de insalubridade para profissionais de Enfermagem e a pensão para familiares dos que faleceram em serviço. A hora é agora. É o momento de o Congresso Nacional discutir, enfim, o Piso Salarial Nacional, e desengavetar o projeto de lei que trata da Jornada de 30h, proposta e aprovada em todas as comissões – mas que alcançou a maioridade sem votação.

Chega de inércia com bandeiras históricas da Saúde e da Enfermagem, que, juntas, somam mais da metade dos recursos humanos em saúde no Brasil e representam 60% da força de trabalho do SUS. É hora de união e solidariedade. Juntos, vamos vencer a guerra contra o novo Coronavírus. Sigamos unidos para emergir mais fortes, com um SUS fortalecido como política de Estado, quando a tempestade cessar.

É hora de cuidar de quem cuida. É o momento de enxergar e valorizar, mais do que nunca, o essencial.

Carta aberta à sociedade publicada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e Conselhos Regionais de Enfermagem

 

 

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20/05/2020 07:30
Impactos da Covid-19 na indústria da construção

A atual crise ocasionada pela pandemia mundial da Covid-19 tem afetado a economia em escala global, elevando o risco de uma séria recessão no mercado imobiliário em escala mundial. Muitas das máquinas e equipamentos eletrônicos utilizados na construção civil são importados da China (berço da Covid-19). O isolamento implica numa desaceleração de toda a cadeia produtiva, com menor produção de insumos, menor número de pessoas nos canteiros de obra, morosidade na obtenção de alvarás, licenças e demais documentos expedidos pelos órgãos públicos, diminuição no repasse de capital público e fuga do capital privado, dentre outros impactos periféricos, porém, não menos importantes.

Dados da Sondagem da Indústria da Construção de março de 2020 indicam que os impactos negativos da pandemia do novo Coronavírus já atingiram o setor da indústria da construção. O índice de nível de atividade efetivo em relação ao usual, que indica quão aquecida está a atividade da indústria da construção, recuou para 25,5 pontos. É o segundo menor valor da série e só supera os 25,3 pontos observados em fevereiro de 2016. O indicador de evolução do número de empregados registrou 39 pontos, 11 pontos abaixo da linha divisória de 50 pontos; e o do nível de atividade registrou 28,8 pontos, 21,2 pontos abaixo da linha divisória de 50 pontos, que separa crescimento e queda do nível de atividade.

De acordo com a Sondagem, a queda no emprego não acompanha, em intensidade, a queda na atividade. O motivo se deve, provavelmente, à rapidez e surpresa da queda da atividade e à reação das empresas por meio de ajustes temporários como férias coletivas, redução de jornada de trabalho e/ou suspensão do contrato de trabalho. A queda do nível de atividade em março é a mais intensa da série. As condições financeiras das empresas também pioraram, revertendo a evolução positiva dos três trimestres anteriores. Diante da atual conjuntura, os empresários demonstram queda acentuada de confiança e expectativas de baixo crescimento para os próximos meses.

Victor Hugo Fernandes é professor universitário e mestre em Administração de Empresas com pós-graduação em Engenharia da Segurança do Trabalho e em Gestão de Obras

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18/05/2020 08:00
Normalidade Perversa

Durante a Segunda Guerra Mundial, o genocídio de judeus, ciganos, homossexuais e negros ocorria num processo de escala industrial, inclusive nos dados estatísticos daqueles sacrificados nos fornos da morte, queimados como em churrascos. Ao mesmo tempo em que isso acontecia ininterruptamente dia e noite, a hierarquia governamental do Estado Nazista levava uma vida paralela, dita "normal", com direito a festas, cafés, e burocracias rotineiras. Junto a eles estavam seus familiares, amigos e conhecidos. Viviam, assim, uma vida “normal”.

Aquela guerra mundial começou em 1939, todavia, a perseguição àqueles que seriam anos depois assassinados iniciara-se bem antes, em 1933, quando Adolf Hitler chegou ao poder.  

As Leis de Nuremberg (em alemão: Nürnberger Gesetze), já antecipavam o terror. A morte civil já se tornara legal, aceita e publicada na Alemanha quando, especialmente, para os judeus, foram proibidos os casamentos e relações sexuais fora do casamento entre judeus e alemães, o emprego de mulheres alemães com menos de 45 anos de idade em casas de judeus, assim como a determinação formal, através da Lei da Cidadania do Reich, que apenas aquelas pessoas com sangue alemão, ou sangue relacionado, eram elegíveis para serem cidadãos do Reich, demais restantes eram classificados como sujeitos do estado, sem qualquer tipo de direitos de cidadania. As leis foram expandidas a 26 de Novembro de 1935 para incluírem os ciganos e os negros. Este decreto suplementar definia os ciganos como "inimigos do estado racial", a mesma categoria dos judeus. O terror se alongava para pessoas com demências variadas, com necessidades especiais e de ideologia distinta a da situação. 

O horror iniciou-se e foi posto em prática oficialmente, posto que era legal e, portanto, público. 

O primeiro campo de concentração, Dachau, foi criado em 20 de março de 1933. Com isso, as deportações seguiram-se, bem como a criação de outros tantos campos, antes, portanto, da guerra, em tempos de "paz". 

O vizinho desapareceu, o  médico fechou o consultório, o professor deve ter se mudado, e, com eles, milhares de outros. As regras eram sabidas por todos e todos sabiam o que significavam tantos sumiços. Não houve inocência por parte daquela geração. 

Acontece que, para a maioria, optou-se por seguir-se a vida normal. E isso significava: fazer de conta que os líderes tudo podiam, manisfestar opiniões sem se comprometer, continuar a frequentar nos restaurantes, nas lojas de modas e café, fazendo o tipo "homens de bem",  para utilizarmos expressão tão atual. Acontece que a morte, estava ali, do lado.  

Aquele vizinho, o antigo médico, a professora da escola, o advogado culto, o garçom simpático, o lixeiro de muitos filhos e todos aqueles que sumiram, estavam ali, do lado, dentro do próprio país, num campo de concentração, sofrendo os horrores do inferno. 

Não aprendemos com o passado, por mais cruel que ele tenha sido. O atual escárnio com a morte de milhares, com o luto de tantos, com o sofrimento dos doentes nas camas e chãos dos hospitais e casas,  com o heroísmo dos que cuidam na chamada "linha de frente", o grito blasfêmico "E daí" até as descabidas postagens nas redes sociais de ostentação doméstica, com bebidas e iguarias caras, enquanto muitos já não tem trabalho nem comida, comprovamos novamente a repetição da opção pela vida “normal”, da normalidade perversa.

Vanilo de Carvalho, advogado, professor universitário, especialista em Direito Constitucional, mestre em Direito Internacional, conselheiro da Ordem dos Advogafos do Brasil, membro da Comissão Nacional do Exame de Ordem (Brasília) membro do Instituto Ph, membro da Academia Brasileira de Cultura Jurídica, Cavaleiro da Ordem de Malta (Roma), membro da Comissão de Justiça e Paz (vinculado à CNBB), escritor, analista político-social, educador jurídico.

 

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18/05/2020 07:30
É na crise que surgem as melhores oportunidades de empreender

“Aproveite o isolamento social para estudar, para refletir, para se preparar”. Quantos de nós ouvimos essa frase nos últimos 40 dias? Milhares. Porém, não ouvimos ninguém dizer que é no período de crise que os empreendedores se diferenciam por conseguirem enxergar novas oportunidades de mercado.

Vamos começar contextualizando. Afinal, o que é crise econômica? A crise é uma série de acontecimentos que impacta na movimentação de recursos financeiros dentro de qualquer país. Sendo mais claro, isso significa que tem menos dinheiro circulando no mercado porque as empresas vendem menos, o desemprego aumenta e as pessoas, por consequência, gastam menos.  Isso implica em que todos estamos pagando menos impostos, resultando em uma menor arrecadação do governo e menos dinheiro injetado na economia.

Mas, não é porque a economia enfrenta dificuldades que as oportunidades para negociar estão esgotadas. Claro que existe a insegurança e o medo de empreender em meio à crise, porém, são nos momentos difíceis que os empreendedores precisam usar sua criatividade para iniciar ou para se reinventar, criando novas oportunidades de se manter no mercado. Me arrisco a dizer que empreender durante uma crise é, basicamente, o mesmo que empreender fora dela.

É na crise que, mais do que nunca, não se pode oferecer o mais do mesmo. O cliente ainda vai querer consumir, mas, vai reavaliar a qualidade dos produtos e serviços com o qual gasta. Por isso, o seu negócio precisa se destacar e a crise tem que servir como motivação. A maior adversidade em tempos de crise é identificar se o produto ou serviço será bem aceito, uma vez que há uma instabilidade no mercado.

É provável que, como empreendedor iniciante, você acumule algumas funções e será preciso ser o gestor do seu negócio. Por isso, precisará entender dos temas mais variados, como divulgação, custos e receita, fornecedores e mercadorias, entre outras coisas. Então, aprenda um pouco sobre cada assunto, para ficar por dentro de tudo o que acontece na sua empresa. Nesse período de isolamento em que estamos vivendo, várias instituições estão ofertando cursos gratuitos em várias áreas. Aproveite a oportunidade de se capacitar.

A essência de empreender está em correr riscos calculados e é nesse ponto que está a importância de ter um planejamento inicial e ir ajustando-o frequentemente. Identifique o seu ponto de equilíbrio – a relação de custos x receita. Tocar um negócio sem um plano é como viajar de carro sem destino, sem conhecer a rota e sem data para chegar. Considere o cenário econômico da crise no seu planejamento.

E se você vai abrir um negócio, saiba que, independente da crise, ele irá demandar uma série de obrigações e a aceitação de um novo cenário pessoal e profissional. Esforço e dedicação são essenciais. A crise é desafiadora, mas a coragem é uma característica necessária ao empreendedor, independente do período vivido.

Claudio Castro é Empreendedor, Investidor-anjo, CEO e Fundador da Ensinar Tecnologia, Sócio da Pitang Consultoria, Sunrise, Brainy Resolutions, VP de Inovação da Sucesu-PE e do Instituto Êxito de Empreendedorismo.

 

 

 

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