14/08/2020 06:43
Quem serão os protagonistas do 5G no Brasil?

Apenas pelas diferentes aplicações e possibilidades que o 5G permite, essa tecnologia é uma verdadeira revolução na forma de comunicação dos dados. A rede será a estrada para as principais transformações que estão acontecendo como IoT, Big Data, Analytics, entre outras, porque permitirá, de fato, a transmissão de informações com baixa latência e na largura de banda necessária.

Sob esse prisma, não seria correto chamarmos o 5G de evolução do 4G, porque essa tecnologia demanda uma rede totalmente diferente e vai exigir que as empresas façam um novo investimento, alterando substancialmente as suas redes legadas. Geralmente, quando se fala em avanço, o que vem acontecendo até agora é um refarming por parte das empresas, que nada mais é do que a troca e melhoria dos equipamentos de rede, fazendo uma atualização com upgrade, assim foi a transição do 2G para o 3G e depois para o 4G, lembrando ainda que há versões intermediárias nessas transições tecnológicas.

No 5G a matemática é diferente. Isso porque a topologia de rede muda, a transmissão das ondas é mais rápida, porém mais curta, tornando necessário um maior número de pontos para fazê-la. Hoje esse papel é apenas das ERBs (Estação Rádio Base), popularmente conhecidas como antenas. É comum vê-las nas ruas, são aquelas altas, com rádios em volta. Com a nova tecnologia, além das ER Bs, haverá a necessidade de mais antenas - que poderão ser menores - para suprir a necessidade de conexão. Outro ponto será a necessidade de interligar toda essa infraestrutura com fibra óptica.

Logo, a tecnologia é algo imprescindível para alcançar a melhor experiência no 5G. Neste cenário, os principais players são: a chinesa Huawei, a Nokia, que é finlandesa, e a sueca Ericsson. Tendo em vista a necessidade d e implementar uma nova rede, substancialmente diferente da atual (4G), o papel das empresas fornecedoras de tecnologia é muito importante. A Huawei tem vantagens, pois apresenta uma maior escala na produção, capacidade de implantação e competitividade frente as demais, isso porque já investe na tecnologia há alguns anos e existem até cidades funcionando, em caráter experimental, com o 5G da Huawei.

Há um grande destaque e opiniões divergentes sobre a predominância da empresa chinesa nesse contexto. Importante destacar que o pano de fundo dessa discussão é o fato de que a rede 5G, como dito anteriormente, permitirá aplicações bastante críticas, muito mais sensíveis do que as atuais, relacionadas a atividades de telemedicina, carros autônomos, smart grids/cities, digitalização da sociedade - que será irreversível , entre outras. E o que vem sendo muito questionado é a questão da Huawei ter o domínio massificado dessa rede e, consequentemente, acesso a tudo que será transmitido. Esse impasse e a desconfiança de espionagem são alguns dos pilares do desentendimento entre EUA e China.

Há uma disparidade de visões: enquanto países como Alemanha, França e Espanha não restringiram a atuação da companhia até momento, outros como Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Índia e Japão a proibiram de fornecer equipamentos para 5G. Aqui no Brasil, a decisão também deverá ser tomada em relação ao fornecedor da tecnologia necessária para implantação do 5G. Segundo o Ministério das Comunicações, a resolução final caberá ao presidente, e ainda está em aberto.

Recentemente, operadoras anunciaram provas de conceitos no Brasil, mas são ainda testes em pequena escala. É preciso lembrar que, para a viabilidade do 5G em maior escala, existe a necessidade de realizar um leilão acertado, aliado a um marco regulatório sólido para as operadoras, que precisarão investir massivamente. Assim, o consumidor brasileiro poderá desfrutar da experiência que essa tecnologia disruptiva trará.

O 5G será uma revolução nas redes de Telecomunicações, mas as decisões que nos levarão até lá ainda estão em gestação e há muitos atores em cena. Serão as boas decisões de agora, que garantirão o futuro que esperamos para o nosso mercado e sociedade.


Carlos Eduardo Sedeh é vice-presidente executivo da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas.

 

 

 

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14/08/2020 05:05
Opiniões contrárias

Faz alguns anos que sou músico, já gravei CD e toquei em muitos lugares, levando música e uma mensagem positiva para muitas pessoas. Foi um tempo muito bom, retirei deste período muito aprendizado.

Nesta banda, tive por um bom tempo um membro que sempre discordava do que eu fazia. Qualquer coisa que eu planejasse, qualquer música ou letra que eu compusesse, ele sempre tinha uma crítica. No começo eu não gostava muito, por ser novo e inexperiente, mas com o tempo, comecei a perceber que as críticas acabavam servindo para ajustar e alinhar as ideias da banda. Era interessante ouvir a opinião contrária, isso fazia com que as decisões fossem mais equilibradas, impactando no resultado final das composições.

É muito comum nos cercarmos de pessoas que concordam conosco, afinal, nem sempre todos sabem lidar com opiniões contrárias, por isso, optam pelo mais fácil, é cômodo estar entre os que concordam. A questão é que quando nos rodeamos somente de pessoas assim, deixamos de crescer, perdemos a oportunidade de ouvir um outro ponto de vista, de enxergarmos os nossos equívocos e até de aprender novas formas de fazer a mesma coisa.

A discordância nos obriga a pensar, a revisitar nossas ideias e conceitos, a repensar no assunto e a procurar novas formas de executar o trabalho. O autor Haddon W. Robinson afirma em seu livro que “as discordâncias nos forçam a verificar nossos dados e explicar os fundamentos da nossa decisão”.

É muito comum não percebermos nossas contradições. É totalmente normal não olharmos nossos equívocos, principalmente quando estamos em vistas de tomar algumas decisões, por isso que, nestes casos, é sempre bom contar com a opinião de alguém de confiança e ouvir outras opiniões.

Quem convive com quem discorda, pode ter em seu alcance, novos pontos de vista e usar isso a seu favor. É claro que eu não estou falando daqueles que discordam só por discordar, que no final reclamam, mas não acrescentam e sim, das pessoas que sabem refletir e possuem opinião própria e boas ideias.

Aprenda a ouvir opiniões contrárias e a refletir sobre o que é dito, para depois tirar alguma lição. Descubra o poder de ouvir e de como muitas vezes podemos fazer a mesma coisa, porém de formas diferentes. Quem ouve apenas o que quer, não cresce e muito menos percebe suas contradições. Agora quem sabe ouvir, não só aprende, mas descobre muitas outras possibilidades que até então ele pode não ter percebido.


 

Guilherme Augusto de Carvalho é professor de Filosofia e Teologia 

 

 

 

 

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12/08/2020 10:00
Uma visão panorâmica da educação superior em condições emergenciais


Foto: Viktor Braga/UFC

As autoridades em todos os campos da ciência estão tomando medidas urgentes para atender a uma condição emergencial como a que está posta pela Covid-19. A vida em uma situação de pandemia traz à tona a fragilidade humana e ao mesmo tempo ressalta a presença da solidariedade entre outras qualidades humanas. É reconfortante ver a imagem de pessoas às quais você não enxerga mais de forma presencial, engrandecidas pelo trabalho inovador que muitas delas estão desenvolvendo. Escolas estão fazendo pelos professores o que nunca fizeram antes. Professores estão fazendo pelos alunos o que nunca fizeram antes. Elogios pipocam de alunos em diversas fases de nosso país de dimensões continentais, elogios por um relacionamento que nunca anteviram com a instituição de ensino na qual desenvolvem as suas atividades.

Normalmente, a situação do ser humano revela insegurança e incerteza. Esta condição é aumentada quando da ocorrência de alguma condição especial. A tecnologia tira folga como alvo de críticas e passa a ser tida como uma companheira inseparável. Está certo que sem ela, muito do que está acontecendo não seria possível, mas sempre, no final da história o que se sobressai é a ação e prática do docente e do aluno, agora colocado como corresponsável por sua formação e devidamente empoderado com a liberdade de escolher o que estudar, como estudar e quando desenvolver seus estudos. Certamente é algo para o qual ele não estava preparado.

A educação em condições emergenciais não perde seu lugar ao sol como a única saída para que os jovens sejam colocados no mercado de trabalho, com maior ou menor capacidade de enfrentamento de uma situação de competitividade que coloca as pessoas em busca do primeiro emprego em uma condição insatisfatória. Toda esta movimentação coloca todos nós frente a um conjunto abundante de ferramentas e recursos. O efeito cascata leva a uma situação na qual a utilização de uma ferramenta acaba por disparar a necessidade do uso de outra ferramenta e assim sucessivamente.

Com as instituições de ensino em todos os níveis fechadas, os efeitos de uma quarentena prolongada começam a afetar todas as pessoas. Fomos colocados como expectadores de uma luta do gênio humano contra a curva epidêmica, com todos esperando que ela seja vencida, e ao mesmo tempo, como construtores de um tempo incerto. O fantasma do desemprego em massa assusta a todos. As pessoas navegam em busca de um porto seguro navegando os mares de uma virtualidade que abriga todos os tipos de sentimentos e todos os tipos de pessoas.

Independentemente da motivação, a educação interrompida nunca entrou na cogitação tanto de governantes como de governados. Ela parece ter sido sumariamente eliminada como uma opção válida. Não foram poucos os professores que se viram sem saída. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Este ditado popular identifica claramente a situação para todos. Era inovar ou inovar. Cada qual parecia estar desenvolvendo um papel previamente desenhado, tal a desenvoltura que está sendo possível observar em professores que nunca utilizaram a tecnologia educacional como uma ferramenta intensiva e extensiva. Se tal fato ocorresse em um mundo preparado não seria tamanha a estranheza. A maior parte dos sistemas educacionais de todo o mundo não estavam preparados para o vasto mundo de oportunidades digitais que se inicia com a produção de pequenos arquivos de áudio até a transformação dos professores em roteiristas de histórias contadas com propriedade e conhecimento de causa.

Estudos são divulgados como confirmação das colocações que os observadores relatam. O sentimento de torcida favorável é geral. Muitos não têm condições de ajudar com seu conhecimento, mas todos gostariam de estar participando de toda uma série de iniciativas. As correntes de apoio surgem de todos os pontos. Congratulações nunca esperadas chegam para todos. A reinvenção parece ser a palavra de ordem adotada por todos. Reinvenção de formas de tratamento entre os agentes educacionais envolvidos, das práticas educacionais; da utilização diferenciada e inovadora da tecnologia educacional. O que parecia estar perdido para todos, parece renascer tal e qual uma Fênix alçando voo.  A aprendizagem on-line aparece a todos com a nova aura de uma educação de qualidade obtida em alto nível.

As soluções que parecem provisórias frente à crise trazem um grande nível de qualidade que as irá transformar em soluções definitivas. Parece que estamos vivendo uma situação inteiramente nova que tornou mais fácil identificar: o que as pessoas aprendem; como as pessoas aprendem; onde as pessoas aprendem e quando estas pessoas aprendem. O que antes eram componentes recomendados de alguma teoria de aprendizagem perdida no tempo e no espaço transmutam e acabam como práticas diárias. O sistema educacional parece respirar ares novos, afastados da poluição existente nos sistemas tradicionais de ensino e aprendizagem. O comportamento de hoje nos permite enxergar a figura da nova escola do amanhã como um porto seguro que está ao alcance da tecla de um computador ou dispositivo móvel, mas que continua com as portas abertas para aqueles que querem ter uma maior proximidade com a escola, como segunda casa de todos nós.

Estamos confirmando na prática, a visão que muitos educadores têm quando enxergam a escola como o mundo da educação. Um local que pode estar cheio de inovações inspiradoras, como resultado de ações individuais ou coletivas, mas sempre com a participação ativa dos seus alunos.


Antônio S. Munhoz é docente da área de Tecnologias 

 

 

 

 

 

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10/08/2020 10:00
Quando a competição pode ser uma grande aliada no atendimento ao cliente

Conquistar a excelência do atendimento ao cliente é algo que qualquer empresa, almeja no dia de hoje. Isso tem sido inclusive uma imposição do consumidor. Segundo um estudo da KPMG, intitulado "Customer first, customer obsessed", consolidado com base em entrevistas realizadas com mais de 84 mil consumidores de 20 países, no final de 2019, os clientes brasileiros estão pressionando cada vez mais as empresas de todos os setores a oferecerem melhores experiências. Isso claramente é um aviso.

Porém, muito mais do que ter o entendimento de como melhorar o atendimento ao cliente e torná-lo mais resolutivo, ainda existe um agravante: os canais de relacionamento nem sempre estão na mão de uma única EPS (empresa prestadora de serviço). Isso faz com que inevitavelmente surjam os questionamentos: será que as empresas que prestam serviço de contact center estão dando o melhor de si? Tem alguma forma mais pre cisa para ajudar a mensurar a qualidade do atendimento indo além das pesquisas de satisfação?

Sim, tem. Através de metodologia, sistemas e muito conhecimento de Data Science e do próprio contexto do negócio é possível fazer uma validação detalhada e muito criteriosa, que aprimora a excelência do atendimento ao cliente. E esse processo inclui literalmente colocar suas EPSs para competir entre si.

A justificativa é simples e gosto de usar exemplos mais lúdicos para explicar. Há uma história do atleta de salto com vara que tinha alcançado a marca de cinco metros, usando como base o sarrafo. Certo dia, alguém o desafiou a saltar sem esse balizador com a meta de "dar o melhor de si". O esperado era que ele saltasse no mínimo cinco metros, porém, não foi o que ocorreu. A marca dele caiu pelo simples fato dele não ter um ponto focal para basear-se. Desta forma, o objetivo de criar uma base de comparação e uma concorrência positiva é o mesmo. Trata-se do sarrafo que eleva a meta de todas as empresas de contact center, visando sempre promover a excelência do atendimento.

Ou seja, é importante criar uma régua de comparação, usando indicadores do próprio dia a dia, que impactam nos resultados finais, como o índice de re-chamadas. Nem sempre a deficiência está no operador ou em quem controla a operação, nesse caso a EPS. O problema às vezes pode estar dentro de casa, nas ferramentas que estou fornecendo à empresa de contact center para que ela atenda bem ao meu cliente. Trazer mais transparência para apoiar na gestão dessa prestação de serviços, portanto, ajuda a identificar os pontos de falhas e trazer insights sobre como melhorar o atendimento ao cliente.

O mesmo acontece com os benefícios. Quando se cria um índice balizador, os impactos positivos não ficam somente para uma das pontas. Pelo contrário, ganha a contratante, que quer e precisa incrementar a experiência do cliente; e também a contratada, que entre outras vantagens, consegue inclusive alcançar melhor remuneração, saber quem dos seus atendentes tem o melhor desempenho, entre outros.

Em suma, adotar um gráfico comparativo ajuda a estabelecer parâmetros e a transformar dados em informações de valor . Ele não só impulsiona e eleva patamares, como também define um ponto mínimo "de qual a marca que ele precisa saltar". Ou seja, o quão longe todos podem chegar na excelência do atendimento.


 

 

 Cesar Garcia é diretor de projetos e desenvolvimento.

 

 

 

 

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08/08/2020 10:00
Nome limpo ajuda brasileiro a respirar nessa pandemia

Não há no Brasil ou no mundo pessoa que goste de ter dívidas. Ninguém quer se endividar. Mas algumas são necessárias e fazemos porque precisamos ampliar o negócio, investir em máquinas, equipamentos. Outras, para pagar tratamentos hospitalares, comprar um carro maior e que acomode o aumento da família ou mesmo para apostar em uma roupa bacana para uma entrevista de emprego. São infinitos os motivos que levam as pessoas, e me incluo nessa categoria, a se endividarem. Seja no cartão de crédito, boleto, cheque especial, ter uma dívida é sempre um desconforto. Pior, claro, quando não conseguimos arcar com o compromisso.

Começa então aquele festival de ligações de cobrança. Uma atrás da outra, a qualquer hora do dia e da semana. Um movimento invasivo, agressivo e que intimida o consumidor. A vida do inadimplente vira um inferno. Não bastasse a pressão interna, a cobrança pessoal para dar conta de todos os boletos, tem sempre aquele telemarketing ameaçando sujar o nome do consumidor. E os credores sujam. O que já era ruim, fica pior. O crédito some e a solução fica mais distante a cada dia. 

Durante a pandemia da Covid-19, percebemos que muitos consumidores correram para conseguir limpar o nome ou porque acharam que estar com o “CPF Regularizado” era estar com as contas em dia para receber o auxílio emergencial, ou são pessoas que, de uma forma ou de outra, já sentiram na pele que ter o nome limpo melhora a oferta de crédito. Além, claro, de trazer benefícios como redução de problemas familiares e um sono mais tranquilo. A saúde agradece.

Só para ilustrar, segundo dados de uma empresa de renegociação de dívidas, entre dia 16 de março e 15 de junho foram fechados 924.640 acordos totalizando mais de R$ 319 milhões e mais de R$ 382,8 bilhões em descontos. Benefício para os endividados e também para credores. Dinheiro que volta a circular. Importante notar que, mais de 50% dessas dívidas tinham valores que variavam de R$ 50 a R$ 250 e muitas destas pessoas nem sabiam que estavam com o nome sujo.

Uma pesquisa realizada em maio com um pouco mais de 4.900 pessoas, apontou que 42,6% achavam que não conseguiriam pagar suas dívidas durante a pandemia. Um percentual alto e que demonstra um descrédito e desânimo com a recuperação da economia no curto, médio e longo prazo. Parte dos entrevistados, 32%, disse acreditar que acesso ao cartão de crédito pode ajudar a diminuir o impacto financeiro causados pela Covid-19.

São pessoas preocupadas, realistas e com um olhar atento ao complexo cenário econômico que temos pela frente. Eles já perceberam que limpar o nome lhes dará mais acesso ao crédito e será um respiro para suas famílias. Renegociar dívidas, diminuir juros, alongar prazos até que a situação financeira volte ao normal. Estamos lado a lado nessa missão, juntos, vamos atravessar este período difícil.


Dilson Sá é CEO da fintech Acordo Certo

 

 

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07/08/2020 10:00
Obesidade intelectual

Conversando com uma amiga, ela trouxe uma reflexão que não havia pensando antes. Ela disse que já tinha lido tanta coisa, feitos tantos cursos (presenciais e on line), visto tantos filmes, séries, documentarios que a se sentia em "obesidade intelectual". E, agora, estava precisando organizar as ideias, rever, fichar, relembrar, digerir...

Bingo!!! Pois não é assim mesmo!!!

Nessa busca por conhecimento, nós curiosos, anciosos, cheio de ofertas na palma da mão, redes sociais bombando de informações, patrocínios, vendas... somos bombardeados de opções e, quando vemos, estamos adquirindo, comprando, lendo, absorvendo tudo que vemos, sem sequer digerir

Estamos tão ávidos por coisas, gente, dados que vamos "comendo" tudo que chega sem nem "mastigar".

E, quando nos damos conta, estamos obesos intelectuais, cheio de informações inacabadas, mal processadas, represadas como gordura, sem sequer terem sido "queimadas" como energia para a mente.

Uma correia por engolir tudo.

Ler muitos livros em dezenas, sem mesmo concluir pela mensagem. Fazer muitos cursos, sem sequer entregar as tarefas. Assistir tantos vídeos, misturando até as matérias. Uma confusão mental, um amontoado de informações que foram adquiridas sem serem processadas, avolumando a ansiedade já existente.

Contra essa obesidade, os remédios são simples, mas dificeis de achar nos tempos de hoje.

Falo da leveza, da calma, da paciência, da atenção. Da tranquilidade de ler algo ao nosso tempo, sem metas, sem quantidade. De ver um filme concentrado nele, sem dividir a atenção com as notificações do celular.

Falo de estudar a apostila do curso, de fazer as tarefas de casa, de prestar atenção na aula, de seguir as dicas dos orientadores.

Precisamos de tempo pra queimar essas calorias intelectuais estocadas, ficando com o bom e descartando o desnecessário.

Pra iniciar a dica é começar do começo. Revisitar o que já foi feito, um por um, concluindo o resultado que cada produto e experiência gerou. Sem pressa. Sem meta. Com prazer. Com paz. Com leveza.

São presentes que a vida nos dá, não cruzes para carregar e coroa de espinhos espetando o cérebro.


 

Priscila Malveira é advogada empresarial, professora de Direito e etiqueta social, palestrante, escritora de crônicas e editora do site Repensando Bem.

 

 

 

 

 

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05/08/2020 10:00
O que será o novo normal?

Tem gente louca para voltar. E outros em pânico só de pensar em retornar. A única certeza em tudo isso é que o ser humano sempre terá opiniões e reações diferentes diante de uma mesma realidade, pois cada um tem a sua lente própria para interpretar as situações. E, para complicar, seguimos recebendo mensagens contraditórias e visões antagônicas o tempo todo; um mar de informações desencontradas.

Então, como podemos agir diante desse cenário? Como encontrar o melhor equilíbrio, tanto do ponto de vista individual, quanto do coletivo?

O caminho é buscar conciliações entre as nossas vontades e desejos individuais e as necessidades de nossa equipe, dos nossos colegas e do nosso negócio. Ter este olhar mais abrangente e esta capacidade de enxergar além do mundo individual não é fácil, mas é altamente relevante neste momento, ainda mais quando se fala em um novo normal.

Mas como será esse novo normal? Todos confinados esperando uma vacina para poder retomar as vidas? E como ficam os planos, os sonhos e o futuro?

Sabemos que ignorar os riscos e retomar a rotina não é viável. No entanto, a boa notícia é que o ser humano tem uma capacidade enorme de aprender e de de se adaptar. Ao longo de toda a história da humanidade vemos a superação, a adaptação e a evolução no nível individual e coletivo. Foram inúmeras adversidades, crises e riscos enfrentados durante a jornada. E o ser humano mostrou a capacidade de se adaptar ao meio, aprender e criar novas soluções. Nossa vida é muito curta diante de todo o percurso da humanidade até aqui. 

A questão é que todos querem respostas, modelos...e ainda não os temos. Assim, cabe a nós enfrentar um período de questões em aberto e pôr em prática a humildade de não saber, até mesmo para construir um caminho novo. Preocupa-me a rapidez com que nos apaixonamos por soluções imediatas: “o home working é sensacional, trouxe muita produtividade”. “Podemos seguir trabalhando neste formato, porque está dando muito certo”. “Em home office há mais foco, disciplina”. “O modelo deu um sentido de urgência à transformação digital”...

Todas estas afirmações refletem o que estamos vivenciando, mas é importante não se jogar de cabeça nestas soluções que parecem resolver tudo. Bom lembrar que estamos vivendo tempos complexos, em que não há um caminho único. Certamente teremos de nos adaptar aos novos tempos e de conviver com os riscos que se apresentam. Também será necessário aprender a lidar com os medos e inseguranças e, ao mesmo tempo, fazer escolhas sensatas.

Algumas empresas já anunciaram a permanência em home working sem data para voltar. De fato, aprendemos muito com este modelo novo: mais disciplina, mais atenção, objetividade e produtividade são alguns dos ganhos. Mas a médio e longo prazo também podemos sentir o impacto de algumas perdas importantes. 

Assim, fortalecer a cultura organizacional e engajar os colaboradores recém-contratados são alguns dos desafios que certamente se apresentarão. Sabe aquele encontro casual no cafezinho que acaba gerando uma frutífera ideia ou desatando algum nó organizacional? Pois é, remotamente isso fica mais difícil.

A questão é que o remoto acaba trazendo uma certa formalidade para as relações, pois temos de agendar um “encontro”, definir o assunto e o horário, e perde-se a casualidade e aquele convívio frequente no qual se acaba transmitindo conhecimento, em que o “coaching” diário ocorre de forma espontânea e onde se forma o “caldo cultural” pelas palavras ditas, expressões, atitudes e interações espontâneas. Isso tudo torna muito mais fácil que diferentes equipes saibam o que as outras estão fazendo e até mesmo acabem “entrando na conversa”, trazendo perspectivas e conhecimentos que podem enriquecer muito a busca de soluções, já que a formação do conhecimento coletivo e a aprendizagem organizacional ocorrem muito além das fronteiras dos treinamentos formais.

Diante de todos esses pontos fica difícil escolher entre os dois modelos. Mas penso que, na realidade, não teremos de fazer esta escolha, mas sim conciliar estes dois formatos. A combinação entre o mundo remoto e o mundo presencial certamente será muito enriquecedora, e a sabedoria estará em utilizar o melhor de cada um deles.

Combinar práticas das duas realidades irá enriquecer profundamente nossas organizações e torná-las mais inclusivas, ágeis e sensíveis a tratar situações com respostas específicas. Bom senso, cuidado e coragem são ingredientes-chave para o novo normal que começa a se delinear em nossa sociedade.


Rose Gabay é diretora de Recursos Humanos

 

 

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31/07/2020 10:00
Educação no isolamento se torna oportunidade para qualquer idade
Foto: Zoom/Divulgação

Escola, trabalho e lazer estão no mesmo endereço desde a adoção do distanciamento social para a contenção da covid-19. Compartilhar o mesmo espaço para diferentes atividades tem sido desafiador para muitas famílias, mas aos poucos se revela também uma oportunidade importante para aprender. As aulas on-line das crianças têm requisitado uma maior participação dos familiares e proporcionado momentos de aprendizagem ampliada. Ou seja, o estudo alcança todos que ali convivem ao gerar ricas oportunidades de troca de experiência entre os membros da família.

O acompanhamento das atividades escolares está ampliando o alcance dos conteúdos porque muitos pais estão “reaprendendo” as disciplinas junto aos seus filhos e descobrindo novas abordagens e conceitos oferecidos pela escola. A partir das atividades interdisciplinares apoiadas na metodologia STEAM, um trabalho de pesquisa sobre vulcões italianos, por exemplo, pode trazer conhecimentos de Ciências da Natureza, Matemática e Ciências Humanas, além do contato com as palavras do idioma daquele país. A metodologia STEAM - acrônimo em inglês para as disciplinas Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática - propõe a integração desses saberes baseada em projetos. Tem o objetivo de formar pessoas com conhecimentos diversos, desenvolver valores juntamente com os temas abordados e preparar alunos e cidadãos para os desafios do futuro.

Ao lado da metodologia, as aulas de robótica e programação estimulam o pensamento científico e inventivo. Formam um conjunto de abordagens mais moderno e um modo de educação muito diferente daquele que pais, tios e avós tiveram em outro momento. Torna algo interessante e acaba por ampliar e estender seu alcance por instigar a curiosidade e o interesse em aprofundar-se nos tópicos propostos pelo professor. Daí perceber que este momento de isolamento social pode ser uma oportunidade de recuperação e contato com assuntos diversos, independentemente da idade.

Um exemplo de iniciativa é implementado pela LEGO Education, solução de aprendizado representada no Brasil pela unidade de tecnologias educacionais da Positivo Tecnologia. Por meio da LEGO Education Academy, uma das precursoras do movimento STEAM no mundo, está utilizando o período de quarentena para capacitar professores de diversas partes do mundo em robótica educacional.  Em workshops on-line, estimula o desenvolvimento das habilidades de linguagem de programação, pensamento computacional e análise crítica. Iniciativas em países como o Brasil, China, Argentina, Espanha e Polônia são destaques no âmbito do STEAM e fazem com que as atividades em casa sejam mais ricas e divertidas.


Alex Paiva é gerente de Novos Produtos da unidade de tecnologias educacionais da Positivo Tecnologia.

 

 

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29/07/2020 10:00
A saúde mental dos colaboradores em tempos de pandemia
Foto: Tomás Arthuzzi/SAÚDE é Vital

Com o isolamento social e a adoção do formato home office para dar continuidade ao fluxo de trabalho, a rotina das pessoas mudou drasticamente. Equilibrar as demandas de casa com as do trabalho, zelando pela manutenção das atividades, ampliou o leque de preocupações das pessoas, que passaram a lidar com novos tipos de estresse. Sem contar a própria pandemia em si e os impactos que vem ocasionando.

Diante de tudo isso é importante falarmos sobre a saúde mental dos colaboradores e a adoção de medidas para minimizar ou, até mesmo, evitar o desenvolvimento de distúrbios psíquicos. Desconforto, medo, ansiedade e irritabilidade são questões que precisam ser acompanhadas a partir da criação de espaços para que os colaboradores se expressem e sejam acolhidos. Com a pandemia, sentimentos como o de perda constante, luto, preocupação com parentes doentes e impactos do cenário geral no trabalho e renda se intensificam e também exigem atenção.  

A atuação da empresa deve ocorrer, então, em duas frentes: sobre a saúde mental dos profissionais que estão em isolamento e sobre os profissionais que, devido às atividades que exercem, continuam ocupando o ambiente de trabalho.

Um dos projetos que lançamos com o objetivo de discutir essas questões e dar aos colegas a possibilidade de, com suporte, lidar com a realidade a qual fomos todos submetidos levou o nome de “Café Virtual”. Na prática, acolhimento e acompanhamento psicológico, mesmo que de maneira remota.

A experiência possibilitou o diálogo necessário sobre as questões advindas das novas rotinas. Afinal, tudo o que acontecia no dia a dia, em diferentes locais, passou a se concentrar dentro de casa e ao mesmo tempo. A busca do equilíbrio entre trabalhar, cuidar da casa, ajudar os filhos nas tarefas escolares e estipular um tempo para si se tornou constante e desafiadora.

Fazer com que os colaboradores se sintam cuidados e ouvidos vem fazendo toda a diferença, que se reflete positivamente no acolhimento que esses profissionais precisam proporcionar aos alunos e familiares com os quais lidam diariamente.

Não à toa, essa política de assistência virtual se estende para toda a comunidade escolar, dos estudantes às suas famílias, respeitando-se, sempre, as características individuais e os diferentes segmentos de ensino (Educação infantil, Fundamental e Médio).


Suyanne Carioca é psicóloga, especialista em atendimento escolar 

 

 

 

 

 

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