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Rosier Alexandre: cearense cheio de coragem
Publicado em 25/01/2016 às 17:00

A mistura equilibrada de aventura, coragem, determinação, foco, serenidade e cearensidade tem nome e sobrenome: Rosier Alexandre, que concedeu uma entrevista exclusiva à coluna Frisson.

O atleta e empresário relembrou momentos de sua carreira e contou detalhes de sua investida para escalar o lugar mais alto do mundo. Confira:

Vamos voltar um pouco no tempo... Qual a principal lembrança de sua infância no humilde interior cearense?

Muitas e boas. Desde as minhas primeiras aventuras subindo as pedras lá na Serra das Matas, até as montarias de jegue, armei gangorra para pegar preá, armei arapucas para pegar alguns pássaros e até joguei futebol, apesar de nunca ter tido muita habilidade com a bola. Eu sempre preferia atividades de contato com a natureza. Na infância, também trabalhei na roça ajudando ao meu pai e também trabalhei de balconista na pequena mercearia que meu pai tinha.

Qual a maior lição que você tirou da sua trajetória como agricultor, engraxate e vendedor de frutas?

Como agricultor, ganhei o amor à natureza, que carrego sempre comigo. Como engraxate, vendedor de frutas, de cocadas e picolés, aprendi a me relacionar com pessoas, algo fundamental na vida de todo profissional. Desde cedo, aprendi que, para ganhar a vida, precisava deixar o cliente satisfeito, só assim ganhava o que eu precisava, dinheiro.

O que levou à pretensa ideia de escalar o Aconcágua?

Eu nasci olhando para montanhas e sempre gostei das paisagens que elas nos proporcionam. Depois, passei a descobrir a beleza e a riqueza do silêncio e da solidão nas montanhas. Estar nas montanhas é ter um encontro profundo comigo mesmo, ver quem eu sou e quem eu quero ser, onde estou e onde quero chegar e assim planejar os caminhos que quero percorrer de forma consciente e não impostas pelas pressões econômicas ou sociais. O Aconcágua, por ser uma das maiores montanhas da terra e um desafio bem grande, me proporcionou tudo isso de forma muito intensa.

De onde surgiu o interesse pelo alpinismo?

Eu nasci em uma região de serra e com muitas pedras. Desde a infância, eu gosto de subir em pedras e descobri que, quanto mais alta a pedra, mais bela é a paisagem que ela oferece e isso cada vez cresceu mais dentro de mim.

Você não sente medo de escalar grandes montanhas e ficar a tantos metros acima do nível do mar?

Claro que tenho medo. O medo é o pai da prudência, logo perder o medo não é uma coisa boa, mas o medo não pode nos paralisar. O medo me faz planejar melhor, treinar mais, me preparar com mais intensidade para os desafios. Eu tornei o medo um aliado e ele me faz crescer.

Quando alcança um objetivo e chega ao topo de uma montanha, você olha a paisagem e pensa basicamente em quê nesta hora?

Chegar ao cume, diferente do que muita gente pensa, não é “missão cumprida”, precisamos descer com segurança e a estatística nos mostra que 80% das fatalidades ocorrem nas descidas. Logo, a chegada ao cume nunca é comemorada com muitas emoções. A comemoração se dá após a chegada de volta ao campo base, no reencontro com a família e com os amigos.

 

Superar limites da resistência humana e condições naturais adversas pode parecer loucura para muita gente. De onde você tira tanta coragem?

Na verdade, acredito que é da natureza humana se aventurar em novas empreitadas, em terras desconhecidas, isso ensina e ajuda a evoluir. O que me move é a vontade de conhecer novas culturas, novas pessoas e principalmente a experiência da solidão e a reflexão que as montanhas me oferecem.

Sua família não fica temerosa com os riscos pelos quais você passa?

Em parte, sim, afinal minha atividade exige assumir riscos extremos, mas todos sabem que sou muito prudente e me preparo muito para cada desafio, isso aumenta sensivelmente a segurança e consequentemente dá mais tranquilidade para minha família.

Quando você foi sequestrado por tribos selvagens na Papua Nova Guiné, em quê pensou? Teve medo de morrer?

Tive sim, depois que tudo passou. Na hora da crise, minha cabeça girava a mil por hora pensando numa alternativa de saída, naquela situação e naquele local, nada pude fazer, mas até mesmo nada fazer para atrapalhar é fundamental. Na Indonésia, onde está a Papua Nova Guiné, os nativos falam mais de 600 dialetos, logo nem eles conseguem se comunicar bem entre si com facilidade, mas confiei no meu guia e após uns 40 minutos, fui finalmente liberto e pudemos seguir em frente.

O que se passa na sua mente quando lembra da morte de amigos nas montanhas?

Cada morte me lembra a fragilidade da minha vida e que devo ter muita atenção e fazer a coisa certa para evitar a minha morte. Cada morte na montanha também deve ser estudada para subsidiar o nosso planejamento. Onde ocorreu? Qual a altitude? Quais as causas? Que equipamento a vítima estava usando? Qual o nível de experiência da vítima? Como estava o clima na hora da fatalidade? Tudo isso nos serve de aprendizado e evira novos acidentes.

Qual sua dica para um conterrâneo cearense que está disposto a escalar o Everest?

Seja muito bem vindo à irmandade da corda! Comece fazendo um bom check up médico.  Depois, pode começar escalando rochas aqui no Ceará, em seguida vá a Bolívia e faça um curso de escalada em gelo. Depois, escale algumas montanhas aqui pela América do Sul para ganhar familiaridade com altitude e o ambiente das montanhas de gelo. E, se precisar, pode entrar em contato comigo que terei o maior prazer em ajudá-lo.

A quê atribui ao fato de ter sobrevivido à avalanche de maior fatalidade no Everest?

As duas catástrofes que passei no Everest foram acidentes naturais e pouco podemos fazer nestas situações, mas, logo em seguida, precisamos tomar importantes decisões e de forma muito rápidas e a experiência e o nível de treinamento sempre me ajudou a reagir da maneira certa e evitar maiores complicações. A  sobrevivência nas montanhas, 20% é o acaso, mas 80% é treinamento puro, e é aí que coloco o meu foco e atenção. Isso já salvou muitas vidas e ainda vai salvar muitas outras.

Quantas vezes você escalou o Everest?

Duas vezes, a primeira em 2014, quando uma avalanche matou 16 pessoas, incluindo 3 amigos da minha expedição, e todas as expedições foram canceladas, e a segunda em 2015, quando ocorreu um terremoto de 7,8 graus de magnitude e provocou dezenas de avalanches, uma delas matou 19 pessoas, minha médica foi uma das vítimas, e novamente todas as expedições foram canceladas.

Como surgiu a ideia de criar a TBC Consultoria?

A TBC CONSULTORIA nasceu de um sonho, um sonho de ter um trabalho que eu gostasse e pudesse ajudar as pessoas a também realizarem seus sonhos. O principal objetivo da TBC é incentivar processos de mudanças nas pessoas, mudanças de crenças, transformar sonhos em metas, mudanças de comportamento e com isso mudar as organizações e a sociedade. Enquanto muita gente fala de crises e dificuldades, nós mostramos possibilidades e caminhos, incentivamos a cultura do planejamento e a cultura da auto responsabilidade, afinal todos nós temos uma considerável de poder e na maioria das vezes não exercemos.

De que forma você analisa a trajetória da empresa?

A TBC CONSULTORIA foi a primeira empresa cearense a desenvolver treinamentos vivenciais ao ar livre no Ceará e incentivar a superação de limites e nesse sentido a minha própria história e a coerência do que pregamos agregou bastante valor aos nossos treinamentos e às palestras. O nosso exemplo grita bem mais alto que nossas palavras e foi isso que fez a TBC ganhar mercado e conquistar grandes clientes em todo o Brasil.

Como cuida do corpo e do visual? É um homem vaidoso?

Sou cuidadoso com o meu corpo. Procuro manter a minha saúde e a boa forma com atividades físicas regulares e uma alimentação bem equilibrada, evito refrigerantes, frituras e produtos industrializados. Gosto de me vestir bem, mas sem excesso, sempre de uma maneira básica mas de acordo com o ambiente que frequento. Sempre mantenho cabelos e unhas limpas e bem cuidados.

O que mais te dá prazer na vida?

Muitas coisas me dão prazer. Viajar com minha esposa, ler um bom livro, receber amigos em casa, cuidar do meu jardim, dar algum suporte para quem necessita, subir montanhas.

Para finalizar, qual sua expectativa para 2016 no âmbito pessoal e profissional?

Pessoalmente, quero muito e tenho me preparado intensamente para escalar o Everest e com isso concluir o Projeto Sete Cumes que é a escalada da maior montanha de cada continente. Profissionalmente, quero, após a Escalada do Everest, voltar e ter dedicação exclusiva à minha empresa e com isso expandi-la.

Qual seu desejo para a humanidade no próximo ano?

Desejo mais solidariedade no mundo, dói muito ver as injustiças em algumas ditaduras como a Síria e outros países africanos, dói demais ver tantos refugiados deixando para trás seus amigos e parentes e depois perderem suas vidas em busca de oportunidades de trabalho e dignidade. A concentração de renda ainda é um grande problema, enquanto alguns têm muito e não estão felizes com isso, outros tentam encontrar a felicidade através de um prato de comida e uma cama para dormir. Acredito que a educação seja um caminho para a justiça social, mas precisamos de mais solidariedade para isso ocorrer.

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