HOME > ENTREVISTAS > BUSINESS

Murilo Pascoal: turismo, sucesso e Beach Park

Publicado em 17/06/2019 às 16:43
Compartilhe Tweet

A entrevista da semana é com o executivo Murilo Pascoal, do Beach Park. No papo exclusivo, detalhes da carreira, dos negócios e das novidades. "É evidente que a economia é um fator importante, e uma das questões mais relevantes é a questão do câmbio. Quando o dólar tá muito barato, o brasileiro tem uma tendência maior de viajar para o exterior, o que é um fator de competitividade que nos afeta. Quando o dólar tá um pouco mais equilibrado, a tendência é que os clientes fiquem mais no Brasil. Outro ponto é a economia: obviamente, quanto mais pessoas você tem trabalhando, mais existe renda disponível para gastar e melhor é para todo mundo. Mas a gente tem visto, ao longo desses anos, que o entretenimento e o turismo têm sido uma parcela que as pessoas costumam manter no seu orçamento doméstico, que elas preferem trocar o investimento em bens para investir em experiências e lazer, e isso é algo que tem refletido na indústria como um todo", afirmou. Acompanhe: 

Qual o balanço dos mais recentes investimentos realizados no Beach Park?

A gente tem investido olhando tanto para o curto prazo quanto para o longo prazo. Para o longo prazo, estamos com o projeto de um novo hotel e um novo parque, e a projeção é que eles sejam inaugurados no final de 2021. É um projeto muito inovador, em que apostamos no destino Beach Park e no destino Aquiraz na esteira do crescimento do Ceará através do hub do aeroporto Pinto Martins, focando nesse crescimento internacional proporcionado pelo hub das companhias aéreas. E, no curto prazo, pensando nas férias de julho, fizemos um investimento junto à rede de TV Nickelodeon e vamos trazer para cá personagens consagrados como Patrulha CaninaDora, a AventureiraTartarugas Ninjas e o Bob Esponja, que será a estrela da festa, e estará comemorando 20 anos de aniversário como um desenho super simpático e consagrado.  

Qual o maior desafio de atuar no ramo de entretenimento?

São vários desafios. Um deles é que lidamos com muita gente, tanto do ponto de vista do quadro de funcionários como no número de visitantes. A gente recebe muita gente todos os dias, e a interação entre essas pessoas é o grande desafio, fazer com que a experiência seja consistente, que todos os dias as pessoas que venham tenham a mesma experiência. Para isso, é preciso investir muito em padronização de processos, treinamento para que esses processos estejam bem fixos na cabeça de nossos colaboradores, checagem e, depois, evolução, para que os processos sempre estejam melhorando e atinjam o objetivo principal, que é fazer com que nossos clientes saiam daqui felizes. A gente faz tudo isso pensando no propósito da empresa, que é criar momentos felizes para todo mundo que nos visita.

Como enxerga o êxito do Beach Park nacional e internacionalmente?

Esse êxito é construção de quase 34 anos de vida de uma empresa brasileira e cearense que passou, junto com o Brasil, por várias crises e desafios e conseguiu sobreviver a todos esses momentos, sempre com crescimento. A gente enxerga com muita felicidade esse reconhecimento, tanto nacional quanto internacional. Esse sucesso sempre foi baseado em investimento na qualidade dos produtos, processos, alimentos e bebidas, e continuaremos assim daqui pra frente. O marketing e a publicidade também são pontos importantes para conseguir esse sucesso nacional que, junto com a qualidade, foi o que nos levou para esse sucesso internacional, com prêmios de várias associações de classe em todo o mundo. Dos prêmios, o mais relevante e talvez mais significativo tenha sido o de 2º Melhor Parque Aquático do mundo, concedido pelo TripAdvisor. Outra premiação relevante foi que consagrou o Aqua Circo como Melhor Atração do mundo em 2011, concedida pela Internacional Adventure Park Association, que nos colocou à frente de parques como Universal, Disney. E, assim, vamos construindo e mantendo um nome forte no mercado.

O que move sua atuação como diretor e CEO do BP?

Primeiramente, é gostar muito do meu trabalho. Gosto muito de fazer o que faço, e é uma honra e um privilégio poder trabalhar na beira da praia, com felicidade, uma equipe muito bacana e podendo desenvolver produtos e projetos que trazem felicidade para as pessoas, que criam momentos felizes, como diz o nosso propósito. Poder passar o tempo todo pensando nisso e trazendo isso para as pessoas é um privilégio para mim, poder sentir essa energia e esse alto astral é muito bom e permeia tudo o que a gente faz aqui dentro. No dia a dia, estamos sempre buscando a melhor qualidade possível para os nossos processos, com respeito, ética e criando um ambiente onde todos se respeitam e querem o melhor, onde a gente tem políticas que são as mesmas políticas do porteiro ao diretor. A gente busca construir uma empresa que segue o comportamento que acreditamos que deve ser o comportamento da gente no dia a dia, frente às questões boas e ruins do mundo. Também é uma responsabilidade muito grande ser o líder de uma empresa, porque você acaba sendo exemplo para muita gente, e eu levo isso muito a sério. É preciso ter muita disciplina, e eu procuro a cada dia melhorar isso em mim.

De que maneira o Beach Park atua para fidelizar os clientes e atrair novos?

A maneira principal é entregando um bom produto para os clientes todos os dias. Se você tem um bom produto e um bom serviço, o cliente vai voltar, isso é uma consequência natural. Além disso, a gente também cria programas que fazem com que o cliente tenha mais facilidade ou benefícios se ele se fidelizar, como o nosso Beach Park Vacation Club, voltado para a nossa rede hoteleira, e também o Beach Card, que é um produto voltado para o Aqua Park.

Como a economia nacional pode repercutir nos negócios do BP?

É evidente que a economia é um fator importante, e uma das questões mais relevantes é a questão do câmbio. Quando o dólar tá muito barato, o brasileiro tem uma tendência maior de viajar para o exterior, o que é um fator de competitividade que nos afeta. Quando o dólar tá um pouco mais equilibrado, a tendência é que os clientes fiquem mais no Brasil. Outro ponto é a economia: obviamente, quanto mais pessoas você tem trabalhando, mais existe renda disponível para gastar e melhor é para todo mundo. Mas a gente tem visto, ao longo desses anos, que o entretenimento e o turismo têm sido uma parcela que as pessoas costumam manter no seu orçamento doméstico, que elas preferem trocar o investimento em bens para investir em experiências e lazer, e isso é algo que tem refletido na indústria como um todo.

E como o Beach Park pode ser ainda mais significativo para o turismo e a economia do Ceará?

Acredito que, com o investimento que estamos fazendo no novo empreendimento e os outros projetos que também estão envolvidos nesse contexto de inovação no Porto das Dunas e em Aquiraz, eles fazem com que o Beach Park tenha um envergadura maior e uma força maior para atrair mais gente para o Ceará e consolidar ainda mais o destino turístico que está sendo construído.

Como define sua gestão enquanto presidente do Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas?

Sou presidente do conselho do Sindepat desde outubro do ano passado e, quando assumi, fizemos uma mudança, contratamos um conselho de administração e uma diretora executiva, que tem feito um excelente trabalho à frente da entidade. Com o crescimento do setor, a entidade também tem se tornado cada vez mais relevante, e temos conseguido grandes vitórias, sendo uma delas a isenção de impostos de importação para equipamentos de parques de uma maneira geral, que são fundamentais para o crescimento do setor. Sem essa isenção, os parques não têm condição de crescer e de competir com os semelhantes no exterior. Então, isso é fundamental para que o setor tenha sustentabilidade à longo prazo. Inclusive, o Sindepat terá, nos dias 21 e 22 de agosto, o seu evento anual, o Sindepat Summit, que será em Brasília e é um evento muito bacana em que a gente discute todas as tendências, novidades, histórias do nosso segmento, que é muito interessante e está em crescimento.

De que maneira atuou para superar as adversidades do BP em 2018?

Da mesma maneira que trabalhamos todos os anos, pois as adversidades fazem parte da vida do CEO de qualquer empresa, de qualquer indústria. É preciso que a gente saiba trabalhar de cabeça fria e coração quente, com tranquilidade e em equipe, porque a gente só sobrepõe as adversidades trabalhando em equipe, isso é fundamental.

Como avalia o cenário econômico e político do Brasil atualmente?

Não sou especialista, mas, como cidadão, eu gosto de ser otimista, porque, se eu for pessimista, vou apenas ficar reclamando e, se eu for otimista, eu vou trabalhar e procurar desenvolver nosso País do ponto de vista econômico, dentro das minhas capacidades. Eu procuro ser otimista todo dia. Acho que é um momento de mudança e é natural que haja alguns desconfortos, algumas coisas que sejam diferentes do que a gente está acostumado a ver. A gente vai ter que esperar um pouco, dar tempo ao tempo, mas sempre pensando positivamente e pensando no País. Temos que torcer para quem está lá e esperar que ele acerte, independente de posição política.

De que forma enxerga o potencial turístico cearense atualmente?

O potencial turístico cearense é muito grande. Temos muitas coisas boas: o clima, a localização, a geografia, o mar, o povo, a comida e, agora, o hub aéreo, que é sensacional e tem aumentado muito a conectividade, mas que não faz todo o trabalho sozinho. De nossa parte, para que o Ceará seja destino e não passagem, é preciso criar atrações turísticas, hotéis, passeios, enfim, o que fazer aqui no Ceará. O mais difícil é a conectividade aérea, e isso a gente tem, então, agora, passa a ser um desafio do trade turístico construir esses atrativos, que acho que não é função do governo, que deve e está fazendo a infraestrutura, e, sim, trabalho da iniciativa privada. Fora isso, a questão da abolição do visto para os mercados americano e canadense, que são os mercados mais próximos, foi uma coisa fantástica para o turismo, muito importante, e acredito que isso também ajuda a gente a entrar no cenário internacional do turismo.

Para finalizar, quais as metas para a vida pessoal e profissional nos próximos anos?

Realizar um pouco de tudo o que conversamos aqui já é a minha grande meta para os próximos anos, colocar em prática e acompanhar essa evolução.


PUBLICIDADE

CONTATO COMERCIAL
(85) 3198.8888
comercial@cnews.com.br