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Gomes Farias: a voz do rádio cearense

Publicado em 06/05/2019 às 11:32
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Senhoras e senhores, nossa entrevista da semana é com a história viva da comunicação cearense. Ele é formado em Direito, mas foi no rádio que obteve pleno sucesso! A seguir, um papo exclusivo com Raimundo Gomes Farias, um dos mais importantes radialistas do País – que, hoje, integra o quadro do Grupo Cidade de Comunicação, a quem se derrete em elogios. “Passei 50 e tantos anos em outra ‘casa’, mas não estou falando mal de ‘lá’. Acho errado sair de um lugar e sair falando mal. A gente costuma pensar que só existia ‘lá’. A gente imagina ‘vixe, Maria, só tem isto aqui’. E não é! É um ledo engano. O Grupo Cidade está aí para comprovar isso”, afirmou. Acompanhe:

O senhor é formado em Direito, embora a fama tenha vindo através do rádio. Como foi sua experiência em sua área de formação?

Comecei defendendo vários réus no interior do Ceará. Tive muito sucesso. Nesse tempo, apenas um réu que eu defendi foi condenado, pelo fato de a questão política ter influenciado. Isso me desanimou bastante! Como me dediquei ao Direito Penal, verifiquei que os ricos, quando cometiam algum crime, procuravam advogados mais famosos. Então, eu era procurado ou por aqueles que tinham pouco dinheiro ou por aqueles que não tinham nada. Aí, para manter a minha família, eu tinha que optar entre a advocacia e o rádio. Verifiquei que, financeiramente, para mim, ficar no rádio era a melhor solução.

Como avalia a produção jornalística atualmente no rádio cearense?

O rádio cearense é um dos rádios que mais falam e transmitem o futebol. Às vezes, eu lamento que o radialista está um pouco marginalizado pelos dirigentes do futebol. Ele não pode entrar em determinados ambientes do estádio.

Por quê?!

Porque quem paga manda!

Como assim?

Algumas vezes, a televisão proíbe e não quer para não atrapalhar o trabalho da própria televisão. A parte do rádio, então, fica um pouco marginalizada. Contudo, eu entendo que o rádio continua sendo o melhor veículo de comunicação de massa do Brasil. Todo mundo é ligado no rádio. Ninguém abandona o rádio. Uma pesquisa recente nos Estados Unidos mostrou que 70% dos entrevistados disseram que jamais desprezariam o rádio, Então, o radiojornalismo e o radioesportivo, eu considero, são muito importantes para a manutenção do valor do esporte no nosso território nacional.

De que forma avalia a importância do rádio para a democracia brasileira?

Jamais podem silenciar a imprensa, que é o maior poder desarmado do mundo. Não há democracia sem liberdade de imprensa. A imprensa faz o liame entre a sociedade e as autoridades. A liberdade da imprensa é absolutamente intocável.

São quantos anos de radiojornalismo? E como se deu o início de sua carreira?

61 anos. O primeiro jogo que eu transmiti foi na inauguração da rádio Dragão do Mar, em 25 de março de 1958, no Dia do Jangadeiro da Abolição, ao lado do Ivan Lima. Eu era tão menino ainda, que precisei parar para deixar a voz engrossar um pouco mais (risos).

Qual a principal lição tirada ao longo dessas seis décadas de carreira?!

A seriedade. Eu aprendi com meu pai que a palavra de um homem vale mais do que um documento assinado. Eu aprendi muito com isso e até falo brincando que fui educado para outra época. Mas, graças a Deus, tenho me dado bem com essa postura. Vou contar um episódio.

Conte-nos, por favor!

Acalme-se. Irei contar... (risos) Quando eu era deputado na Assembleia Legislativa do Ceará,  houve uma CPI do Futebol. O presidente da Federação, Fares Lopes, foi convocado para depor. Teve um deputado que perguntou o que era e como funcionava o tal do “boi para cronista esportivo”. Ele respondeu que “boi” era uma instituição nacional, que acontece no Brasil inteiro. O repórter, em geral, não ganha bem. Aí, algumas vezes, o clube de futebol paga o repórter para promover o time durante o trabalho. Ele destacou na época, e isto está nos anais da Assembleia, que os únicos que nunca receberam “boi” na área são apenas três: Cid Carvalho, Tom Barros e Gomes Farias. Isso me orgulha, pois essa conduta comprova quem é cronista independente. E, sem independência, você não é jornalista!

O cenário econômico está instável no País todo. Isso repercute nas mídias tradicionais. De que forma enxerga o futuro do rádio?

O rádio não pode parar nunca. Acho que o comando político nacional deveria ser mais incisivo para a aprovação das reformas enviadas ao Congresso. Nós dependemos dessas aprovações. Senão, o tempo vai passando. E estamos, a cada dia que passa, mais “quebrados”. É a realidade, que repercute no rádio, na televisão e em todo setor.

E como avalia o cenário político?

O cenário político estadual está bem administrado. A visão do governador Camilo Santana é acertada, especialmente com essa ideia de colocar o Ceará como ponto que nos liga diretamente para Europa e outros continentes. Nacionalmente, estamos no caminho certo. Só acho que o Governo poderia ser mais incisivo para aprovar a Reforma da Previdência, que é a nossa única saída.

Como está o corpo e a mente?

Muita gente não acredita que Gomes Farias tem 82 anos de idade. A minha voz é a mesma de décadas atrás. Quando minha voz sofrer alteração, eu vou parar. À noite, eu rezo muito. Sou católico apostólico romano. Fui seminarista, quase padre e converso muito com Deus e Nossa Senhora. Não tenho raiva de ninguém! Motivos para ter? Tenho. Mas eu rezo o Pai Nosso, que diz “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. A minha fé me dá uma tranquilidade muito grande, tanto no corpo como na mente.

O que espera do futuro?

Não sair mais desta casa chamada Grupo Cidade de Comunicação. Eu passei 50 e tantos anos em outra casa, mas não estou falando mal de “lá”. Acho errado sair de um lugar e sair falando mal. A gente costuma pensar que só existia “lá”. A gente imagina “vixe, Maria, só tem isto ‘aqui’”. E não é! É um ledo engano. O Grupo Cidade está aí para comprovar isso!

Para finalizar, como define a importância do Grupo Cidade para a sociedade cearense?

O maior grupo de comunicação do Ceará. Nós temos rádios para todos os gostos. Para quem quer música pop, para quem quer sertanejo, para quem quer música baiana, para quem quer notícia. Tem para todos os gostos, inclusive para quem quer apenas notícia, como a Jovem Pan News, que, olha, vou te dizer, é uma coisa fora do comum, com uma repercussão extraordinária. Além disso, um portal maravilhoso, uma TV que dispensa comentários e a Frisson, que eu sempre digo que é a melhor coluna social. Por isso, eu falo que o Grupo Cidade é absolutamente importante para o Ceará em todos os sentidos.


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