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André Nogueira: fé, esforço e Publicidade

Publicado em 09/01/2019 às 01:33
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O nosso entrevistado da semana dispensa comentários: André Nogueira, um dos mais respeitados publicitários do Brasil. “Sou apaixonado por audiovisual, sou heavy user de tecnologia e gosto muito de rádio. O que mais gosto na minha profissão é que ir ao cinema, ao teatro, ouvir música, conhecer pessoas, observar o mundo, ler te tornam melhor. Gosto de propaganda que não parece propaganda, que bebe na fonte da vida. Minha inspiração é essa, não está nos manuais. A que mais me incomoda é a propaganda igual, a tanto faz, barulhenta, que grita e não dialoga com o seu público. Cada marca tem uma verdade. As pessoas não querem ver propaganda, mas adoram uma boa propaganda”, argumentou. A seguir, um pouco mais sobre a vida e carreira desse grande profissional!

André, são mais de duas décadas dedicadas ao universo da Propaganda. De lá para cá, o que mudou na área? Quais os principais avanços e quais os maiores desafios daqui para frente?

Muita coisa mudou, computadores, celulares, internet, redes sociais, aplicativos, câmeras digitais. A propaganda era mais artesanal, feita à mão, mais braçal, lembro de sentar no chão da criação com os livros de imagens e selecionar com um papel marcando, para depois escanear. Hoje, com os bancos de imagens online, fazemos a busca e temos acesso a um mundo visual e conceitual. Com o aumento da tecnologia, os prazos ficaram ainda mais curtos, mas o dia continua com 24 horas. O que também não mudou foi a diferença que uma boa ideia faz. Nenhuma máquina substitui um bom cérebro.

Advance, Ágil Publicidade, Mark, Slogan Propaganda e Time Comunicação foram empresas por onde você passou antes de fundar e dirigir a Flex. Olhando para a sua trajetória, quais as impressões que você teve e que ajudaram a criar a personalidade própria da Flex Comunicação?

A Flex nasceu da mistura de todas as experiências anteriores, de ter passado pelas maiores agências do Ceará a seu tempo e também de uma primeira experiência empreendedora. No Time de Comunicação, fiz minha primeira campanha política e, de cara, ganhamos a Prefeitura de Fortaleza.  A Flex nasceu conceitualmente híbrida, com muita bagagem de mídias off-line e toda a inovação para desbravar o mundo online. 

Aliás, qual o principal diferencial da Flex em relação às demais agências? 

Costumo dizer que a Flex é on, é off e é in. Acredito que temos um modelo de agência que se assemelha a uma start up. Não somos uma agência grande, nem pensamos pequeno. Somos uma grande agência parceira de nossos clientes.

"Uma grande agência não é feita de tijolos e sim da capacidade de superar grandes desafios" é uma frase que estampa o site da Flex. Olhando agora para o futuro, quais os principais desafios que você enxerga na sua agência para manter a excelência e o nível de credibilidade?

É de buscar sempre a reinvenção da Flex, fazer comunicação que dê resultado, que seja diferente, que nos dê orgulho e bons clientes. Essa inquietação nos trouxe até aqui, chegando aos 10 anos em 2019. Mas nos vemos ainda no começo e com muita expectativa para o futuro como temos para um novo job que chega.

Ao longo de sua vida, qual a campanha que mais te deu "dor de cabeça" e qual a que você mais se orgulhou em ter feito parte?

A vida do publicitário não é moleza. Não somos mais aquela geração boêmia, penso que temos que ter mais o perfil de atletas, com disciplina, foco e paixão, vontade de vencer. Sempre visto a camisa do cliente e é desanimador quando nos frustramos, quando não conseguimos espaço e autonomia de colocar um grande trabalho na rua. Por outro lado, é bom ver que temos parcerias que datam da nossa fundação, clientes que estão há quase 10 anos com a gente. Me sinto feliz quando contribuímos para o sucesso de marcas, quando fazemos campanhas solidárias, quando vencemos uma campanha eleitoral. 

A tecnologia tem "obrigado" o mundo a se adaptar e renovar a cada dia. Quando se fala em mídia, então, nem se fala. Tudo tem mudado em velocidade inconteste. Você é formado em Jornalismo. Como enxerga o futuro da atividade jornalística e da publicitária como uma sobrevivência à manutenção das mesmas?

Penso que o jornalismo vive uma crise, mais de confiança mesmo, as fake News, a parcialidade de muitos veículos e as redes sociais em que as pessoas são o próprio veículo e disseminadoras de "informação" contribuíram para esse cenário. O futuro é buscar credibilidade, opinião, checagem dos fatos, mas sem perder a velocidade, as notícias não podem ser velhas. As pessoas estão sedentas por informação, o jornalismo precisa passar da maneira correta.

De todos os veículos de comunicação, o jornal impresso talvez seja o que mais tem sentido na pele as mudanças do consumo de informação com o avanço da tecnologia. Dificilmente, a gente vê um jovem lendo um jornal, o que ocorre atualmente é uma leitura virtual. Mas poderíamos citar as mudanças também com a TV, o rádio e por aí vai. André, como você analisa a relação desses veículos com a Publicidade em um contexto onde o limite do consumo e da absorção dessas produções tem sido cada vez mais imprevisível?

Quando a TV surgiu, falaram que ia matar o rádio, não aconteceu. Com a internet, falaram em morte da TV e das mídias convencionais. Não aconteceu também. Novas mídias terão novos públicos. A publicidade deve estar atenta aonde o consumidor das marcas está. É para eles que as mensagens são destinadas. E acredito que o jornal impresso não vai morrer, apenas deve passar por pautas mais opinativas e que façam pensar do que divulgar notícias do dia anterior. 

Como um cara da área publicitária, qual o tipo de propaganda que você mais admira em relação ao formato e à produção? E qual a que você mais se incomoda de ver, ouvir e assistir?

Sou apaixonado por audiovisual, sou heavy user de tecnologia e gosto muito de rádio. O que mais gosto na minha profissão é que ir ao cinema, ao teatro, ouvir música, conhecer pessoas, observar o mundo, ler te tornam melhor. Gosto de propaganda que não parece propaganda, que bebe na fonte da vida. Minha inspiração é essa, não está nos manuais. A que mais me incomoda é a propaganda igual, a tanto faz, barulhenta, que grita e não dialoga com o seu público. Cada marca tem uma verdade. As pessoas não querem ver propaganda, mas adoram uma boa propaganda. 

Para você, quando uma campanha merece nota 10?

Quando ela vira bordão, se transforma em hit. Quando encanta, faz rir, chorar, te faz pensar. Quando dá aquela sensação: eu podia ter feito isso!

Ao longo de sua carreira, são mais de 70 prêmios internacionais e nacionais. Uma média de três por ano. Um a cada quatro meses. É muito reconhecimento! A quê atribui tamanho êxito?

Nenhuma coisa na vida que fiz me trouxe tantas vitórias, nunca subi tanto em pódios e ganhei tantas medalhas. Mas acredito que vieram como consequência. A gente não faz propaganda para ganhar prêmios, a gente ganha prêmio porque faz boa propaganda. Prêmios não pagam as contas, mas já me levaram a locais e abriram muitas portas. Não é uma busca, é uma recompensa de um trabalho que, na verdade, coroa o cliente que apostou na agência, o marketing que apostou na ideia e todo mundo que se empenhou para viabilizar. 

O Brasil viveu momentos delicados na economia e na política recentemente. O País se dividiu. O clima ficou pesado até entre familiares e amigos por conta de divergências. André, como você interpretou tudo isso?

 A campanha derrubou várias "verdades". Tempo de TV e rádio não foi decisivo, dinheiro e alianças, idem. Foi uma campanha orgânica, espontânea em que grupos de WhatsApp de família, redes sociais tiveram bastante peso na decisão. Somos uma democracia recente, temos que aprender com o contraditório, esse clima de divisão, de amizades e relacionamentos desfeitos por uma posição de voto não é saudável.

De que forma cuida do corpo e da mente? Você se considera um homem vaidoso?

Pratico crossfit desde o final de 2016, pelo menos quatro a cinco vezes na semana. Surfei muito tempo, e o esporte sempre foi uma terapia. Sou católico e valorizo muito os momentos de grupo de oração, ir à missa, rezar meu terço e com minhas filhas todas as noites possíveis. Não me considero muito vaidoso, mas não sou descuidado. Na minha profissão, aparência ajuda também.

Nas horas livres, o que mais gosta de fazer?

Sou muito família, com hábitos simples. Quando não estou no trabalho, gosto de estar em casa com minha esposa, Vanessa, minhas gêmeas, Ana Beatriz e Maria Celi, ambas com 10 anos, e a pequena Mariana, de três meses. Gosto de viajar, mas venho num ritmo muito forte de trabalho sem muito descanso desde 2014.

Trabalhar usando a mente de forma criativa pode representar também um risco maior de desenvolver transtornos psicológicos (ansiedade, depressão etc). De que maneira você tenta driblar os percalços do cotidiano para manter a mente sã?

Tentar sempre buscar uma harmonia e equilibrar doses de trabalho, oração, esporte, boa alimentação, cervejinha no final de semana e minha família. Essa é minha fórmula.

Como você se alimenta cultural e musicalmente?

Consumo muita informação, todos os portais e jornais, notícias possíveis, muitas séries, muitas mesmo, e filmes. E sempre que possível tento ir a shows de grandes bandas, aqui ou fora. Nas viagens, também não dá para deixar de conhecer museus, teatros e locais que respiram cultura, arte e música.

Quais os artistas que mais admira?

Na verdade, meus ídolos são os que revolucionaram indústrias, Walt Disney, Steve Jobs, Elon Musk e grandes esportistas como Airton Senna, Kelly Slater. 

Na sua playlist, o que não pode faltar?!

Rock, indie, surf music, um pouco de música eletrônica e samba de raiz.

Sobre o futuro: leveza, planejamento, medo ou "deixa a vida me levar"?

Não tenho medo. Tenho muita fé e muita vontade. Também não sou de deixar a vida levar, embora tenha a tranquilidade de acreditar num Deus que é maior que o mundo e que a vida. Acredito que tudo no tempo e nos planos Dele. E farei minha parte.

Família! Você é do tipo paizão. O que sua família representa na sua vida?

Minha família é o que me sustenta, é o combustível que me move, me faz acordar cedo, me dá propósito.  

Para finalizar, quais seus principais desejos como ser humano e profissional para 2019?

Comemorar os 10 anos da Flex And Comunicação, com muito trabalho, com meu time, rumo a grandes conquistas. Curtir minhas filhotas e esposa, agradecer pela vida e os dons que Deus nos dá.


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