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Fabrício Maia: a arte contemporânea do Ceará

Publicado em 05/11/2018 às 10:37
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O universo da arte domina a entrevista da semana da Frisson. Fomos conversar com o conceituado Fabrício Maia, artista plástico contemporâneo da nossa terra. Não deixamos de falar nada que seja necessário atualmente: a tentativa obscura de censurar as manifestações artísticas, o predomínio regional nas obras dele, a força afrodescendente em suas pinturas, projetos e muito mais. “Arte é arte, liberdade do ser em se expressar desde de sempre. E sempre foi vista como incompreendida durante séculos. Atualmente, percebo que existem interesses políticos, existem certas ignorâncias, desinformações. Acredito que ainda precisamos muito crescer para podermos apreciar mais arte. Termos crianças que devem ter contato desde pequena com este mundo tão incrível para que, no futuro, arte seja algo a ser apreciado e não julgado”, defendeu. Acompanhe a seguir:

Como o desenho entrou na sua vida?

O desenho entra na minha vida na infância. Desenhava muito desenhos animados, como Cavaleiro do Zoodíaco, Pokemón e Dragon Ball Z. 

Inicialmente, seus desenhos eram em preto e branco. De que maneira a pintura chegou ao seu cotidiano artístico?

Sim, os meus desenhos sempre foram em preto e branco. Quando eu conheci o projeto Crescer com Arte, da Prefeitura de Fortaleza, voltado para adolescentes, eu iniciei a pintura em tela. Daí por diante, sempre desenhei colorido.

Qual a razão de priorizar arte plástica que reverbera o tom regional?

Por eu sempre observar o mundo com suas diferenças sociais. Vim de família mais humilde, sempre gostei de retratar meus quadros, meus sentimentos, encontrar beleza e cor onde você sabe muito bem que há muita pobreza e desigualdade, mas não deixa de existir amor. Não só me atento a esse tema, mas nunca deixarei que a emoção não seja a primeira percepção que meus quadros passem para as pessoas, seja o tema qual for.

O que o contexto afrodescendente aguça em você no âmbito pessoal e íntimo para a atmosfera artística?

Sim, acho o contexto afrodescendente muito forte dentro de mim. Acho bela a mulher negra com traços muito expressivos e amo pintá-las, além de fazer parte também da nossa cultura geral como brasileiros. Na verdade, minha arte explode dentro de mim sempre com muita emoção, com uma mistura quase antagônica entre o real, como Cândido Portinari, e o surreal e colorido de Dali.

Como avalia a produção artística cearense atualmente?

Sou sincero em dizer que por muito tempo me afastei da pintura por várias razões, mas vejo, atualmente, meu retorno aos meus sonhos de pintar e venho estudando muito, observando as expressões desses artistas, isso me encoraja de uma forma grandiosa, pois vejo muito talento em nossos artistas plásticos cearenses. Posso dizer que todos ainda poderão ter seus espaços em museus, em importantes exposições. Percebo também uma realidade que é de muito difícil viver de arte, mas, como a amo, decidi assumir. Admiro muito artistas cearenses como Aldemir Martins, Degaste Gadelha, Mano Alencar, Raimundo Cela entre outros. 

De que maneira interpreta a censura que alguns órgãos conservadores querem impor a manifestações artísticas e teatrais em pleno século XXI?

Arte é arte, liberdade do ser em se expressar desde de sempre. E sempre foi vista como incompreendida durante séculos. Atualmente, percebo que existem interesses políticos, existem certas ignorâncias, desinformações, como também existem certos exageros de alguns artistas, que eu não julgo. Enfim, acredito que ainda precisamos muito crescer para podermos apreciar mais arte. Termos crianças que devem ter contato desde pequena com este mundo tão incrível para que, no futuro, arte seja algo a ser apreciado e não julgado.

Como artista, qual sua avaliação sobre a crescente onda reacionária que se instala na sociedade brasileira?

Arte é arte, independente do gosto, é da mais simples pessoa à mais entendida ao se deparar com uma obra ou manifesto artístico. Sinto-me entristecido e tolhido com qualquer atitude reacionária tanto para mim como para outros artistas.

A quê atribui tamanho obscurantismo renascendo em um país tão diverso e tropical como o nosso?

À falta de valor e prioridade na educação e na cultura.

O que gosta de fazer nas horas livres?

Estar com minha família e pintar.

Como cuida do corpo e da mente?

Tentando equilibrar sempre. Pratico esporte e minha mente se equilibra através da minha religiosidade e um certo interesse na Psicologia.

Como analisa a situação política brasileira atualmente?

Confesso me sentir como milhões de brasileiros enganados, um pouco desiludido, mas procuro sempre me informar de tudo que está ocorrendo para que, assim, possa fazer a diferença ao votar.

Para finalizar, o que espera da vida pessoal e profissional para os próximos anos?

Pura realização dos meus sonhos e objetivos. Sinto-me como nunca focado para realização do mesmo no campo familiar e profissional.


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