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Igor Lucena analisa sucesso do Sana

Publicado em 03/07/2018 às 11:21
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Nossa entrevista da semana é com Igor Lucena. Formado em Economia na Universidade Federal do Ceará, ele é Mestre em Economia pela UFC e pós-graduado em Finanças pela Saint Paul College. Mas seu maior reconhecimento vem mesmo do evento Sana, do qual é responsável e idealizador. “O sucesso do Sana está exatamente nessa capacidade de se reinventar a cada edição, sempre incluindo novos elementos e temas da cultura pop mundial, o que o torna um grande encontro de fãs dessa cultura pop. Estamos sempre ouvindo o público, fazendo pesquisas de mercado, contratando novas pessoas e, principalmente, viajando ao redor do mundo para trazer convidados e atrações inéditas. Essa dinâmica fez com que parceiros de diversos setores como empresas privadas, embaixadas, associações e outros eventos apoiassem”, afirmou. Confira a seguir:

Como surgiu a ideia de lançar o Sana?

O Sana surgiu no ano de 2000, quando um grupo de amigos saudosistas dos seriados da extinta TV Manchete ficaram curiosos por encontrar outros fãs de cultura e de animação japonesa na cidade. Assim, nos encontramos em auditórios de faculdades de Fortaleza para ver desenhos e trocar revistas, brinquedos e fitas VHS dessa temática. Não imaginávamos que esse encontro fosse reunir tantas pessoas do mesmo interesse e tomar tal proporção que tem hoje.

O Sana é um sucesso indiscutível. A quê você atribui tamanho sucesso?

Aquilo que começou apenas com a temática de animações e seriados japoneses se expandiu para quadrinhos americanos, vídeo games, filmes, seriados, música pop asiática, colecionáveis entre outros. O sucesso do Sana está exatamente nessa capacidade de se reinventar a cada edição, sempre incluindo novos elementos e temas da cultura pop mundial, o que o torna um grande encontro de fãs dessa cultura pop. Estamos sempre ouvindo o público, fazendo pesquisas de mercado, contratando novas pessoas e, principalmente, viajando ao redor do mundo para trazer convidados e atrações inéditas. Essa dinâmica fez com que parceiros de diversos setores como empresas privadas, embaixadas, associações e outros eventos apoiassem o Sana e, assim, o evento  tomasse essa proporção. 

Já pensou em levar o evento para outras cidades do País? 

Sim, além de já termos realizado uma edição em Juazeiro do Norte, nossos planos são de expandir o evento também para Sobral nos próximos anos. 

Qual a maior dificuldade de realizar um evento do porte do Sana?

O maior desafio, no começo, foi ganhar a credibilidade do público e de parceiros. Batalhamos muito para mostrar que éramos capazes de realizar um evento sério. Quando vencemos essa etapa, o evento ganhou peso e público e, então, nos deparamos com um novo desafio, que era conquistar patrocinadores e apoiadores. Estávamos em um novo patamar, com um público mais exigente e sedento por novidades e excelência. E para atender essa demanda, precisávamos de grandes parceiros, o que efetivamente conseguimos. Agora, nossa meta é internacionalizar o evento, ou seja,  colocá-lo na rota de grandes eventos mundiais de cultura Pop. 

Quais as expectativas para as próximas edições do Sana? 

Estamos preparando o maior evento já feito. Para nossa edição de 18 anos, estamos com expectativa de 70.000 pessoas e atrações  de K-pop, J-pop, Youtubers, dubladores, bandas entre outras. Nesta edição, teremos a grande turnê de 15 anos da banda FLOW, grupo japonês conhecido por suas músicas em animes como Naruto, Code Geass e Dragon Ball, entre outros. O ator, humorista e músico Bruno Sutter encarnará o personagem Detonator e volta aos palcos do Sana com a banda Hattori Hanzo. O cantor japonês Akira Kushida, que interpreta canções lendárias de séries japonesas como: Jaspion, Jiraiya, Jiban, Gyaban, estará mais uma vez no Sana cantando a música “Ultimate Battle”, tema de Dragon Ball Super. O K-pop também tem o seu espaço, e o Sana trará direto da Coreia do Sul o grupo BP Rania. Outro grupo sempre aguardado no evento são os dubladores que dão vida a personagens consagrados de séries e filmes.  Para o Sana 18 anos, o público já pode esperar a presença do dublador Marcelo Campos, que interpreta personagens como Trunks do Futuro (Dragon Ball Z), Edward Elric (Fullmetal Alchemist), Mu de Áries (Cavaleiros do Zodíaco) e Yugi (Yu-Gi-Oh!). Também Alfredo Rollo, dublador conhecido por seus papéis de Brock (Pokémon), Julian Solo (Cavaleiros do Zodíaco) e Vegeta (Dragon Ball Z). Além deles, o público vai se divertir com a presença de três dubladores de um dos programas mais assistidos na América Latina: O Chaves! Carlos Seidl (Seu Madruga), Cecília Lemes, (Chiquinha) e Gustavo Berriel (Sr. Barriga, Nhonho e Jaiminho) farão a alegria do público em um bate-papo descontraído. No palco SANA GAMES, o público pode contar com a presença cativa de Muca Muriçoca, que contabiliza mais de 4 milhões de inscritos em seu canal. Para os fãs de League of Legends, o jogador e streamer Kami é presença confirmada. MoriMura, conhecido por seu vlogs e vídeos no muscal.ly e Nelson, da casa do Kame, também estarão presentes. Shevii e Three, por fim, completam o time de presenças confirmadas no Sana 2018. 

Qual o principal desafio para fazer do Sana um evento inovador e atraente para o público a cada nova edição? 

Acho que a inovação depende de dois fatores principais. O primeiro é escutar o que o público demanda e, a partir disso, conseguimos mapear o que podemos fazer para o público ficar mais próximo nas outras edições. O outro ponto é analisar as tendências do momento e como podemos integrar isso ao evento. Assim, fidelizamos nosso público tradicional e trazemos novos visitantes. 

De maneira geral, como analisa o segmento de eventos culturais em Fortaleza? 

O mercado vem se intensificando. O mais interessante é que a cultura geek e pop vem se espalhando por outros eventos na cidade, o que mostra que esse tipo de cultura veio para ficar.  

E como interpreta a produção cultural popular cearense atualmente? 

Acho que ainda falta muito incentivo. No Sul e Sudeste, os eventos são bem mais favorecidos. Aqui, o Sana, como uma produção cultural, teve bastante sorte de ter chegado nesse ponto, contudo nos deparamos ainda com bons projetos que não vão para frente por falta de apoio. Outro ponto importante é a profissionalização da gestão de projetos. Precisamos de mais cursos e parcerias para tornar a produção cultural no Ceará algo de excelência e que seja reconhecida por isso.  

O que mais gosta de fazer nas horas vagas? 

Horas vagas? Muito difícil! (Risos). Adoro ler, acho que, por ano, leio pelo menos 50 livros, mas também trabalho em artigos de macroeconomia e política internacional. Adoro estudar línguas e viajar para treiná-las in loco. Atualmente, estou no sétimo idioma.

Musicalmente falando, quais os artistas que mais te agradam?

Sou bem eclético, mas curto muito Heavy Metal (Iron maiden, Judaspriest, Iced Earth), música clássica (Bach, Vivaldi, Mozart), músicas japonesas e o JPOP (Utada Hikaru, Ayumi Hamazaki, BoA). 

Como você cuida do corpo e da mente? 

Do corpo, eu faço musculação três vezes por semana e corro nos outros quatro dias. Para a mente, o melhor que podemos fazer é meditar. Sou budista, e aprendemos que a concentração e o controle da mente são fundamentais para termos uma vida mais saudável e equilibrada.  

O que faz Igor Lucena sair do sério e perder o controle? 

Não tolero desonestidade, busco honrar com minha palavra acima de tudo, por isso a falta de verdade me tira do sério. Na cultura japonesa, a palavra é muito importante e tento sempre levar essa máxima comigo. Perder a confiança para um japonês é uma desonra. 

De que maneira você lida com a concorrência? 

Acho que a concorrência estimula a competitividade saudável e quem mais ganha com isso é o público, que terá empresas cada vez mais motivadas a oferecerem o melhor. Procuramos melhorar a qualidade de nossos eventos e estamos sempre analisando como os outros estão se movimentando. Em alguns casos fazemos parcerias tanto no Brasil quanto  no exterior com o objetivo de melhorar nosso produto final. 

Como analisa o cenário político brasileiro atualmente?

Estamos passando por um momento complexo. O Brasil estava em rumo de volta do crescimento, entretanto a crise política está influenciando negativamente a economia, e isso é ruim para todos.  Além disso, estamos vendo muito radicalismo tanto da esquerda quanto da direita, e esse não é o caminho. O Estado não pode ser visto como um “Agente mágico” que vai resolver todos os problemas e acreditar na teoria de um salvador da pátria é pior ainda. Os brasileiros precisam entender que ou fazemos reformas estruturais agora ou seremos forçados a fazer todas em cinco ou dez anos.  Portugal, Espanha, Colômbia e Grécia fizeram sua lição de casa, precisamos fazer a nossa. 

Para finalizar, o que espera do futuro?

Tenho o privilégio de conversar com muitos estrangeiros, que percebem no Brasil uma terra de oportunidades, onde vários projetos podem ser desenvolvidos.  A população brasileira cresce, e o País se desenvolve, apesar dos problemas estruturais. Fico impressionado quando vejo que muitas vezes eles sabem mais sobre nossas potencialidades do que nós mesmos. Acho que não podemos ceder a essa onda de negativismo, precisamos ser resilientes. Existe uma frase do Presidente John Kennedy que é dura, mas é verdadeira: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país”. As iniciativas privadas têm que ter a primazia no País. 


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