28/05/2020 03:40
A força das entidades representativas do setor de Turismo no enfretamento à pandemia
A mudança nos hábitos demarcará diferentes interações e procedimentos das pessoas


Incertezas mais comuns nos dias atuais dizem respeito ao retorno do mundo após o COVID-19. A mudança nos hábitos demarcará diferentes interações e procedimentos das pessoas.

As medidas necessárias para evitar o avanço do coronavírus - o fechamento de fronteiras, espaços de entretenimento, comércio, fábricas, escolas e outros segmentos - no tempo presente, impactam os sistemas produtivos.

Diante disso, instituições privadas que trabalham com os setores de Turismo e Eventos do Ceará -  Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo CE/ Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (CETUR), SINDIEVENTOS CE, Associação Brasileira da Indústria de Hóteis (ABIH CE), Câmara Setorial de Turismo e Eventos, Visite Ceará/Fortaleza Convention & Visitors Bureau (FCVB), e Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc CE) criaram um Comitê Estratégico, em março do corrente ano, para traçar ações a fim de minimizar os efeitos negativos pelos quais sofrem as empresas e o setor em geral na atual conjuntura de pandemia.

Ressalta-se, neste contexto, que o setor de Turismo e o segmento de Eventos foram os primeiros a sentirem os efeitos negativos causados pelo fechamento de fronteiras e, consequentemente, cancelamento de viagens e eventos de todas as categorias, negócios, sociais, esportivos, encontrando-se totalmente paralisados, porém buscando se reinventarem.

Ocorreu uma queda vertiginosa na receita das empresas e não há previsões de receita no semestre. Dados apurados junto às empresas indicam uma taxa de cancelamento de viagens de 85% no mês de março de 2020. Somente no âmbito dos Eventos, após uma pesquisa interna com associados do Sindieventos, Abeoc e FCVB, constatou-se que, a paralisação, no primeiro semestre de 2020, deixou de injetar 173 milhões de reais em nosso Estado e impactou em 10.800 empregos suspensos ou em vias de cancelamento de contrato de trabalho, devido ao adiamento e ao cancelamento dos eventos agendados. Haja vista, o Centro de Eventos do Ceará, o maior espaço de feiras e eventos de negócios do Estado, que teve sua agenda esvaziada até julho deste ano.

Esta é a maior crise já vivenciada pelo setor na era atual.  Prevê-se um alto índice de atividades encerradas entre as empresas relacionadas ao turismo, sobretudo as micro e pequenas da cadeia produtiva. Nesse viés, fica patente a intersetorialidade das atividades produtivas, pois a falta de produção e comercialização de produtos e serviços atinge a todos. Sem mecanismos de ajuda mútua, valorização dos produtos, serviços e empresas cearenses, não teremos êxitos para a superação da crise instalada.

O novo mundo pós-pandemia terá que se preocupar, cada vez mais, com o tripé: econômico, social e ambiental de modo integrado e articulado. Novas profissões e a extinção de alguns serviços também são realidades nessa configuração do mundo dos negócios pós-pandemia.

Neste cenário, ganham em importância a necessidade de se apoiar as empresas do segmento do turismo, que é hoje, sem sombra de dúvidas, o carro-chefe da economia cearense, que teve o seu alcance expandido pela ampliação dos voos nacionais e internacionais, que tornaram o nosso estado uma das principais pontes entre os outros estados brasileiros, em especial do Norte e Nordeste, com a Europa.

Só para se ter dimensão da relevância do turismo para a economia, basta lembrar que sua cadeia produtiva é capaz de congregar e mobilizar trabalhadores e empreendedores de mais de 50 atividades produtivas, como hospedagem, transporte, comércio, bares e restaurantes, confecção, receptivos turísticos, empresas de evento, indústrias de alimento e bebidas e variadas atividades da área da economia criativa, entre outras. Uma cadeia produtiva que em sua grande maioria é formada por micro e pequenas empresas que geram altas taxas de negócios e milhares de empregos diretos e indiretos. 

Além disso, o turismo é um segmento reconhecido (principalmente nos países desenvolvidos) por adicionar rapidamente dinheiro novo no comércio, nos transportes, na cultura, na gastronomia, dentre outros. Diante disso, é importante a mobilização das lideranças empresariais, do poder público e da sociedade civil ligadas ao turismo como agentes e cocriadores do novo momento porvir, direcionando propostas aos governos e ao sistema financeiro, objetivando a definição e a implementação de medidas que ajudem os empreendedores, durante o momento atual e na futura retomada da economia.

Enquanto isso, continua-se na travessia...e o Comitê Estratégico de Turismo e Eventos persevera costurando novos acordos, interlocuções entre as instâncias e os representantes das instituições, zelando pela estabilidade das empresas e de seus trabalhadores. O trabalho é de muitos, mas a responsabilidade maior cabe aos representantes dos colegiados por darem voz aos que fazem a base de nossa economia, formando opinião e tomando as decisões com lucidez e assertividade.

 

Circe Jane Teles da Ponte                                               

* Presidente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade – CETUR CE/ Fecomércio CE                                       

* Presidente do Sindieventos CE            

Joaquim Cartaxo

*Vice-presidente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade – CETUR CE / Fecomércio CE   

*Superintendente do Sebrae CE

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