Vítimas da seca recebem água contaminada no Ceará

Procurador cobra solução na contaminação da água fornecida as vítimas da seca no interior do estado, 70 amostras confirmam presença da bactéria Escherichia coli e de Giárdia

Postado 17/05/2013 | 11:48
A realidade das famílias atingidas pela maior seca dos últimos 50 anos no interior do Ceará é além de dura, motivo de intervenção da justiça pública.

A Procuradoria da República através do procurador Alexandre Meireles, apura como vem vendo sendo feito o abastecimento de água à população afetada pela seca. 

O procurador, convocou nesta última quinta-feira (16), o Exército, Defesa Civil e a Secretaria de Saúde, para discutir como evitar que a água contaminada seja servida à população, através dos carros-pipa no interior do estado.

De acordo com relatório da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), parte da água distribuída não é própria para o consumo. 

Apenas 28 cidades dos 152 municípios cearenses, utilizam veículos carro-pipa cadastrados no Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), órgão responsável por monitorar a qualidade da água para o uso humano. 

Análise

377 amostras de água foram colhidas dos caminhões-pipa e sofreram análise microbiológica. 
155, (41%), destas não se encontravam em padrões adequados ao consumo; o agravante foi a comprovação da presença da bactéria Escherichia coli, em 70 amostras analisadas. O estudo comprova ainda a presença do protozoário Giardia lamblia, que provoca infecções intestinais.

Falta d’água

Segundo Nelson Martins, do Desenvolvimento Agrário, quase não existe água potável no Ceará, principalmente na região dos Inhamuns. “Em Crateús, por exemplo, temos muitas dificuldades para encontrar água tratada”, relatou.
Segundo ele este seria o motivo pela qual, as prefeituras estão em estado de emergência recorrendo a mananciais superficiais.

De acordo com Gláucia Norões, supervisora do Núcleo de Vigilância Ambiental e Proteção à Saúde, vinculado à Sesa, estes açudes só possuem água apta para o uso industrial ou pesca, porém jamais para consumo humano. “Essa água só poderia ser usada se fosse tratada previamente, o que não acontece”, justifica a supervisora.

“Quem indica o reservatório é a prefeitura local, que dá um laudo de potabilidade para o Exército (responsável pela captação e transporte dos carros-pipa) se certificar da qualidade da água”, explicou Nelson Martins.

“Eu gostaria muito de ver um laudo ( de potabilidade) desses, porque nunca vi”, questionou Gláucia Norões.


O Exército disse que não falaria sobre a contaminação da água distribuída aos municípios por carros-pipa. 


Cidades abastecidas

Abaixo as cidades que realizaram as análises microbiológicas feitas pela Sesa nos locais onde existe o monitoramento dos carros-pipa. 

Araripe, Arneiroz, Capistrano, Canindé, Caridade, Crato, Dep. Irapuan Pinheiro, Hidrolândia, Ipu, Ipueiras, Itaiçaba, Itatira, Jaguaretama, Lavras da Mangabeira, Limoeiro, Morada Nova, Nova Russas, Ocara, Palhano, Palmácia, Parambu, Potiretama, Quiterianópoles, Redenção, Santana do Cariri, Tabuleiro do Norte e Tauá.



Conclusão

As análises elaboradas pelos técnicos da Sesa, comprovam que a água servida as vítimas da estiagem, não atende o controle de qualidade.

Orientação

Segundo a médica Ana Débora Matos, para evitar a contaminação, deve-se evitar o contato dos alimentos com esta água imprópria; “Os alimentos devem ser muito bem cozidos e principalmente a água que será servida para beber deverá ser mineral ou muito bem fervida, e após a fervura ainda deverá ser filtrada, garantindo assim uma melhor qualidade a pessoa”, a médica lembrou “ a água utilizada por crianças e pessoas de idade deve ter atenção e cuidados especiais”.

Comentários