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Família de paciente trans cobra uso de nome social no HGF

Meury dos Santos Ferreira foi internada na unidade após sofrer infarto. Sobrinho questiona atendimento prestado por funcionários
Postado em 10/02/2020 | 14:00
Foto: Reprodução/GMaps

A auxiliar de serviços Meury dos Santos Ferreira (32) foi internada no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), na última quinta-feira (6), após sofrer um infarto. Mulher trans, a paciente ainda não fez a mudança de gênero e nome nos documentos de identificação. Ainda assim, prefere ser reconhecida pelo nome feminino, o que não foi atendido pelos funcionários da unidade de atendimento, segundo o sobrinho e acompanhante da paciente, Gabriel Silveira.

Moradora do bairro Antônio Diogo, em Redenção, Meury foi trazida para Fortaleza em estado de emergência. O primeiro atendimento foi no HGF. "Pedi para ela [Meury] ser chamada assim, só que não aceitaram", lamentou. "Faz parte do tratamento, você está numa situação ruim e é chamado de ele, pelo nome de registro, é péssimo", explica. "Esse tratamento humanizado pode trazer uma recuperação mais efetiva no tratamento. Você ser reconhecida como cidadã, com a sua identidade, é essencial para qualquer ser humano. O nome é uma das primeiras coisas que a gente aprende, é algo muito valioso", completa. 

Procurado, o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) confirmou a situação. "A paciente Meury dos Santos Ferreira deu entrada na emergência da unidade às 16h31 do dia 06/02, mas não chegou até a triagem. O HGF pede desculpas pelo ocorrido no momento do cadastro da paciente, que foi realizado usando o nome que consta em seu RG. O hospital reforça que vai redobrar a atenção para que situações como essas não voltem a se repetir." 

Em julho do ano passado, o Governo do Ceará sancionou lei que garante o uso de nome social nos atos e procedimentos do poder públicos, incluindo a Saúde. "O direito ao nome social será exercido nos registros e no preenchimento de fichas de cadastros, prontuários, formulários e documentos congêneres, no envio e recebimento de correspondências, na manutenção de registros e sistemas de informação, bem como na forma usual de tratamento", diz trecho da lei publicada no Diário Oficial do Estado. 

Após receber atendimento no HGF, Meury foi transferida para o outro hospital público. Na unidade, a paciente foi respeitada, afirma Gabriel. "Eles aceitaram melhor. O médico, na hora que me pediu informações, solicitou o nome social dela", conta o sobrinho. Ainda segundo o familiar, Meury recebe atendimento na enfermaria feminina. 

Leia a nota do HGF na íntegra:

O Hospital Geral de Fortaleza (HGF) informa que tem como princípio servir aos cearenses com respeito e dedicação, o que faz ao longo de 50 anos de existência, sendo referência em 33 especialidades e 64 subespecialidades. A paciente Meury dos Santos Ferreira deu entrada na emergência da unidade às 16h31 do dia 06/02, mas não chegou até a triagem. O HGF pede desculpas pelo ocorrido no momento do cadastro da paciente, que foi realizado usando o nome que consta em seu RG. O hospital reforça que vai redobrar a atenção para que situações como essas não voltem a se repetir. O HGF é um hospital terciário, cujo perfil é o atendimento a casos graves, de alta complexidade. Com o compromisso de prestar assistência aos pacientes, o HGF garante o atendimento a todas as pessoas que precisam de cuidados médicos, seja em consultas, exames ou cirurgias, e trabalha de forma permanente, para ampliar e melhorar o acesso da população aos serviços de saúde.

 
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