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Estudante denuncia agressões atribuídas à seguranças da UFC

Vítima afirma ter sido alvo de violência física e psicológica dentro do Campus do Pici
Postado em 19/06/2019 | 16:46
A vítima relatou que a violência aconteceu no Campus do Pici, em Fortaleza. (Foto: Ribamar Neto/UFC)

Um estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará (UFC) denunciou ter sido alvo de violência por aproximadamente duas horas, no Campus do Pici, em Fortaleza. O caso aconteceu na última segunda-feira (17), quando foi abordado por seguranças patrimoniais da instituição. Um boletim de ocorrência foi registrado no 10º Distrito Policial, no bairro Antônio Bezerra. Durante a manhã de quarta-feira (19), a vítima fez exame de corpo de delito. 

A abordagem aconteceu na portaria da avenida Humberto Monte, quando o universitário foi ao campus para entregar a bicicleta que um amigo tinha emprestado. Um segurança teria gritado, pedindo identificação, "situação que se repetiu diversas vezes no decorrer da minha experiência com esse território", conta. O estudante afirma que a situação é comum com pessoas negras que frequentam a instituição. 

"Segui pedalando e um motoqueiro passou ao meu lado e jogou algumas vezes a moto na minha frente, desviando e com o mesmo pensamento eu segui. Neste momento tinha percorrido a rua ao lado da lagoa e me aproximava da rotatória próxima à biblioteca que estava bloqueada por um carro, uma moto e um exagerado número de seguranças", relembra. Ao ser parado, o universitário foi alertado que não poderia continuar. "[Os seguranças] apontavam o dedo na minha cara com truculência, violência verbal, expus meus motivos, que eu tinha o direito de passar, não sei quantos eram, mas eram muitos. Enquanto alguns gritavam, outros me cercavam e outros estavam distante da situação, colocavam as mãos pelo meu corpo, no meu ombro, outras nos meus pulsos. Em determinado momento levei uma chave de pescoço", completa o relato. 

Algumas pessoas ainda passaram ao lado, segundo a vítima, que pediu para não ser abandonada, mas os guardas teriam afastado as testemunhas. "No decorrer disso, me vi algumas vezes na escuridão daquele trecho apenas rodeado de seguranças. As violências continuavam, dedo na minha cara e vários empurrões. Me soltei deles e me joguei no meio da rua com objetivo de fechar o trânsito. A rua foi finalmente iluminada pelo farol. Pedi ajuda para as meninas que perceberam os abusos que estavam acontecendo. Pensei que naquele momento as violências diminuiriam, mas eles continuaram e gritavam para as meninas irem embora", conta.

A Polícia Militar ainda foi ao local e liberou o estudante, mas os guardas teriam mantido a perseguição com a saída dos agentes de segurança. Na Biblioteca Central, algemaram o universitário e o colocaram em um porta-malas. Em seguida, o jovem foi levado para uma sala. "Cheguei lá [na sala] ainda algemado, fui arrastado para um lugar com alguns armários e jogado na parede violentamente. Cai no chão depois de bater em um banco", relata. Um dos funcionários ainda teria feito pressão psicológica com uma arma de eletrochoque. 

Leia o relato na íntegra:

Foram procurados pelo Cnews

Durante a tarde, a Universidade Federal do Ceará (UFC) informou que entrou em contato com a Comissão de Direitos Humanos da instituição e foi avisada de que "a comissão temática étnico-racial está avaliando o caso". Posteriormente, encaminhou uma nota repudiando a violência: "A Universidade Federal do Ceará repudia qualquer prática de desrespeito à dignidade das pessoas e defende que a convivência no âmbito universitário – e fora dele – seja sempre pautada pelo respeito à diversidade, seja ela relacionada a etnia, raça, gênero ou qualquer outra forma. Essa posição da UFC é reafirmada pelas atividades desenvolvidas por sua Comissão de Direitos Humanos, que está apreciando o referido caso e, em tempo hábil, emitirá parecer que subsidiará as providências cabíveis". 

A Polícia Federal informou que "se a agressão foi durante o trabalho do funcionário público ou equiparado e a UFC comunicar, atuamos. A apuração da universidade é administrativa e nada tem a ver com a atuação da PF, que apura crime". 

A Polícia Civil informou que "um inquérito policial foi instaurado, no 27° Distrito Policial (DP) para investigar uma lesão corporal contra um homem, no bairro do Pici, Área Integrada de Segurança 6 (AIS 6). O fato foi registrado pela vítima, na segunda-feira (18), no 10° Distrito Policial. De acordo com as informações relatadas à Polícia Civil, a vítima foi agredida por seguranças privados de uma universidade da região. As apurações acerca do crime seguem em andamento". 

O Movimento Negro Unificado do Ceará divulgou nota afirmando se tratar "da recorrente omissão da UFC acerca de atos racistas praticados por pessoas da própria instituição sejam elas funcionários, estudantes ou professores". Ainda segundo o grupo, "o racismo institucional está presente nos locais que deveriam ser de acolhimento e igualdade". 

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