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Adoção: Mais de 80% dos menores não têm pretendentes

A pesquisa ainda aponta que das 91 crianças e adolescentes ativas e disponíveis no cadastro na capital, 75 estão acima dos 6 anos
Postado em 20/05/2019 | 17:15

A servidora pública Mauricélia de Melo Falcão e o aposentado José Diogo Falcão finalizaram no ano passado, o processo de adoção. (Foto: Defensoria Pública/Divulgação)

Levantamento do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) mostra que 82% das crianças disponíveis para adoção em Fortaleza não têm pretendentes. Todas elas integram a faixa acima de 6 anos, em regra, preterida pelos candidatos que preferem crianças menores. A pesquisa ainda aponta que das 91 crianças e adolescentes ativas e disponíveis no cadastro na capital, 75 estão acima dos 6 anos. 

Embora o dado estadual mostre que há 130 pretendentes disponíveis no Estado que aceitariam a faixa etária, o defensor público do Núcleo da Infância e da Juventude (Nadij) da Defensoria Pública do Estado do Ceará, Adriano Leitinho, explica que falhas no CNA mascaram a situação. “Hoje o Cadastro registra 733 pretendentes habilitados à adoção em todo o Estado. Destes, apenas 17% (130 candidatos) demonstraram, inicialmente, ter interesse de adotar crianças e jovens entre 08-17 anos acolhidos em abrigos institucionais. No entanto, quando há necessidade de localizar estes candidatos, é frequente visualizar que estes pretendentes ou já conseguiram adotar (embora ainda conste na fila) ou já não têm mais interesse. Isso se dá, principalmente, porque há uma grave falha de atualização do CNA, principalmente no interior do Estado”, explica.

A servidora pública Mauricélia de Melo Falcão e o aposentado José Diogo Falcão finalizaram no ano passado, com intermédio do Nadij, a adoção da adolescente de 13 anos, Rebecca Falcão. Desde os 7 anos em uma unidade de acolhimento, Rebecca passou pelo processo de adoção duas vezes. A primeira vez, aos 11 anos, ela foi devolvida. “Minha filha passou por muita coisa, mas assim como um bebê que vem biologicamente, não podemos escolher quem virá fazer parte da nossa família. Recebemos a Rebecca de coração aberto, mesmo com toda a história que ela já trazia e cuidamos dela com amor”, diz Mauricélia.

Em todo o Ceará, existem 267 crianças e adolescentes cadastrados no CNA, destas 192 (71,91%) estão na faixa etária dos 6 aos 17 anos, que é considerada tardia. Não existe um conceito formal para identificar uma adoção como tardia, mas, em regra, ela é considerada tardia quando o adotado (no caso, a criança ou adolescente) já possui a percepção de si, do outro e do mundo.

O defensor reforça que é necessário trazer à discussão, principalmente pela situação dos adolescentes. “Quando falamos de adoção, é comum completarmos com o termo ‘de criança’, já é difícil os adolescentes serem mencionados. Eles ficam esquecidos até na palavra, mesmo os direitos sendo estendidos a eles. Precisamos mostrar a sociedade que existem adolescentes que precisam ser adotados, que existem unidades de acolhimento, em Fortaleza, integradas somente por eles. É preciso reforçar que  eles existem e estão no aguardo de uma família”, completa.

 

 
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