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Mulheres assumem comando de facções e viram alvo de rivais

Conforme o Conselho Penitenciário do Ceará (Copen), 40% das internas do sistema prisional, pertencem às organizações criminosas
Postado em 06/07/2018 | 14:26

Foto: Arquivo/CNEWS

Elas se aproximam por intermédio, muitas vezes, dos companheiros. São jovens entre 25 e 35 anos, que começam levando encomendas aos presos, mas acabam batizadas e posteriormente, líderes das organizações criminosas que representam. A vida delas, porém, não é festa e glamour, como um roteiro de novela. Durante este ano, inúmeros vídeos de execuções e brigas de mulheres que seriam ligadas às facções, foram compartilhados nas redes sociais. 

Para o presidente do Conselho Penitenciário do Ceará (Copen-Ce), Cláudio Justa, "as mortes são motivadas pelas razões que matam também os homens: Conflito e disputa dentro da organização e com rivais". O envolvimento delas com o crime organizado não é novidade, porém, o número de mulheres que ascendem cresceu bastante. "Agora elas assumem mais responsabilidade, consequentemente, aumenta o risco", explicou o presidente. 

"Antes as mulheres tinham um papel mais acessório nas facções, hoje o engajamento é maior. Então elas viram alvo dos rivais, tal qual os homens", disse Justa. Como estão mais envolvidas, também ficam vulneráveis aos "ajustes de contas decretados pela própria facção", completou. 

As mortes são feitas com requintes de crueldade e se tornam espetáculo não somente para os integrantes do crime organizado, mas para a sociedade em geral. Com a internet, os vídeos das execuções se tornam virais. Mãos e pernas amarradas, agressões físicas e verbais, corte de cabelo, até a morte ser concretizada. Conforme a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o número de mulheres mortas no Ceará cresceu 105,1% este ano. O número, no entanto, considera todos os Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) contra o gênero feminino. 

Presídios 
A guerra se estende para o interior das unidades prisionais. Atualmente, segundo relatório do Copen-Ce, 1.589 mulheres estão presas no Estado do Ceará. Destas, 40% são ligadas às facções que agem no Ceará. A maior parte está no Instituto Penal Feminino Auri Moura Costa, em Itaitinga, onde mil internas estão.

A realidade do presídio não é diferente das CPPLs. Como acontece nas unidades destinadas aos homens, o Auri Moura Costa foi dividido por facções. De acordo com Cláudio Justa, quatro grupos atuam na penintenciária, sendo a maioria ligada ao Comando Vermelho. "Algumas ocupam a função de liderança. Na maior parte, em associação com o companheiro", explicou o presidente. 

"Uma das funções da pena é a prevenção delitiva. Sem controle dos espaços prisionais, o Estado perde também o controle displinar. Sem o controle displinar, não há inibição das atividades delitivas. Assim, a prisão se torma estimuladora do crime, em vez de o prevenir. Sem prevenção criminológica, a prisão perde a sua função social", lamentou. 

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