NOTICIAS | POLÍCIA

Morte de mulheres cresce 105,1% em 2018

Suspeito de matar Stephanie Brito (22), primeira vítima no ano, segue foragido e família cobra explicações
Postado em 18/06/2018 | 16:23

Stephanie Brito foi morta e seu corpo foi levado na garupa de uma motocicleta, até um matagal. (Foto: Arquivo pessoal)

A violência contra mulheres não é algo novo. Diariamente são noticiados casos de agressão verbal, física e até assassinatos. Na última semana, quatro foram assassinadas no Ceará, mas este ano, 201 Crimes Violentos Letais contra pessoas do gênero feminino foram registrados pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Stephanie Brito (22), foi a primeira mulher a ser morta no ano. O assassino, cinco meses depois, ainda está foragido. 

"Não temos novidades ainda", lamenta Rosilene Brito, mãe da jovem, que está preocupada com o andamento da investigação. "Eu acho que não tão fazendo nada. Só Deus vai me dar essa vitória", desabafa. A família já realizou caminhada, apareceu em programas de TV e jornais, mas nenhuma resposta foi dada até o momento. "Ele [suspeito] continua solto e a Polícia só diz que está trabalhando, mas fica a pergunta: Se trabalha, por quê não diz nada para os familiares? E não encontra o marginal?", completa. 

O suspeito, identificado como Francisco Alberto Nobre Calixto Filho (24), era próximo da vítima. Os dois tiveram um relacionamento conturbado, segundo o relato de uma amiga da jovem. Agressões feitas em vida e após a morte. Após matar a mulher, ele carregou o corpo na garupa de uma motocicleta e jogou em um matagal. Um mês após o brutal assassinato, surgiu a desconfiança que o nome de Stephanie era usado fazer dívidas. A situação foi confirmada, mas já foi resolvida. "Existia um comércio no nome dela, mas o pai [de Stephanie] já entrou em contato com a Receita Federal e conseguiu tirar o nome dela. Conseguimos uma vitória, pois foi difícil mudar por conta de uma dívida de sonegação de impostos", explica. 

Como Stephanie Brito, outras mulheres foram alvo da violência de gênero no Ceará. No domingo (17), Ana Quezia do Nascimento Lira (27), estava na garupa de uma motocicleta, quando foi atingida pelo carro do ex-companheiro, em Pedra Branca. O homem fugiu, mas foi preso horas depois. No dia anterior, mãe e filha foram encontradas mortas dentro de casa, em Fortaleza. Os cadáveres foram localizados após vizinhos sentirem um forte odor na residência. A Polícia Civil já tem um suspeito identificado e segue com os trabalhos para localizá-lo e detê-lo. Na sexta-feira (15), Talitha Mendes de Lima (18), foi assassinada em Horizonte, quando se preparava para amamentar a filha de 11 meses. Sobre os dois últimos casos, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), informou que são realizadas investigações. 

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Números 

Conforme o levantamento da SSPDS, houve aumento de 105,1% no número de mulheres mortas no Ceará, durante este ano. Os dados correspondem ao período entre janeiro e maio, quando 201 pessoas do gênero feminino foram assassinadas. Em 2017, considerando os mesmos meses, 98 vítimas fatais tinham sido registradas pelo Estado. 

Feminicídio 
Segundo a presidenta da Comissão da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE), Manuela Praxedes, feminicídio é um crime previsto no Código Penal Brasileiro desde 2015, e tem características específicas. "É um homicídio qualificado. É a morte de mulheres por serem mulheres", diz. A pena, porém, pode variar conforme a situação: durante a gestação, três meses depois do parto, contra menor de 14 ou maior de 60 anos, ou na presença de familiares (ascedentes ou descendentes). 

"O número alarmante sobre o aumento das mortes de mulheres muito nos revela o tanto e o quanto nós somos alvos de toda uma cultura machista, patriarcal, reaça e misógina. Vivemos no século vinte e um, mas ainda se faz necessário lutar para encontrar visibilidade, vez e voz", comenta Videl Duarte, militante e integrante do Frente Favela Brasil-Ceará. "É necessário o poder público encarar as causas das mulheres com mais seriedade, Não há mais como invisibilizar o problema. Precisamos  agir sobre esses dados, é necessário um real enfrentamento a essa onda de violência", explica. "E mais do que isso, é preciso que exista um diálogo com coletivos e movimentos de mulheres espalhados e resistindo pelo país", pede a militante. 

 

 
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