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Gisele entra para lista de vítimas de abordagens desastrosas

A estudante ainda foi socorrida, mas não resistiu ao disparo nas costas
Postado em 12/06/2018 | 18:26

A estudante de administração Gisele Távora (42), trafegava em um veículo com a filha de 17 anos, na avenida Oliveira Paiva, no bairro Cidade dos Funcionários, quando o carro dela foi confundido pelos policiais militares com o de assaltantes. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a mulher recebeu voz de parada, mas desobedeceu. Ainda de acordo com a nota, um dos PMs efetuou tiros contra o pneu do automóvel, mas acertou Gisele nas costas. Versão negada pela filha da universitária, que negou a abordagem. Socorrida, não resistiu ao disparo e faleceu. Com o óbito, Gisele entra para a lista de pessoas baleadas e mortas durante abordagens policiais no Ceará. 

Em setembro de 2007, a caminhonete preta ocupada por dois casais de turistas que tinham chegado a pouco tempo a Fortaleza, foi confundida com um veículo usado por bandidos que haviam roubado um caixa eletrônico. Os tiros foram disparados na Avenida Raul Barbosa, na Aerolândia. O veículo dos turistas foi atingido por 25 disparos. O motorista da Hilux, o italiano Inocenzo Brancatio (39), teve o antebraço fraturado por dois disparos. A mulher dele, a brasileira Denise Campos, teve escoriações no joelho direito. O casal de amigos espanhois que também estava no veículo, também foi baleado. O homem teve a coluna cervical atingida e ficou paraplégico, a esposa dele saiu ilesa. À época, os policiais alegam que pediram duas vezes para o carro parar. Como não foram atendidos, abriram fogo contra a Hilux. Os turistas, no entanto, afirmaram que os policiais chegaram atirando. 

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Em novembro de 2010, o ex-policial do Ronda do Quarteirão, Yuri da Silveira, foi expulso da Polícia Militar, meses após atingir a nuca do jovem Bruce Cristian (14), quando estava na garupa da motocicleta do pai, na avenida Desembargador Moreira, no bairro Dionisio Torres, em Fortaleza. O adolescente trafegava com o pai, quando passaram pela viatura do Ronda. O pai, Francisco das Chagas de Souza Oliveira, não parou a moto e o policial atirou contra eles. O crime chocou a população, principalmente pelas imagens do desespero do pai ao ver o filho morto. Yuri foi levado a júri popular por homicídio duplamente qualificado (motivo fútil e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima) e lesão corporal contra o pai do adolescente. A denúncia do Ministério Público alegava que a morte do adolescente decorreu de ação imprudente e precipitada por parte do ex-policial, que morreu atropelado no ano passado. 

Outra abordagem aconteceu em janeiro de 2013, durante tiroteio em uma festa de pré-carnaval, no bairro Ellery. Segundo testemunhas, policiais do Ronda do Quarteirão chegaram ao local após ocorrência envolvendo o alto volume de um paredão de som. Como o proprietário do veículo teria se recusado a diminuir o volume, aconteceu uma briga. No tumulto, populares jogaram pedras na viatura. Os tiros foram feitos por um subtenente do Ronda do Quarteirão, que disparou para o alto e depois contra um grupo de pessoas. Ingrid Maiara Oliveira Lima (18), foi baleada nas costas e na nuca, morrendo na hora. Igor Andrade (16), ainda foi socorrido, mas não resistiu. Três pessoas ficaram feridas. 

Em abril deste ano, José Isaac Santiago da Silva (6), morreu após confronto entre policiais e criminosos no bairro Bom Jardim, em Fortaleza. A tia do garoto, que acabou presa com a companheira, teria usado a criança como escudo humano. A notícia chocou os familiares do menino.


Amiga de Gisele falou sobre a universitária, morta por um PM. (Foto: Reprodução/TV Cidade)

"Uma amiga para todas as horas", diz amiga de Gisele 
Quem estudava com Gisele Távora, a definia como uma mulher cheia de vida, sonhos e projetos. No velório da mulher, em uma funerária na Aldeota, em Fortaleza, o que se via no olhar de quem conhecia a vítima de um disparo efetuado por um policial militar era dor. A advogada Cláudia Cristofani era amiga da estudante de administração. Emocionada, disse ao Jornal da Cidade que Gisele era "uma amiga para todas as horas". 

O corpo da mulher será sepultado na manhã de quarta-feira (13), em um cemitério no bairro Passaré, em Fortaleza. Antes do enterro, uma missa para familiares e conhecidos, será celebrada. 

 

 
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