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Gravações exclusivas denunciam possível negligência do IJF

Funcionária da unidade desabafa sobre atendimento a Rauã: “Até os médicos estão estranhando porque evoluiu tão rápido”. Diálogo que prova que quadro clínico era grave
Postado em 11/01/2017 | 20:20

Foto: Arquivo pessoal

Duas conversas gravadas pelo advogado que representa a família de Diego Rauã Silva dos Santos (9), Gaudenio Santiago do Carmo, mostram que até os funcionários do Instituto Dr. José Frota (IJF), surpreenderam-se com a rápida piora da infecção, que resultou na morte do garoto, após 6 dias esperando por atendimento. O material foi obtido com exclusividade pelo Portal Cnews. Uma das conversas foi gravada antes da criança morrer, quando o pequeno Rauã ainda estava na unidade de atendimento. Na segunda gravação, a funcionária ligou para o advogado para comunicar o óbito. 

A funcionária, que não será identificada, afirma na gravação que o corpo médico da unidade, estranhou como o quadro clínico dele piorou tão rapidamente: "Até os médicos estão estranhando porque que evoluiu tão rápido para uma infecção" (Confira os diálogos na íntegra, abaixo). 

O garoto sofreu uma queda, e após receber atendimento no Hospital Distrital Maria José Barroso de Oliveira, o Frotinha da Parangaba, foi transferido para o IJF. Ocorre que o menino só foi submetido a uma cirurgia de emergência na fratura do braço, cinco dias depois de dar entrada no hospital. Após o procedimento, tardio, uma ele obteve uma infecção em um dos braços. Novo drama, a criança precisou ser submetida a uma segunda cirurgia, desta vez, para amputação do membro. Horas depois, morreu na sala de recuperação do hospital. “Eu particularmente nunca tinha visto uma situação dessa”, desabafou a mulher. 

Ainda segundo a funcionária, o médico, identificado apenas como Eduardo, teria conversado bastante com a mãe, antes da cirurgia: “Tinha que amputar, pra pelo menos tentar salvar”. O advogado rebateu: “A questão é que a criança entrou aqui com o braço quebrado e vai sair sem o braço”, mostra o diálogo entre advogado e funcionária.

Ainda na primeira conversa, o representante da família tinha afirmado que precisaria do prontuário  para entender o que estava acontecendo com a vítima: “Mas alguém… Depois… Alguém tem que se responsabilizar por isso. Ou foi o hospital, ou foi algum médico”. A funcionária completou: “Ou foi algo preexistente”. “Exatamente! Quer dizer, ou foi algo que ninguém do corpo médico descobriu”, respondeu o advogado. “Assim, eu particularmente nunca tinha visto uma situação dessa”, disse a funcionária. 

Segundo a mãe de Rauã, Daliete Souza, o garoto contraiu uma bactéria pela demora na cirurgia do trauma, por isso precisou ter o braço amputado. Mesmo depois da amputação, a infecção se espalhou por todo o organismo do garoto. Porém, segundo o advogado, Gaudencio Santiago, o garoto teve uma infecção generalizada ocasionada pela demora no atendimento. Esta infecção, que necrosou o braço da criança, tomou conta do corpo, resultando no óbito.  

Após a morte, a funcionária entrou em contato com o advogado para comunicar o óbito. O advogado, por sua vez, solicitou uma cópia do prontuário de Rauã, o que foi negado pela funcionária:  “A cópia do prontuário tem que ser pedida judicialmente”, disse. Além da burocracia, a servidora afirmou que naquele horário, não havia nenhum funcionário que pudesse ajudar. “Todo o setor que atende a essa burocracia, o expediente encerra às cinco. Amanhã o senhor pode se deslocar ao hospital”, explicou. 

A declaração foi feita após o advogado alertar sobre a ilegalidade que o hospital estava cometendo. Como o hospital não disponibilizaria o documento, o representante resolveu encerrar a ligação. 

Procurado, o IJF informou que as informações obtidas até o momento indicam que todas as condutas adotadas pelo Hospital e seus profissionais estão de acordo com as rotinas de atendimento, no entanto, o IJF vai reavaliá-las para fazer a devida apuração. O hospital não quis comentar sobre a bactéria adquirida pela vítima, ainda no hospital. Já  Frotinha da Parangaba não se manifestará sobre o caso. 

Confira os diálogos na íntegra abaixo:

 

 
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