15/09/2019 08:47
A AGRICULTURA FAMILIAR COMO A BASE FUNDAMENTALISTA PARA O AGRONEGÓCIO

Alguns profissionais costumam criar argumentos demonstrando um antagonismo funcional entre o agronegócio e a agricultura familiar, como por exemplo, a própria produção em grande escala em oposição aos pequenos produtores, grandes fazendas contra assentamentos, os conceitos de agricultura intensiva contra a natureza. Daí podemos puxar outras vertentes como informes sobre transgênicos, defensivos agrícolas, antibióticos, bem-estar dos animais e outros.

Porém não enxergo antagonismos funcionais entre os grandes produtores e os pequenos, mas sim uma sinergia estrutural e econômica.

A palavra “agronegócio” vem do termo em inglês “agribusiness”, o qual expressa um marco conceitual delimitador da montagem dos sistemas integrados que agrupam a produção de alimentos, fibras e bioenergia.

Falando um pouco de história, remontaremos a 1957, quando o professor Ray Goldberg, da Universidade de Harvard, chegou à conclusão que a agropecuária não é um segmento isolado da economia, mas sim uma base fundamental para as cadeias integradas de valor do agronegócio, que contempla segmentos industriais e de serviços.

Logo, verificamos que o agronegócio se origina no melhoramento genético de plantas e animais e tem seu final no consumo dos seus produtos finais: alimentos, bebidas, roupas, etc. Por tanto, a simbiose entre as cadeias do agronegócio, se torna uma exigência básica para a sobrevivência entre todos os produtores agropecuários, independente de serem grandes ou pequenos, constituídos por grandes corporações ou apenas por famílias, proprietários formais ou assentados.

Constata-se que independentemente da escala, a importância para a sobrevivência do negócio agropecuário, reside na sua forma de integração e na sua eficiência.

Boa parte das grandes empresas de agronegócios de hoje é originada de bases familiares rurais.

Não conseguimos encontrar conflitos entre os modelos de produção. O que enxergamos é uma total interação que se materializa pela evolução de conceitos de escalas produtivas, bem como de expansões de mercados.

 Entendemos então que a agricultura familiar se configura como um elemento central do agronegócio, pois representa boa parte da totalidade da nossa produção agropecuária: 84% da farinha de mandioca, 97% do fumo, 67% do feijão, 58% da carne, 52% do leite, 49% do milho, 40% das aves e ovos, 32% da soja e 31% do arroz.  Tais dados estatísticos foram retirados do antigo Censo Agropecuário 1995/96.

Conforme o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o Brasil exporta uma ordem de US$ 30 bilhões e importa apenas US$ 3,2 bilhões em produtos do agronegócio. A participação do agronegócio nas exportações brasileiras cresceu em março 1,5%. Já as importações diminuíram 5,3% em comparação com o mesmo mês de 2018. Os cinco principais segmentos exportadores do agronegócio brasileiro foram: complexo soja (US$ 3,98 bilhões; 46,0% do valor exportado); carnes (US$ 1,23 bilhão; 14,3% do valor exportado); produtos florestais (US$ 1,10 bilhão; 12,7% do valor exportado); café (US$ 467,39 milhões; 5,4% do valor exportado); complexo sucroalcooleiro (US$ 392,70 milhões; 4,5% do valor exportado).

Os dados do Censo Agropecuário de 2006 demonstram que 84,4% do total dos estabelecimentos agropecuários brasileiros são pertencentes a grupos familiares, onde a metade deles reside na Região Nordeste.

De acordo com o estudo, ela constitui a base econômica de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes; responde por 35% do produto interno bruto nacional; e absorve 40% da população economicamente ativa do país. Ainda segundo o Censo, a agricultura familiar produz 87% da mandioca, 70% do feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz e 21% do trigo do Brasil. Na pecuária, é responsável por 60% da produção de leite, além de 59% do rebanho suíno, 50% das aves e 30% dos bovinos do país. A agricultura familiar possui, portanto, importância econômica vinculada ao abastecimento do mercado interno e ao controle da inflação dos alimentos consumidos pelos brasileiros.

Com essas informações esperamos ter dado uma noção da dimensão sobre a importância da agropecuária sobre a nossa economia e assim, procuramos solidificar o conceito de que há uma relação direta e vital entre a agricultura familiar e o agronegócio.    

08/09/2019 08:43
GOVERNO FEDERAL INAUGUROU O OBSERVATÓRIO DA AGROPECUÁRIA BRASILEIRA.

Foi inaugurado nesta quinta-feira (5), na sede do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o Observatório da Agropecuária Brasileira. Tal ferramenta se destina a fornecer aos gestores acesso às informações de forte teor estratégico para a tomada de decisões, por parte dos produtores, bem como permitirá a elaboração de políticas públicas para o setor agropecuário.

O observatório tem a capacidade de integrar vários dados, que atualmente estão espalhados em vários setores do MAPA, o que ajudará aos gestores a montar estratégias que possam ter efeitos com focos principais nos pequenos produtores.

Seu desenvolvimento foi realizado em parceria com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O observatório é uma integração de 18 Projetos Estratégicos da gestão atual do MAPA, os quais objetivam ampliar a competividade e a produtividade da agropecuária brasileira. Tais projetos possibilitarão a identificação dos riscos de perdas de mercados, apontarão os desafios concernentes aos custos de produtores, exportadores e do Estado. Bem como classificarão os problemas sociais e ambientais no campo.

TECNOLOGIA EMPREGADA

O observatório conta com tecnologia de ponta, e possui seu funcionamento acontecendo em uma sala de situação interativa que está instalada na Secretaria de Inovação, instalada no edifício-sede do MAPA. No local será possível cruzar diferentes bases de dados sobre agropecuária, os quais serão expostos em um painel avançado de Inteligência (Business Inteligence).

No espaço de interação existem 12 telas de vídeo integradas, comungadas com recursos de interligação de dispositivos móveis, além de computadores e videoconferências. São várias informações que serão disponibilizadas, entre elas, teremos imagens de satélites, dados econômicos, comerciais e de produção nacional.

A grande expectativa é que o observatório, no futuro, alimente agentes públicos, de dados produzidos por outras instituições como: a Agência Nacional de Águas (ANA) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e disponibilize acesso ao público externo por intermédio de uma plataforma na web.

REFLEXÃO

A tecnologia como ponte para a informação, permitirá ao produtor, ser mais preciso para extrair melhores resultados de suas culturas. De uma forma ampla, desejamos para todas as regiões do país que as suas respetivas secretarias, aproveitem as informações para apoiar mais ainda o produtor em suas estratégias de campo e comerciais.  

01/09/2019 02:31
A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO E DO GERENCIAMENTO DE CUSTOS NO AGRONEGÓCIO, PARA SE ATINGIR OS RESULTADOS ESPERADOS.

Planejar e gerenciar, são geralmente tarefas pouco praticadas entre os produtores rurais, e que exigem muita disciplina. São essenciais para o sucesso do negócio, tendo em vista todos os investimentos necessários para se fazer girar a produção.

Todos sabemos que a produção agrícola está exposta a variáveis não controláveis como fatores climáticos e fatores mercadológicos de grande volatilidade.

Esse conjunto de situações, obriga ao empresário rural a possuir, além de uma excelente gestão técnica em sua produção, um aprimorado planejamento e controle quase cirúrgico de todas as suas despesas, dos seus custos e de suas receitas.

Meu amigo produtor, vamos falar um pouco, sobre como se pode atuar para se ter esse planejamento e esse controle em suas mãos.

 

O Primeiro passo é o PLANEJAMENTO

O Planejamento agrícola é de longe, uma das principais ferramentas utilizadas pelas fazendas que conseguem extrair os melhores resultados financeiros de seus plantios.

Ao iniciar o ano agrícola, se deve fazer uma programação da lavoura, ou seja, definir as áreas de cada cultura, bem como seus custos por hectare e sua produção esperada. Além de definir os fluxos das atividades com os seus respectivos custos.

Na sequência, todas as atividades operacionais, deverão ser definidas em cada talhão e devidamente registradas. Para que quaisquer imprevistos e desvios, possam ser detectados e algumas ações corretivas possam ser tomadas a tempo.


Fonte: Agência Embrapa de Informação Tecnológica - EMBRAPA

 

O Segundo passo é o REGISTRO DAS MOVIMENTAÇÕES DIÁRIAS

Ao se fazer a aquisição de qualquer peça para implementos, insumos agrícolas e outros itens que sejam requeridos pela produção, bem como pela manutenção da propriedade, estes devem ser registrados especificando: data, fornecedor, descrição do item, quantidade e valor. Sugerimos que, para se ter uma visão de gestão mais objetiva, se crie um PLANO DE CONTAS simples. A devida ordenação das contas no plano de contas, possibilitará inclusive a geração de relatórios objetivos, classificados por período, o que lhes permitirá a análise gradual de suas receitas e despesas, independente da natureza destas, para que se possa comparar com o quê foi planejado.

 

O Terceiro passo é o REGISTRO DAS ATIVIDADES REALIZADAS NAS CULTURAS

É de suma importância que, todas as atividades de manejo realizadas, sejam claramente registradas, detalhando a sua data de realização, o tipo de atividade, a extensão da área que foi trabalhada medida em hectares, os insumos e as quantidades aplicadas. Assim como as máquinas e os implementos que foram utilizados nas tarefas. Muito importante o uso do horímetro do início ao término de cada atividade, bem como a devida anotação.

 

O Quarto passo é o GERENCIAMENTO DOS CUSTOS DAS MÁQUINAS

O uso de máquinas constitui uma parte expressiva nos custos de produção, e o gestor rural possui uma capacidade de intervenção direta sobre estes. O que se torna bem mais difícil quanto aos custos de insumos e aos preços de venda da produção.

Logo é imprescindível, que se tenha um acompanhamento detalhado sobre as manutenções realizadas, o combustível consumido e as horas trabalhadas. Assim será possível detectar máquinas que expressam custos acima dos esperados, bem como detectar a má utilização de peças.

 

O Quinto passo é a ADMINISTRAÇÃO DOS ESTOQUES DA FAZENDA

Acompanhar os estoques é fundamental para se evitar ficar com dinheiro parado. Estoque é investimento, mas é necessário se saber até quando se deve manter o estoque para não perder a oportunidade de o transformar em dinheiro. Assimile o seu acompanhamento de estoques, da mesma forma com que você, acompanha as suas contas de caixa e bancárias. Registre sempre o que entrou e o que saiu, bem como para onde foi. Tudo de uma maneira que seja possível fazer um inventário a qualquer instante, e que se verifique se as quantidades disponíveis estão dentro do esperado.

Assim, será possível verificar quaisquer desperdícios ou desvios dos itens que estejam estocados.

 

O Sexto passo é a ANÁLISE

Após termos registrado diariamente as movimentações financeiras, as movimentações de máquinas e de estoques, conseguiremos gerar relatórios com os valores movimentados, com visão pelo Plano de Contas, custos das máquinas após manutenções e combustíveis, bem como seus respectivos custos por hora de operação. Assim conseguiremos checar se os saldos e movimentações de insumos e peças, que estão no estoque, conferem com o esperado.

Agora teremos como comparar as apurações com os valores planejados, e poderemos identificar possíveis desvios e suas causas.

 

Fizemos aqui apenas um pequeno roteiro para que você possa fazer a gestão financeira da sua fazenda. Evidentemente, na medida que você for evoluindo em seus controles, poderemos agregar mais etapas para aperfeiçoarmos a sua gestão, como por exemplo, a criação de planos de rateios para dar mais precisão aos custos de produção.

O que vale a pena mesmo é começar o seu gerenciamento, mesmo que de uma forma mais simples.

30/08/2019 03:50
CONSIDERAÇÕES SOBRE O PIB DO SEGUNDO TRIMESTRE DE 2019 PARA A AGROPECUÁRIA BRASILEIRA

Nesta quinta-feira, 29 de agosto de 2019, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou os dados do PIB do segundo trimestre deste ano, demonstrando um avanço de 0,4% com relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar de o número ter ficado acima das expectativas que estavam pairando entre 0,2% e 0,3%, cabe fazermos algumas considerações.

O resultado excluiu a possibilidade de entrarmos em uma recessão técnica, o que se concretiza quando o PIB encolhe em dois trimestres consecutivos. Segundo o IBGE este avanço econômico, sob a ótica da produção, se deu pelo crescimento de 0,7% do crescimento da indústria e de 0,3% do setor de serviços, porém a agropecuária teve um recuo de 0,4%.

Procurando entender o acanhamento do resultado da agropecuária, encontramos um dos pontos mais relevantes, que foi a queda na produção da soja. Precisamos compreender que o agronegócio obedece a sazonalidades diferentes de outros mercados, logo a queda de 0,4% do PIB da agropecuária encontra explicação também, nos períodos oscilantes das lavouras. Mas, devemos destacar que, o milho vem ganhando expressividade na margem de contribuição da safra nacional, e que o mesmo vem apontando crescimento tanto de produção, quanto de produtividade conforme dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Sabemos que um terço da produção de milho é colhida na primeira metade do ano, e isso nos anima com as perspectivas sobre o possível reflexo positivo das futuras colheitas sobre os indicadores econômicos do setor.

Entendemos que o mercado precisa ganhar mais confiança e, para tanto, as reformas ocupam um papel fundamental. Mas não podemos acreditar que apenas estas irão resolver. Todo o macro ambiente precisa melhorar.

Analisamos também que o crescimento de 5,2% no PIB da Formação Bruta de Capital (FBCF) no segundo trimestre, e de 3,2% no primeiro trimestre, assinalam um bom indício de que os investimentos estão retornando.

 

 

 

 

 

 

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